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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Tarsila do Amaral vira "Tarsilinha" - Novo longa animado brasileiro




"O cinema infantil continua inexpressivo no Brasil. E ainda não merece destaque tanto no Ministério da Cultura (MinC) quanto nas produtoras, nas TVs, na mídia e mesmo na classe cinematográfica, que vê o cinema voltado para crianças como algo menor e sem importância para o mercado"


     A fala acima é de Luiza Lins (Cineasta e Coordenadora da Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis) e reflete exatamente a realidade do cinema infantil nacional. Mas ainda assim, pode-se dizer que é possível enxergar uma luz no fim do túnel. É que acredito já termos um bom motivo para comemorar o cinema infantil brasileiro, pois está previsto para ser lançado ainda este ano um filme inédito e originalíssimo "Tarsilinha" - Dirigido por Célia Catunda e Kiko Mistrorigo (criadores e diretores da TV Pinguim), com roteiro de Fernando Salem (com experiência em várias séries infantis como Vila Sésamo e Cocoricó), se inspira na artista Tarsila do Amaral.

    Tarsilinha é a protagonista que dá título ao longa, uma menina que enfrentará suas incertezas e medos em uma viajem onírica com os cenários e a parte visual inspiradas no trabalho da artista Tarsila do Amaral (1886-1973). Ou seja, a arte será apenas plano de fundo para o filme. Segundo Rozzino (produtor do filme), nenhuma obra de Tarsila será reproduzida no filme, e Tarsilinha, claro, é inspirada na artista brasileira, mas o filme não é uma obra biográfica.



A imagem acima refere-se a um estudo feito da obra  O Lago (1928)  de Tarsila do Amaral.
Este estudo serve para fazer pano de fundo do filme.

  Imersa em um mundo, brasileiríssimo e cheio de cores, característico da artista, com seus elementos gráficos e personagens, Tarsilinha fará sua jornada nos mostrando como uma menina supera diversos obstáculos em um processo que simboliza o de crescimento. Tarsilinha abordará questões envolvendo a família e as relações sociais. 

     Segundo a declaração do diretor, para a revista Tela Viva, "Tarsilinha" será em 3D por dois motivos: O primeiro é a questão mercadológica, pois "existe agora, um negócio, uma distribuição relacionada aos projetos audiovisuais 3D". E o segundo motivo passa pela questão da narrativa, para Mistrorigo "as obras de Tarsila do Amaral são naturalmente tridimensionais e a tecnologia foi uma solução pensada desde o início".



☻Sinopse de "Tarsilinha"

Olhando esta imagem, já dá pra sentir o clima: 
cores e formas de Tarsila do Amaral - Será imperdível!

     Uma Lagarta estranha e colorida invade repentinamente a casa da Tarsilinha e rouba todas as lembranças de sua mãe, que estavam em uma caixinha. Ao fazer isso leva também as suas memórias.
Perseguindo a Lagarta, Tarsilinha entra em um novo mundo, habitado por seres fantásticos, como o tatú-pássaro, uma lagarta colorida ou uma grande e assustadora Cuca.
     Felizmente ela encontra também aliados, como o Sapo, o Saci e o macaco cantor, que vão ajudá-la nesta surpreendente jornada, a recuperar a memória de sua mãe e voltar para casa em segurança.
    A personagem Tarsilinha não retrata a infância da artista, é uma personagem de ficção que navega pelo universo visual das obras da Tarsila.


    Bem, está divulgada a notícia. A última previsão de lançamento é 2012. O projeto está em andamento desde 2008 e a vitória em três editais ajudaram na produção.



Agora é só aguardar ansiosamente para conferir essa aventura colorida e brasileira com Tarsilinha!



►Fontes:

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Um Dia das Crianças inexplicável (ou Eu e Pretinha)

*Para Pretinha (muito obrigada por me ligar à criança que existe em mim!)
 
Pretinha
    Feriado. Arrumando meu quarto, limpando tudo, hoje me deparei com a realidade de que minha primeira boneca está ficando careca, seus cabelos caem conforme mexemos neles.

   Ela foi a única lembrança física da infância que guardei comigo, tive mais uma ou duas bonecas naquele tempo, mas essa era a única que me divertia, ela era a única boneca que guardava no coração junto com a pipa, o videogame, a bola-de-gude, a bicicleta, o playmobill, a caixa de lápis de cor, os livros de histórias, o lego, a bola, a queimada e o “pique nosso de cada dia”. Talvez por ser mais velha que eu (apesar dela ter sido minha primeira boneca, eu não era sua primeira dona), era minha amiga: tinha os olhos cor de mel que eu invejava e o “cabelo duro” igual ao meu, eu sabia podia confiar nela.


