A reportagem é sobre a Escola Livre de Cinema de Nova Iguaçu, e na entrevista falo como ex-aluna e sobre como isso teve influencia em minhas práticas em sala de aula, sobre como venho feito essa coisa de misturar conteúdos do currículo com o audiovisual na Educação Infantil... Eu fiquei muito feliz com a experiência e a possibilidade de mostrar que trabalhar audiovisual na Educação Infantil para além do puro entretenimento é possível, e o mais importante, minhas crianças amaram fazer parte disso tudo!
Na reportagem há entrevistas também com o pessoal da Escola Livre de Cinema de Nova Iguaçu: Marcus Faustini (idealizador da Escola), Diego Bion e Luana Pinheiro, mostrando todo o funcionamento dessa Escola que é um arraso e sempre vai morar no meu coração!
►Confiram o resultado (a partir de 2 min e 55 seg):
No dia 4 de outubro a equipe do Jornal Futura fez uma visita à minha turminha, afim de conhecer o que tenho feito misturando o audiovisual com a Educação Infantil em minhas práticas em sala de aula.
Tudo começou quando o Canal Futura estava fazendo uma reportagem sobre a Escola Livre de Cinema de Nova Iguaçu, que sabendo que tenho usado o audiovisual em sala como proposta para ampliar o trabalho pedagógico, entrou em contato comigo perguntando se eu queria dar uma entrevista para o Jornal Futura, como ex-aluna deles. Claro! Topei na hora! Falei com a Direção e entramos em contato com a SME/RJ, que liberou a ida da equipe pra assistir uma aula minha usando o audiovisual.
Com as devidas autorizações de imagem dos pequenos em mãos, chegou o dia. Todos ansiosos, eu e toda a equipe do EDI Renan de Souza Leal, que recebeu muito bem a novidade e torceram pra que tudo funcionasse bem, me acalmando principalmente!
Muita apreensão até a chegada da equipe que demorou um pouco pra achar nosso EDI. Mas enfim eles chegaram! E a criançada ficou super a vontade, o que me surpreendeu, pois achava que eles iam ficar muito agitados com a presença de uma câmera em sala. O que me deixou toda orgulhosa e feliz, pois vi que a conversa que tivemos antes, sobre o que iria acontecer, sobre a presença da equipe do Canal Futura querer conhecer a gente e como são nossas aulas, funcionou muito bem. A verdade é que eles adoraram e participaram bastante da aula, o que foi muito positivo.
Como já mencionei aqui no blog, gosto muito de trabalhar com com o audiovisual para além do mero entretenimento. E especificamente em relação aos curtas animados, acredito que além da linguagem da animação ser por si só um super atrativo e facilitador para a aprendizagem prazerosa, estes sejam excelentes ferramentas de trabalho em turmas de Educação Infantil, uma vez que é difícil prender a atenção de crianças nessa faixa etária por mais de trinta minutos sem interrupção.
Para essa aula escolhi como tema a ser trabalhado o trânsito, uma vez que já estava começando um trabalho com eles sobre meios de transporte, achei que funcionaria bem já fazer uma ponte com o tema. Lembrei logo de uma animação que tinha guardado que problematiza muito bem o trânsito nosso de cada dia, e mesmo sem nunca ter passado esse curta para a turma (e eu nem imaginar se realmente ia funcionar com eles), resolvi ouvir minha intuição e arriscar.
Pois bem, o curta de animação escolhido para nortear a aula foi "A ilha", de Alê Camargo (2008), que é um curta muito bem humorado que retrata as dificuldades que podemos passar em uma sociedade com o trânsito cada vez mais caótico.
Assistimos o curta e não poderia ter sido melhor. As crianças se identificaram na hora. Se assustaram, se emocionaram, torceram para que Edu (personagem) conseguisse atravessar a rua, dançaram junto, riram em suas tentativas falhas e vibraram quando enfim Edu atravessou a rua. A interação foi muito grande!
