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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Tarsila do Amaral vira "Tarsilinha" - Novo longa animado brasileiro




"O cinema infantil continua inexpressivo no Brasil. E ainda não merece destaque tanto no Ministério da Cultura (MinC) quanto nas produtoras, nas TVs, na mídia e mesmo na classe cinematográfica, que vê o cinema voltado para crianças como algo menor e sem importância para o mercado"


     A fala acima é de Luiza Lins (Cineasta e Coordenadora da Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis) e reflete exatamente a realidade do cinema infantil nacional. Mas ainda assim, pode-se dizer que é possível enxergar uma luz no fim do túnel. É que acredito já termos um bom motivo para comemorar o cinema infantil brasileiro, pois está previsto para ser lançado ainda este ano um filme inédito e originalíssimo "Tarsilinha" - Dirigido por Célia Catunda e Kiko Mistrorigo (criadores e diretores da TV Pinguim), com roteiro de Fernando Salem (com experiência em várias séries infantis como Vila Sésamo e Cocoricó), se inspira na artista Tarsila do Amaral.

    Tarsilinha é a protagonista que dá título ao longa, uma menina que enfrentará suas incertezas e medos em uma viajem onírica com os cenários e a parte visual inspiradas no trabalho da artista Tarsila do Amaral (1886-1973). Ou seja, a arte será apenas plano de fundo para o filme. Segundo Rozzino (produtor do filme), nenhuma obra de Tarsila será reproduzida no filme, e Tarsilinha, claro, é inspirada na artista brasileira, mas o filme não é uma obra biográfica.



A imagem acima refere-se a um estudo feito da obra  O Lago (1928)  de Tarsila do Amaral.
Este estudo serve para fazer pano de fundo do filme.

  Imersa em um mundo, brasileiríssimo e cheio de cores, característico da artista, com seus elementos gráficos e personagens, Tarsilinha fará sua jornada nos mostrando como uma menina supera diversos obstáculos em um processo que simboliza o de crescimento. Tarsilinha abordará questões envolvendo a família e as relações sociais. 

     Segundo a declaração do diretor, para a revista Tela Viva, "Tarsilinha" será em 3D por dois motivos: O primeiro é a questão mercadológica, pois "existe agora, um negócio, uma distribuição relacionada aos projetos audiovisuais 3D". E o segundo motivo passa pela questão da narrativa, para Mistrorigo "as obras de Tarsila do Amaral são naturalmente tridimensionais e a tecnologia foi uma solução pensada desde o início".



☻Sinopse de "Tarsilinha"

Olhando esta imagem, já dá pra sentir o clima: 
cores e formas de Tarsila do Amaral - Será imperdível!

     Uma Lagarta estranha e colorida invade repentinamente a casa da Tarsilinha e rouba todas as lembranças de sua mãe, que estavam em uma caixinha. Ao fazer isso leva também as suas memórias.
Perseguindo a Lagarta, Tarsilinha entra em um novo mundo, habitado por seres fantásticos, como o tatú-pássaro, uma lagarta colorida ou uma grande e assustadora Cuca.
     Felizmente ela encontra também aliados, como o Sapo, o Saci e o macaco cantor, que vão ajudá-la nesta surpreendente jornada, a recuperar a memória de sua mãe e voltar para casa em segurança.
    A personagem Tarsilinha não retrata a infância da artista, é uma personagem de ficção que navega pelo universo visual das obras da Tarsila.


    Bem, está divulgada a notícia. A última previsão de lançamento é 2012. O projeto está em andamento desde 2008 e a vitória em três editais ajudaram na produção.



Agora é só aguardar ansiosamente para conferir essa aventura colorida e brasileira com Tarsilinha!



►Fontes:

domingo, 3 de julho de 2011

3 Américas - Documentário

3 Américas, documentário de Alex Araújo.

     Dia 18 de junho, Escola Livre de Cinema de Nova Iguaçu, aula de audiovisual para educadores. O professor Clayton Leite mais uma vez ele surpreende nos apresentando Alex Araújo, cineasta, disposto a compartilhar seu conhecimento e experiência com a turma, e melhor ainda, assistiríamos 3 Américas - um documentário feito por ele, e depois, logicamente, poderíamos bombardeá-lo com perguntas, discutir sobre o tema, ou seja, estava armada a sabatina! 

Professor Clayton Leite e Alex Araújo.

    Pois é. Abrindo um parênteses, eu tenho que falar um pouquinho do Professor Clayton Leite. Aliás, não sei se ele tem formação específica para docência, mas essa aqui não seria a questão, pois ele simplesmente é um ótimo professor ao meu ver. É aquele que não dá o conteúdo mastigado, mas conduz para chegar a determinado ponto. Ele faz com que cheguemos a conclusão por nossa conta. Acredito mesmo que é bem por aí: quantas indicações de livros, filmes, sites, nomes, links ele traz em todas as aulas, aliás sempre diferentes, agradáveis e enxutas. Em menos de dois meses conheci muita coisa bacana e diferente, e o melhor de tudo, úteis para o crescimento profissional e pessoal. Basta ficar atento e saber "pescar" cada informação, com ele não há desperdícios!