    E agora seu cabelo caia e eu nem tinha me dado conta disso antes. Sinto-me culpada. Abandonei-a, é fato. Talvez eu tenha esquecido da criança que há em mim... Por isso resolvi recuperar-me num tempo perdido – era preciso me encontrar criança alegre novamente. Hoje é Dia das Crianças, o dia perfeito.


     Dei banho na Pretinha (esse é o seu nome) com xampu e condicionador, lavei sua roupa com sabonete. Na hora de secá-la fui com cuidado para que não caísse tanto cabelo assim, mas como sua dona, seus cabelos caem, mas não o suficiente para que se perceba tanto! Ela ficou cheirosinha, como nos velhos tempos, ela ficou feliz assim como eu. Passei sua roupa quando secou e a vesti. Enfeitei seu cabelo, a perfumei e coloquei-a na prateleira do quarto junto aos meus livros preferidos. Tiramos uma foto para o blog e estamos aqui. Ganhamos o dia!
 
Eu e Pretinha

     Assim foi minha (nossa) manhã e um pedacinho da tarde de hoje. Encontrei comigo mesma criança. Foi um encontro inexplicável, maravilhoso e renovador, tanto para mim quanto para Pretinha.

     É preciso, ao menos por vezes, exercitar nossa criança para que ela também não envelheça. Eu sei que nesse nosso mundo atual isso pode parecer difícil em meio a tantos afazeres e informações, até mesmo as crianças estão esquecendo (ou desaprendendo?!) de sê-las. Mas é preciso acreditar, afinal, esse dia representa muito – Alegria, energia, saúde e paz: Esperança num futuro melhor!



Desejo a todos no dia de hoje, e sempre que possível, que assim como eu, encontrem-se crianças novamente!

domingo, 8 de maio de 2011

Games e Educação - Uma parceria para a melhora do processo ensino-aprendizagem

Imagem de Okami - PlayStation 2 - Considerado uma verdadeira obra prima
 
   Sempre fui defensora dos games (não falo aqui dos jogos educativos, pois estes quase todos concordam que é interessante colocar dentro das disciplinas escolares), nunca achei, ao contrário da maioria dos educadores, que eles pudessem ser uma ameaça à educação, pelo contrário, os games podem ser aliados fortíssimos no processo ensino-aprendizagem. Eu mesma já aprendi muito com eles, abri a mente para diversas culturas diferentes da minha, (cultura xintoísta de raízes japonesa com Okami) pesquisei sobre história antiga e bíblica (viajando com Shadow of the Colossus - PlayStation 2) e mitologias, filosofei sobre a origem da vida (jogue XenogearsPlaySatation - e você será outra pessoa!), discuti política e pensei mais sobre a fusão homem-máquina e utilização de nanotecnologia (jogando a série Metal Gear SolidPlayStation, PlayStation 2, PlayStation 3); sem contar que hoje sou uma apaixonada por trilhas sonoras de jogos (quem não fica maravilhado ao ouvir a trilha sonora de God of War?! - PlayStation2, PlayStation 3). 

 Gerard Marino - compositor da trilha sonora da série God of War - Conduzindo 
a Golden State Pops Orchestra (fevereiro de 2007): música da trilha do jogo.
  

É fato: se você gosta e se envolve com o enredo do jogo, você vai além do simples ato de jogar, você pesquisa, busca os porquês daquilo ali apresentado.

Imagem de Metal Gear Solid 4 - PlayStation 3
   Em Limbo - XBox-360, por exemplo, você desenvolve o raciocínio matemático, lógico-espacial, pois é um jogo de plataforma com quebra-cabeças, sendo que os desafios podem variar entre descobrir a solução de um problema e executar tarefas que requerem precisão e habilidade.