Assistam "A Ilha", de Alê Camargo (2008):
Após assistirem o curta, a gente conversou. Aproveitei bem as partes em que as crianças mais se identificaram e algumas cenas do curta para problematizar situações do cotidiano, tais como: "Por que ele não conseguia atravessar a rua?", "Quando podemos atravessar a rua?"; "Ele conseguiu atravessar a rua?"; "Demorou muito ou foi rápido?"; "Como ele conseguiu atravessar?"; "Alguém o ajudou?"; "Quem sabe o que é semáforo?"; "Que cor apareceu no semáforo para ele atravessar a rua?"; "Que cor do semáforo indica que os carros podem passar?"; "Os carros não pararam em cima daquelas faixas brancas na rua, alguém notou?"; "Para que serve a faixa de pedestres?"; entre outras, dependendo do que era dito pelas crianças.
Depois que todo mundo já sabia bem pra que que servia o semáforo, partimos para construir um nosso. Aproveitando também para trabalhar cores e formas geométricas. Dividi a turma em grupos e assim o confeccionamos com cartolina, tinta guache e restos de EVA:
01 Retângulo de cartolina: pintura com tinta guache preta
03 círculos: colagem com EVA picado (vermelho, amarelo e verde - uma para cada círculo)
Enquanto confeccionávamos nosso semáforo, com a ajuda indispensável das minhas AAC's Andreia e Telma, partimos para as entrevistas. Primeiro fui eu e depois as crianças, quase todas falaram um pouquinho, mas a maioria ficaram muito tímida frente ao microfone, demorou mas alguns resolveram falar sobre o que aprenderam na aula.
Após as entrevistas o pessoal do Canal Futura se despediu da criançada. Eles foram super gentis e simpáticos e também adoraram as crianças. Foi uma manhã super divertida e produtiva, aposto que ninguém mais vai esquecer esse dia tão diferente...
Na parte da tarde partimos para montar nosso semáforo. Escolhemos um lugar e lá fomos nós enfeitar nossa parede com mais um trabalhinho. Todo mundo já sabia o que era semáforo e pra que serviam suas cores; todo mundo já sabia o que era círculo e o que era retângulo. Então fomos assistir mais uma vez o curta (na verdade algumas vezes! Todo mundo pedia bis!) e se divertir com a história do Edu.
Agora estamos ansiosos para ver a entrevista no Jornal Futura.
Uma das minhas melhores e divertidas ferramentas para pesquisar para planejar minhas aulas é o YouTube, onde raramente não encontro material que tenha haver com os conteúdos que pretendo trabalhar. Assisto o material e vou conectando este com os possíveis conteúdos que posso aplicar em sala, baixo o que me interessa e espero a oportunidade para trabalhar com as crianças.
Geralmente procuro curtas animados, pois acredito que além da linguagem da animação ser por si só um super atrativo e facilitador para a aprendizagem prazerosa, estes sejam excelentes ferramentas de trabalho em turmas de Educação Infantil, uma vez que é difícil prender a atenção de crianças nessa faixa etária por mais de trinta minutos sem interrupção.
Dessa vez o curta animado escolhido foi "Pacifier", de
Konstantin Bronzit (Rússia - 1993), com 1min e 03 seg, a animação fez um verdadeiro sucesso na minha turminha. Rola bis toda hora! Vejam o que acham dele:
Antes de assistirmos o curta, quis aguçar o raciocínio deles usando bexigas coloridas. Enchendo-as e esvaziando-as, observamos juntos o que acontecia no processo, o que acredito ter facilitado em parte o entendimento das crianças quando assistiram o curta.
Com essa aula, além de trabalhar o conteúdo central CHEIO/VAZIO proposto pela aula, pude trabalhar também em cima de questionamentos e observações que surgiram e deram margem a temas diversos, entre eles: Cores (Quais as cores das chupetas?); Gênero (masculino - quando notaram que "Ele tá pelado!");
Posição - em cima/embaixo (Onde o bebê joga areia?); Verdadeiro/falso e resolução de problemas (O que aconteceu quando um bebê tirou a chupeta do outro? Qual bebê era verdadeiro? Por que?).