    Bem, voltando ao assunto... Simpatissíssimo e atencioso, Alex nos deu uma super aula sobre cinema (basicamente a aula se focou na importância e nas diferenças entre  D. W. Griffith e Serguei M. Eisenstein) , e depois de assistirmos o seu documentário foi todo ouvidos para os nossos questionamentos, e nos contou que a ideia de fazer o documentário surgiu da observação do trajeto que fazia todos os dias para ir à faculdade, pois como morador de Campo Grande indo para a Barra da Tijuca, ele passava necessariamente todos os dias na Avenida das Américas e obviamente notou as diferenças que iam acontecendo ao longo do  percurso - uma avenida que começava mal asfaltada, sem sinalização e sem acostamento, com comércio e casas pequenas e as vezes até mal construídas, se transformava em quatro pistas bem asfaltadas e sinalizadas, cercada de luzes, condomínios e prédios bem feitos, shoppings gigantescos ostentando uma falsa paisagem norte americana.

Alex Araújo, cineasta - Diretor de 3 Américas

   Além disso,  pudemos saber, entre outras coisas, sobre a finalidade do documentário (trabalho de conclusão de curso - Cinema na Universidade Estácio de Sá) como foi escolhida a trilha e qual o processo para que consiga a autorização para tal, sobre determinadas situações na filmagem de determinadas cenas, o processo de edição e montagem, enfim, todas as dificuldades e facilidades que Alex teve em sua experiência com 3 Américas nos foi passado, o que facilitou na discussão que houve após a exibição do documentário, pois além de elaborarmos nossas próprias impressões, pudemos compartilhá-las com o idealizador que estava ali presente - simplesmente uma experiência única e proveitosa.

Turma de audiovisual para educadores - Escola Livre de Cinema de Nova Iguaçu

    Com a trilha sonora do Mundo Livre S/A (aliás, confiram a letra, escolha perfeita: Ultrapassado e Soy loco por Sol) o documentário 3 Américas me conquistou já nos primeiros segundos. Na verdade, a proposta do 3 Américas é fazer uma analogia entre a Avenida das Américas (Rio de Janeiro) e o Continente Americano, ambos  "divididos", não só territorialmente, mas  culturalmente, socialmente e principalmente economicamente.  Através de um "passeio" ao longo da Avenida das Américas, o documentário mostra personagens diversificados para pontuar essas diferenças, diferenças essas claramente mostradas, por exemplo através de respostas para uma simples pergunta sobre o maior sonho deles -  enquanto um personagem responde "Meu maior sonho irmão, é ter uma casa digna." a outra diz "Tudo que eu sempre quis eu tenho."

     A meu ver, o documentário nos mostra o caos social brasileiro usando a Avenida das Américas (Rio de Janeiro) como exemplo, buscando justificativas na História, com o depoimento de historiadores (Paulo Duarte e Silvia Oroz), desde o processo de colonização até a situação atual de exclusão social em que vivemos. E reafirmando esse caos nos personagens moradores dessa avenida, representantes da sociedade brasileira com suas diferenças sociais marcadas por sua aparência, fala, história de vida... Paralelamente, também mostra uma preocupação, ou melhor dizendo propõe uma reflexão sobre o sistema capitalista e sua influencia na vida das pessoas: alienação cultural (independentemente de situação econômica, ainda que por motivos distintos ou não), consumismo, a obsessão pelo modo de vida americano (estadosunidense), abismo socioeconômico, enfim, enquanto um grupo discute as causas, o outro sofre as consequências.
     Uma fala muito marcante e pessimista, que para mim resume bem o que o documentário mostra, é  a fala da moradora, que representa por assim dizer, a elite da Avenida das Américas,  Dayse: 

"Quem tem continua tendo muito e quem não tem continua ralando, acordando as quatro da manhã pra trabalhar. E agente convive com isso aqui sim. A Avenida das Américas, enorme como ela é, tem essa parte da Barra da Tijuca, maravilhosa, primeiro mundo e tem o restante da Avenida das Américas que acho que é uma quilometragem muito maior, que é um nível social bem mais baixo, é o pessoal que não tem condição, que vem prestar serviço na Barra da Tijuca: é a diarista,  é o pedreiro, é o que faz obra de emergência nos condomínios, é o porteiro, é o faxineiro. A gente convive com isso todo dia. Os próprios empregados de condomínio moram na Avenida das Américas lá pra baixo, e eu acho que essa diferença não mudou nada e eu acho que nem muda."