Imagem de Limbo - XBox - 360. 
Surpreende com sua atmosfera "estranha" em branco e preto
   Acontece que a maioria das crianças jogam por mero entretenimento, e não "aprenderam" a jogar de uma maneira mais útil por assim dizer, ou seja, se divertindo e aprendendo simultaneamente, pois sem o costume do olhar crítico (que em nosso país infelizmente é raridade), perdem a essência do jogo e resumem algo que poderia trazer uma quantidade enorme de informações em mero entretenimento fútil. Ou seja, se você joga a série God of War e percebe o jogo sem análise prévia, sem saber sobre o enredo, sem pensar o jogo tentando entendê-lo, você poderá resumi-lo em "pancadaria e sangue" (o que não é muito diferente do que está na TV, nas manchetes de jornais e nas telas de cinema, mas esse é outro assunto, deixemos pra depois!), mas o jogo não é só isso! O jogo conta a saga de um espartano que vai contra os deuses gregos em busca de vingança - inevitavelmente você vai conhecer mitologia grega e algo sobre o exército espartano. Obviamente que não iremos colocar uma criança de 10 anos para jogar a série God of War, por uma questão de bom senso e até mesmo porque, os jogos tem a indicação da faixa etária recomendada, cabe aos educadores, pais e responsáveis estarem atentos a isso (é como nas programações de TV, sempre há indicação de idade adequada para determinado programa) e não permitirem excessos.

Capa do jogo God of War II - Indicação para maiores de 18 anos
  O que eu realmente gostaria que acontecesse é que os preconceitos diminuíssem e que a culpa das tragédias ocorridas, principalmente relacionadas às crianças, não caíssem exclusivamente nos games e na Internet. O problema está em como a sociedade se comporta e influencia na Educação, e é aí que temos que "mexer". E a Educação, o pensar e o inverstir nela é que pode mudar alguma coisa. É preciso criar, desenvolver um olhar crítico e pensante em nossas crianças, visto que os problemas atuais vão muito além dos jogos eletrônicos, aliás, não tem nada haver com os jogos eletrônicos. Não é possível que ninguém veja e assuma essa realidade! Tudo depende do olhar e dos objetivos estabelecidos. É possível aprender e reaprender com tudo, basta querermos (estado, sociedade: responsáveis, pais e educadores) buscar e fazer acontecer!

Imagem de Shadow of the Colossus - PlayStation 2

   Abaixo, segue uma matéria retirada do site Olhar Digital (aliás, recomendo!), que aborda exatamente a maneira como acredito que os games devem ser vistos em relação a Educação, mostrando que já existem iniciativas (e de gente séria!) a respeito:


Games invadem as salas de aula




   A discussão sobre a influência dos games no processo de aprendizagem é tão antiga quanto consoles de Atari. Alguns educadores alegam que jogos de guerra e combate estimulam o comportamento violento dos usuários, mas outros acreditam não haver relação entre um fator e outro. Discussões à parte, o fato é que diante do fascínio que os jogos eletrônicos exercem sobre os jovens, muitos profissionais da educação buscam maneiras de levar a diversão das salas de estar para as salas de aula.

  Gilson Schartz, professor da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo, está trazendo para Brasil o game "Conflitos Globais". Com interface semelhante ao famoso "The Sims", a ferramenta, que já é utilizada em cerca de 500 escolas europeias, pretende ajudar alunos do ensino médio a entender problemas sociais e econômicos.

  "Os estudantes jogam como jornalistas, e conforme vão navegando, podem ir fazendo perguntas para os personagens e armazenando as respostas [em texto], para no final, compor a sua reportagem", explica o professor.

  Ainda em fase de testes, o game deve custar 5 reais por aluno, e a ideia é disponibilizar o software para escolas públicas e particulares. Estudos realizados com a utilização desse tipo de material didático comprovam; dá resultado!

  Gilson acredita que, o que faz com que o aluno tenha 60, 70% de retenção do conteúdo, já no primeiro contato, é justamente o interesse que aquilo provoca. "Não é apenas pelo game ser bem feito, é a relação do estudante com a situação de aprendizado. Por isso que é importante essa convergência entre a brincadeira e a seriedade", diz.

   De olho nesses resultados positivos, um colégio particular da Zona Sul de São Paulo resolveu não só utilizar os games como ferramenta pedagógica, mas também ensina os alunos a criar os próprios jogos. Em uma matéria extracurricular, eles aprendem adesenvolver jogos eletrônicos de acordo com o conteúdo estudado nas outras disciplinas.

   Segundo o Coordenador do Grupo de Pesquisa e Desenvolvimento de Jogos Eletrônicos do Colégio Santa Maria, Muriel Vieira, com a motivação de criar os games, os alunos desenvolvem-se não somente nas áreas que estão relacionadas diretamente com o jogo, como história, geografia e ensino religioso. "Para criar o jogo eles devem ter outras habilidades. Para fazer o boneco pular, por exemplo, o software pede que coloquem a gravidade, força e aceleração do movimento. Estes conceitos eles nem estudam ainda, só vão conhecer no ensino médio. mas, de uma forma implícita, já estão estudando", conta.