Também foi possível trabalhar tamanho; Dentro/fora (ar tirado do ambiente - fora, colocado para dentro - pulmão, e colocado na bexiga - dentro); Leve/pesado (ao brincar com as bexigas e sentir seu peso); Aplicação de força e jeito (ao colocar o ar para dentro) na hora de encher as bexigas.
Enfim, filosofamos bastante e depois nos divertimos ainda mais enchendo bexigas para brincar!
MESA-REDONDA AUDIOVISUAL E EDUCAÇÃO - DIÁLOGOS POSSÍVEIS
Acabei de saber de uma notícia interessantíssima através do blog da 9ª CRE para aqueles (funcionários da SME/RJ) que, como eu, se interessam pela dobradinha Audiovisual e Educação, e obviamente achei que seria importante socializar a informação aqui!
No dia 23 de agosto (5a. feira), às 16h, o Festival Visões Periféricas promove a mesa-redonda "Audiovisual e Educação - diálogos possíveis". O evento é gratuito e será realizado no Centro Cultural da Justiça Federal (Av. Rio Branco, 241 – Centro - Tel.: 21 3261-2550) e as inscrições vão até o dia 7 de agosto.
Para participar, basta enviar um e-mail para: lucianabessa@rioeduca.net com as seguintes informações:
Nome completo
Matrícula
Escola
Telefone e e-mail de contato
Cargo/função
*Serão inscritos os 30 primeiros professores que enviarem e-mail até o dia 7/8 (Todos os e-mail serão confirmados).
A seguir, segue a programação do dia 23/8:
Mesa-Redonda: Audiovisual e Educação - Diálogos possíveis
Convidados (a serem confirmados):
►Aída Marques - Professora de Cinema da UFF
Bacharelado em Português/Literaturas; Curso técnico de Montagem em Paris (CLCF); Mestrado ECO-UFRJ em Comunicação; Doutorado ECA-USP em Cinema.
Disciplinas que ministra na UFF: Cinema e Literatura; Processo de realização de filmes; e Realização de Filmes.
Área de interesse: Cinema e Literatura; Dramaturgia; Direção e Produção; Políticas Públicas do Audiovisual; e Estudos da Narrativa.
►Manaíra Carneiro - cineasta e educadora
Diretora do curta-metragem "Café Sem Chantilly", com o grupo Cinemaneiro. Também dirigiu o episódio "Fonte de Renda", que integra o filme "5x Favela – Agora por nós mesmos".
Graduou-se em Estudos de Mídia, pela UFF.
►Tiago Cabral Dardeau (mediador) - Nave Kabum
Coordenador do curso técnico de Roteiro para Novas Mídias do NAVE (Núcleo Avançado em Educação)
►Walter Filé - Doutor em Educação
Principais projetos: Projeto Ciência por aí, desenvolvido no Centro Cultural de Ciência e Tecnologia da UFRJ (Casa da Ciência) que pretende ser um espaço para o estudo das tecnologias e sua influência na educação e nas relações cotidianas das pessoas; TV Maxambomba (tv de rua que atuou junto aos moradores da Baixada Fluminense - escolas, movimentos sociais e culturais - tentando experimentar novas formas de comunicação e compreender as tramas, as movimentações e as negociações simbólicas em torno dos sentidos e das condições de vida na região); a TV Pinel (uma experiência de uso da linguagem audiovisual na forma de uma tv com usuários hospital psiquiátrico Philippe Pinel); O Projeto Puxando conversa - que mescla tradição e modernidade, linguagem audiovisual, memória e narrativas do samba carioca, como possibilidade de pensar sobre os movimentos de identificação e socialização dos negros e pobres na cultura branca, hegemônica, Rio de Janeiro - tema de sua pesquisa de doutoramento.