    Acredito que documentário quer que pensemos de forma crítica todas essas diferenças apresentadas. Isso é somente uma amostra da realidade que não se pode negar, mas que se aceitarmos, fica impossível mudar. Compreendo que é difícil não se tornar pessimista como a Dayse, na verdade, na situação dela fica muito fácil aceitar que nada vá mudar um dia; mas uma das coisas mais bacanas que fica do 3 Américas, é a última fala do morador Nielson, representante da "plebe", que nos diz indiretamente para não perdermos as esperanças:

"Quando você as vezes pensa que está tudo perdido, uma luz se acende lá no final pra você, te mostrando um caminho. E é com essa fé que eu vou levando o meu dia-a-dia..."

   Para mim, essa fala não é a ideal, na verdade é até um pensamento que aprisiona, que de certa forma acomoda, a gente não pode aceitar, pois a situação do país, do mundo, não deveria contar com a fé. Na verdade, não acredito que nada disso tenha a ver com Deus, mas é o que temos, é o que resta à maioria da população mundial, e espero que essa fé sirva como força motriz para a criação de pensamento crítico e consequentemente ações que mudem um dia essa realidade, que infelizmente não é só Americana.




Assistam a seguir o 3 Américas e tirem suas conclusões!




Pedagogicamente podemos trabalhar...

Com este documentário é possível trabalhar, através de projetos, seminários e mesa-redonda, principalmente com as disciplinas de História e Geografia, uma vez que tem temas abordados são pertinentes a estas disciplinas, como o capitalismo, diferenças socioeconômicas  consumismo, alienação cultural... Sendo possível também trabalhar a disciplina Português, com a interpretação e produção textual, abordando por exemplo, o tema pessimismo x otimismo em relação a situação do país, usando a fala dos personagens Dayse (pessimista) e Nielson (otimista) e o porque de cada um pensar de determinada forma. 

domingo, 20 de março de 2011

La Maison en Petit Cubes - Curta-metragem

Título: La Maison en Petit Cubes

Duração:12 minutos
Ano: 2008
País: Japão
Direção: Kunio Katô

      Sou fã de curta-metragens, e estou sempre procurando algo que me surpreenda entre eles, mas posso afirmar que de todos os curtas animados que assisti até o momento. Simplesmente, La Maison en Petit Cubes conquistou meu coração... 

        Emocionante e lindíssimo, o curta consegue nos envolver, comover e nos dizer muito com sua imagem-linguagem tão única, ilusoriamente parecendo uma grande tela pintada a se movimentar nos contando uma história um pouco triste sim, mas carregada de beleza e significados; contando ainda com uma trilha sonora mágica, maravilhosa que nos liga, definitivamente ao mundo daquele senhor tão solitário.


     A história tem como tema central a solidão, a velhice, o passar do tempo e as consequências de nossas atitudes. Decidido, o Senhor Velhinho (resolvi batizá-lo assim, já que o personagem não tem nome e o curta se resume a animação e música), vem resistindo no mesmo lugar (sua pequena casa em sua cidade submersa) ameaçado pelo nível do mar, que não para de subir há tempos e engolira toda sua cidade. Ele, com intuito de resistir ao acontecimento, vai construindo novos andadres em sua casa a medida que o nível do mar vai subindo. 

    Em determinado momento de sua existência ele se dá conta de como passou o tempo ao mergulhar atrás de seu cachimbo, que ao cair na água do mar através de escotilhas que ligam todos os andares da casa construídos até o momento, o transporta para uma aventura ao seu próprio passado. 
     
      A cada nível de profundidade o Senhor Velhinho nos leva junto com ele à uma maravilhosa retrospectiva de sua história de vida. Como ele chegara até ali, as pessoas que fizeram parte de sua vida, a sua cidade que um dia existira: a sua corajosa (ou teimosa?) resistência ao permanecer naquele lugar mesmo com tudo o que acontecera... 


    Quando terminamos de assistir o curta, fica uma estranha sensação de tristeza e compaixão. Nos faz refletir sobre nossas escolhas, e que as vezes, se não formos cuidadosos, podemos deixar os melhores momentos de nossas vidas escaparem de nossas mãos. 


   Ao compartilhar com o Senhor Velhinho a sua história, sinto que algo mudou em mim ao observar as pessoas que fazem parte de minha vida!
    La maison em petit cubes levou o Oscar de animação do ano de 2008 merecidamente.
   Assistam também esse belíssimo curta de animação e descubra o que ele mudará em você!




La maison en petit cubes, de Kunio Katô  levou o Oscar de animação do ano de 2008 merecidamente.





Pedagogicamente, pode-se trabalhar:

  • Paisagem natural e modificada;
  • Mudanças climáticas;
  • Valorização de coisas simples da vida;
  • Consequências de nossas atitudes;
  • As mudanças que ocorrem com o passar do tempo (nos homens - fisicamente e mentalmente - e no ambiente - natural e urbano);
  • Entre outros.