   Enquanto professores e escolas pesquisam novas maneiras de utilizar e desenvolver games educativos, essa escola de música utiliza softwares já existentes no mercado. Um estúdio equipado com Guitar Hero e Rock Band fica a disposição dos alunos para que eles possam jogar quando estão fora da aula. Mesmo que tocar um instrumento de "mentirinha" seja bem mais fácil do que fazer música com um real, muito conteúdo é assimilado durante esses shows virtuais.

  "O game quando é utilizado para uma finalidade pedagógica, pode ter um efeito interessante: o aluno aprende sem ter consciência. Ele joga, mas também aprende alguma coisa", diz Alex Rodriguez, Professor de Guitarra da Escola de Música e Tecnologia (EM&T). O professor também conta que, no caso do jogo de música, o aluno pode não aprender a fazer música necessariamente, mas ele está entrando em contato com algumas atividades que estão relacionadas com a música. A questão do desenvolvimento ritmico é um exemplo. "Não dá para jogar Guitar Hero se não tiver ritmo. Isso faz com que o aluno acabe desenvolvendo ritmo ao apertar as teclinhas na hora certa", finaliza.
    
  A iniciativa de levar jogos eletrônicos para o ambiente escolar ainda precisa vencer muitos obstáculos. Faltam equipamentos e professores capacitados para lidar com esse tipo de mídia. E também a resistência de muitos educadores, que defendem métodos mais convencionais de ensino. Mas as experiências mostram que é possível sim, aprender brincando com games."


*Sobre o jogo Conflitos Globais, acesse os links abaixo:

domingo, 20 de março de 2011

Onde estará a Poesia?

Por Érica de Campos

Talvez muitas pessoas não saibam, mas dia 14 de março comemoramos o Dia Nacional da Poesia. E o que é poesia? Eu não gostaria de definir a poesia tecnicamente, pois é exatamente “isso” que quero evitar. Creio que é mais importante falar sobre a função da poesia. E se ela tem função, qual seria? Eu diria sensibilizar. Essa, para mim, é a função primordial da poesia, principalmente se estivermos falando de poesia na escola, que por muitas vezes deixa a poesia de lado. Em um mundo cada vez mais tão corrido e concorrido como o nosso, ver a vida com um olhar poético fica cada vez mais difícil. Difícil, mas não impossível se quisermos! É preciso retomar, e muito mais que isso, reaprender a ter esse olhar diante a vida.

Quem sabe a pergunta ideal seria “Onde estará a poesia?”. Se me fizessem essa pergunta, eu diria que a poesia está em tudo, está em nós. E se eu não soubesse responder? Acho que poucas pessoas se prontificariam a me responder, elas têm perdido a intimidade com ela... Os textos poéticos, na escola, têm sido usados praticamente como um mero instrumento para vários tipos de tarefas. Tudo é muito mecânico e o prejuízo é grande (embora muitos não se incomodem, ou até gostem disso), pois o contato com a poesia possibilita entre outras coisas educar a sensibilidade promovendo o envolvimento emocional do leitor pela obra. Na verdade, o que falta é um envolvimento maior com a poesia em sala de aula, um envolvimento verdadeiro, partindo da instituição e dos professores (e não só os professores de Português e Literatura, mas os de qualquer disciplina, pois a Poesia pode e deve ser trabalhada interdisciplinarmente), partindo para os alunos e chegando às famílias – a leitura do texto poético exige do leitor mais desprendimento. Não resume-se à simples leitura, é preciso interpretar, imaginar e sentir o quê se lê, a poesia é uma espécie de jogo, desafia e instiga. Mas ainda assim, com todas essas características que deveriam ser atraentes para qualquer um, o que ocorre, infelizmente, é uma rejeição quase generalizada da poesia por parte dos alunos. A escola precisa urgentemente repensar sobre o tema, inserir a poesia na vida de seus alunos de forma mais criativa e prazerosa, levar ao conhecimento deles este universo repleto de possibilidades, tão mágico e tão necessário.

     
     O contato com a poesia pode exercer bastante influência no processo de formação do indivíduo e de seu desenvolvimento intelectual, ampliando suas possibilidades de comunicação verbal e corporal. A poesia é capaz de tornar  visível algo abstracto como, por exemplo, os sentimentos e emoções em relação ao que se vive, ao que se sonha e pensa: admirar, pensar, analisar, concluir, ou seja, a poesia, no final das contas, estimula e desenvolve o espírito crítico. Não é à toa que há muito Aristóteles (e mais tarde Tomás de Aquino comentando-o) diria que “o poeta assemelha-se ao filósofo”.




          Poesia é vida, é arte. Sendo assim, meu caro leitor, peço, carinhosamente, que reviva o poeta ou a poetisa que há em você! Viva a Poesia que há!



*Texto de Érica de Campos - publicado em março de 2011, na Coluna Educação do jornal mensal A Voz do Lojista Meritiense - jornal de circulação no município de São João de Meriti/RJ.

*Imagens de Daniel Bueno, do livro de Fábio Yabu, com ilustrações de Daniel Bueno "Apolinário - O homem dicionário" (Editora Panda Books, 2011).


domingo, 13 de fevereiro de 2011

Alimentação Infantil: Uma questão de hábito

Por Érica de Campos




Nossas primeiras relações sociais ocorrem em torno do ato da nutrição – é na amamentação, ou seja, através da mãe, que o contato com a alimento se inicia. O bebê depende totalmente de quem o alimenta, estabelecendo-se a partir disso uma relação muito intensa e cheia de significados, e quem o alimenta também se vê envolvido: a mãe  ao alimentar seu bebê continua, através desse ato, a dar-lhe vida. Uma vez que esta relação com a mãe é estabelecida saudavelmente desde o início, torna a criança mais segura  e feliz para naturalmente se criar ao longo de seu crescimento bons hábitos alimentares.
Acontece que pesquisas recentes mostram que o número de crianças obesas ou com problemas relacionados à má qualidade na alimentação (diabete do tipo 2, hipertensão, aumento da pressão arterial, distúrbios hormonais, alterações na postura, colesterol alto...) e adolescentes com distúrbios alimentares (bulimia, anorexia...) vem crescendo vertiginosamente em nosso país. A Organização Mundial da Saúde (OMS), em levantamento recente aponta índices preocupantes: 155 milhões de jovens apresentam excesso de peso em todo o mundo, já aqui no Brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, existem hoje  6,7 milhões de crianças obesas. Especialistas apontam, entre outros fatores, o sedentarismo e o grande consumo de alimentos com baixo valor nutricional consumidos pelas crianças como agravantes da situação.


Muito refrigerante, fast food, snacks, churrascos, hambúrguer e fritas. Como evitar que as crianças sedam à essas tentações? As indústrias investem cada vez na fabricação de guloseimas e alimentos ricos em gorduras, opções que atraem (e muito!) as crianças, que por sua vez são alvos fáceis de serem atingidos pela publicidade. E ainda temos o fator família e escola: os pais muitas vezes não controlam a alimentação dos filhos, e até mesmo buscam compensar a falta de atenção com comida (e normalmente aquelas menos nutritivas), criando a inversão de valores, ou seja, comer um super hambúrguer com batata-frita e refrigerante, mais um sundae de sobremesa se torna o maior prêmio que se pode ganhar! Já as escolas também não têm ajudado muito com suas cantinas recheadas com os alimentos mais chamativos e menos nutritivos possíveis. Visando o lucro, pouco se importam e “esquecem” de ensinar bons hábitos alimentares aos pequenos e incentivam a compra desses alimentos na própria instituição; muitas vezes deixam a responsabilidade única e exclusiva de formar o hábito alimentar saudável para os pais, que tem a maior responsabilidade sim, mas a escola não deveria nem poderia se omitir.




É de grande importância que tanto os pais como a escola ensine e incentive a criança a ter bons hábitos alimentares. A criança deve ter acesso à um “prato completo”, variado, rico em alimentos saudáveis. Além do próprio exemplo dentro de casa, na variedade de alimentos e em como acontecem os momentos reservados para o ato de alimentar-se, rotinas em relação aos horários de alimentação da criança é importante para a formação de um ambiente favorável para criar bons hábitos alimentares. 

Também é interessante deixar a criança ter um contato mais direto com o seu alimento; não importando se ela vai se sujar ou vai demorar um pouco mais para comer, esse momento da criança com o alimento lhe dá a oportunidade de conhecer e vivenciar o ato de alimentar-se de modo prazeroso. Se possível, haver variedade no preparo dos alimentos – refeições coloridas e diversificadas: arroz, feijão, verduras, legumes, carnes e frutas devem variar diariamente. Às vezes pode ocorrer da criança rejeitar determinado tipo de alimento, neste caso é fundamental não desistir de oferecê-lo sempre que possível, uma hora ela terá a curiosidade de experimentá-lo e poderá gostar.

          O ideal é que ensinem desde cedo às crianças a importância da boa alimentação, não simplesmente dizendo que X faz bem e Y faz mal e pronto! É preciso explicar às nossas crianças (a cada faixa etária com linguagem adequada) sobre os nutrientes de cada alimento e suas funções e o porquê determinados alimentos podem prejudicar sua saúde e devem ser evitados. É preciso que a criança, assim como os adultos, descubram o valor e o prazer de se alimentar bem!


Mais sobre o assunto...

    O Ministério da Saúde disponibiliza diversas publicações em seu site direcionadas para uma política pública com intenções de informar e incentivar os hábitos alimentares saudáveis, entre elas estão:



* Link para publicações do Ministério da Saúde: http://nutricao.saude.gov.br/publicacoes.php



Cartaz: Dez Passos para uma Alimentaçáo Saudável - Crianças menores de 2 anos 


Cartaz: Dez Passos para uma Alimentaçáo Saudável




*Texto de Érica de Campos - publicado em fevereiro de 2011, na Coluna Educação do jornal mensal A Voz do Lojista Meritiense - jornal de circulação no município de São João de Meriti/RJ.


*Imagens retiradas de Dez passos para uma alimentação saudável - Guia alimentar para crianças menores de dois anos, publicação do Ministério da Saúde, 2010.



segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

O ingresso na vida escolar: uma etapa a ser vencida

Por Érica de Campos

Charge de Ziraldo
    As férias já estão acabando e logo, logo as aulas recomeçam. Já estamos no período de livrarias e papelarias lotadas para as compras dos materiais escolares e de sufoco dos pais na readaptação das crianças aos horários para a rotina escolar. 

    A cada ano que se inicia essa rotina passa a ser conhecida por muitas crianças e se inicia uma nova etapa na vida delas. Essa etapa pode acontecer de forma prazerosa ou traumática. Estamos falando do ingresso na vida escolar, na Educação Infantil, onde tudo começa sendo novidade para a criança: as pessoas, o ambiente e a rotina se tornam novos desafios a serem vencidos. É de imensa importância que a adaptação à escola ocorra sem traumas, pois é neste momento que os primeiros traços da independência da criança começam a serem definidos: ficar longe dos pais e de sua casa, cumprir novos horários e regras, interagir com a professora e com os colegas de classe, é parte do processo que tornará a criança segura e feliz no ambiente escolar. 

    Mas nem sempre as coisas ocorrem de maneira simples e “indolor”, mesmo porque não é só a criança que faz parte desse processo. Os pais ficam na expectativa, apreensivos e ansiosos, e na maioria das vezes, mesmo sem querer, acabam por atrapalhar a adaptação da criança na escola – Por exemplo, a mãe ou o pai que demonstra medo ou insegurança para a criança ao deixá-la na escola, já sinaliza para esta que ali pode não ser um lugar bom para ela, o que gera uma certa desconfiança por parte da criança; ela dificilmente se sentirá à vontade numa situação destas. 

    O ideal é que os pais escolham com calma e antecedência a escola para a criança e façam com que ela participe, desde o início, deste processo. O que quero dizer é que é preciso incentivar a criança a ir à escola, prepará-la, conversar com ela sobre a escola (como é, para que serve, sua importância...), levando-a para uma visita às instalações de sua futura escola e se possível conhecer sua professora (aliás, é importante que os pais estabeleçam uma boa relação com a professora, assim a criança sentirá que a professora não é uma desconhecida), levar a criança às compras de seus materiais escolares, enfim, tudo isso ajuda para que a criança construa uma expectativa positiva em relação à escola. Ter contato com alguma outra criança em idade escolar, irmãos mais velhos, primos ou vizinhos, também facilita o processo, pois ela entenderá mais rapidamente que ir à escola é algo comum, importante e divertido. 

    Ingressar na escola de forma tranquila, sem traumas, é decisivo para a vida de uma criança, uma vez que é importante que esta crie laços positivos com a escola. Além disso, simboliza seu primeiro passo rumo à independência em relação aos pais, significa que esta criança terá facilidade na convivência com o outro e construirá uma vida escolar feliz e produtiva, onde as oportunidades são inúmeras e as experiências são únicas e necessárias para que se crie seu próprio espaço e busque sua própria identidade, sendo capaz de enfrentar as dificuldades que surgirem. Bem, para isso ocorra, a ajuda dos pais é fundamental. É preciso que estejam sempre presentes na vida escolar de seus filhos, lembrando que a tarefa principal é torná-los independentes, prontos para enfrentar o mundo, para viver.

  
Um pouco mais sobre o assunto...


    Uma dica bacana de leitura sobre acompanhamento das crianças na escola é a cartilha que o cartunista Ziraldo em parceria com o MEC ilustrou (Acompanhem a vida escolar dos seus filhos) em 2008.
    A cartilha, com uma linguagem simples e direta, convoca a família a participar mais e melhor da vida escolar de suas crianças, visando promover uma mobilização dea sociedade pela melhora da qualidade da educação brasileira. A cartilha está a disposição para baixar neste link do MEC.


    Outra dica, é a leitura do livro infantil Sou demasiado pequena para ir à escola, de Lauren Child (2005, Editora Oficina de Livros). O livro é ideal para ser contado à crianças que estão prestes à ir para a escola pela primeira vez.


Capa do livro Sou demasiado pequena para ir à escola


Sinopse do livro: 



    Lola está convencida de que é demasiado pequena para ir á escola. Com muita criatividade, Charlie, o seu irmão mais velho, convence-a a mudar de ideia. "Tenho uma irmã mais nova, a Lola. É pequena e é muito engraçada. A mãe e o pai dizem que ela já está crescida e deve ir à escola." Lola não tem assim tanta certeza. 
      A Lola diz: 
- Sou demasiadamente pouco crescida. Sou ainda muitíssimo pequena. Diz também: 
- Parece-me que não vou ter tempo para ir à escola. Estou extraordinariamente ocupada a fazer coisas importantíssimas cá em casa.



*Texto de Érica de Campos - publicado em janeiro de 2011, na Coluna Educação do jornal mensal A Voz do Lojista Meritiense - jornal de circulação no município de São João de Meriti/RJ.

*Imagens de Ziraldo, retiradas da cartilha do MEC Acompanhem a vida escolar dos seus filhos, de 2008.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Brincar é fundamental

Por Érica de Campos


       Quem ao se lembrar da infância não sente saudades das brincadeiras, dos brinquedos, dos jogos em grupo, daquele mundo do faz-de-conta? Pois é, embora muitos não saibam, todo esse “universo de brincadeira” que vivenciamos na infância são importantíssimos para aprendermos a entender e dominar a realidade. A criança ao brincar está em pleno desenvolvimento motor, afetivo e intelectual. Brincando a criança busca expressar seus sentimentos e maneira de pensar, tenta compreender a visão do outro, busca a solução de problemas, desenvolve a consciência corporal, noção de espaço e tempo, além de favorecer a socialização, a brincadeira também trás à tona questões como as de lidar com o ganhar e o perder, aceitar e ser aceito, aprender a negociar com o outro, a cooperar, a decidir, criar ou seguir regras, imitar, imaginar, enfim, inconscientemente a criança vai “crescendo” junto com o seu corpo de uma maneira saudável e agradável. O que acontece é que brincando a aprendizagem ocorre naturalmente e quando a criança vivencia esse mundo intensamente ela constrói uma base sólida que será importante quando ela entrar em contato com aprendizagens mais complexas. Brincar de amarelinha, pular corda, pique-esconde, são exemplos simples de brincadeiras que não parecem, mas exigem da criança atitudes e raciocínios que desenvolvem entre outros aspectos, a linguagem, a coordenação motora, a percepção visual e espacial, a capacidade de memorizar, medir a distância e calcular a força, o equilíbrio, o ritmo, a contar os números, a cantar músicas, e tudo isso tranquilamente se divertindo com outras crianças.

      Assim deve acontecer com todas as infâncias, não é por acaso que o Princípio 7° da Declaração do Direito das Crianças diz “A criança terá ampla oportunidade para brincar e divertir-se, visando os propósitos mesmos da sua educação; a sociedade e as autoridades públicas empenhar-se-ão em promover o gozo deste direito.”. Todos nós temos que assegurar esse direito das crianças, principalmente nas escolas de Educação Infantil, que a cada dia, infelizmente, vêm perdendo o espaço da brincadeira para uma intelectualização precoce das crianças. Muitas escolas de Educação Infantil, na maioria das vezes para agradar e suprir expectativas errôneas dos pais que acham que escola não é lugar de brincar, reduzem o tempo das atividades lúdicas para lançar conteúdos com uma complexidade maior antecipadamente para as crianças. O que resulta em crianças na Educação Infantil com mil obrigações: seus deveres de casa e de aula, inúmeras provas e testes. Elas já começam desde cedo a terem que ser as melhores, até em “vestibulinho” eu já ouvi falar! Sem contar com os pais que querem ocupar todo o tempo de seus filhos no intuito de “prepará-los” para o futuro e os colocam em todas as atividades possíveis: no balé, na natação, na aula de inglês, de informática, de judô, futebol, violão, jazz, ufa! Acreditem, existem crianças que não tem tempo para brincar! As de família rica não brincam porque são cheias de horários e obrigações a serem cumpridas. Por outro lado, as crianças de família pobre não brincam porque têm que trabalhar desde cedo para ajudar nas despesas de casa. De qualquer forma será sempre lamentável e triste ver uma criança que não sabe ou não pode brincar. É preciso reintroduzir o hábito da brincadeira na sociedade, nas escolas e famílias, e os profissionais de Educação Infantil podem e devem contribuir neste aspecto, a escola de Educação Infantil deve ser um lugar alegre, repleto de oportunidades para a criança aprender de maneira lúdica – além de muito amor e carinho, muita música, brincadeiras, brinquedos, jogos, sons, sensações, formas e cores que estimule sua imaginação, sua capacidade de criar e pensar sobre o mundo que se apresenta a sua volta. Brincar é importante, diria até fundamental. O brincar é a forma da criança aprender o mundo!

      Saber brincar, relaxar, ver a vida com alegria e leveza é importante até mesmo para nós adultos. É preciso refletir. Estamos vivendo no limite, estamos todos sempre muito aflitos e inseguros, para tudo tem que se tirar a maior nota ou não adianta. A vida está se resumindo numa bruta competitividade mecânica com uma única regra: ser o melhor de todos! E essa brincadeira não tem a menor graça, não estamos sabendo “brincar”, e se mal conseguimos criar novas regras para essa brincadeira melhorar e ficar divertida de verdade, não poderemos se quer mais imaginar um futuro melhor para nossas crianças.




*Texto de Érica de Campos - publicado em dezembro de 2010, na coluna Educação do jornal mensal A Voz do Lojista Meritiense - jornal de circulação no município de São João de Meriti/RJ.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Violência e escola – Poderia existir alguma relação?

Por Érica de Campos





É comum presenciarmos por parte dos alunos (em todos os níveis da educação), principalmente na rede pública de ensino, atitudes agressivas no ambiente escolar ou a violência propriamente dita contra a escola ou até mesmo contra as pessoas ali presentes. Mas isso pode ocorrer por quê? É possível que a atitude pedagógica de uma instituição escolar possa contribuir para o desenvolvimento do comportamento agressivo em seus alunos?
Bem, é notável que com o passar dos anos a violência vem crescendo nas classes desfavorecidas e de baixa escolaridade. A não inserção do indivíduo como ser pensante e formador de opinião coloca-o à margem da sociedade – o transforma em uma pessoa excluída. Em contrapartida, a escola, inserida nesta realidade, pode e deve buscar soluções para contribuir com a melhora desta situação. Ora, mas se acontece da escola não cumprir o seu papel principal que é o de formar e incluir o cidadão na sociedade, afirmando-o como ser atuante no mundo, que motivos terá este para valorizar e respeitar a escola – uma escola que o exclui, que o discrimina?







Muitas vezes não é perceptível, mas a violência parte primeiramente da escola contra os alunos. É preciso alertar e cobrar dos profissionais de educação uma maior atuação no tocante desta situação para que esta mude. Nem sempre o educador entende que está praticando determinada violência contra seus alunos, que pode se manifestar em pequenos gestos e atitudes ou até mesmo em constrangimentos. Mas é preciso se policiar, somos humanos – nossa sociedade é preconceituosa e é possível que cheguemos a reproduzir esse comportamento no ambiente escolar, segundo Paulo Freire “faz parte igualmente do pensar certo a rejeição mais decidida a qualquer forma de discriminação. A prática preconceituosa de raça, de classe, de gênero ofende a substantividade de ser humano e nega radicalmente a democracia.” - E é neste sentido que o educador deve direcionar seus atos. Essa violência contra o aluno é que na maioria das vezes gera a violência contra a escola: excluir um indivíduo de um direito que o tornaria um cidadão, pode culminar em uma futura marginalidade. O acesso real a educação e a cultura não deve ser privilégio de alguns, uma vez que a educação e a cultura, não só na teoria, deve ser para todos.
A escola nem sempre é atraente para o aluno, ignora-o ou simplesmente evita conhecer a realidade dele fazendo com que este se afaste, quando na verdade a escola deve ser um local que chame a atenção do aluno, produzindo um ambiente acolhedor e familiar. Esta falta de identificação obviamente também contribui para sua falta de interesse pela escola ou para promover uma atitude agressiva por parte desse indivíduo, que se manifesta de variadas maneiras, podendo ter como sinais desde um desentendimento bobo com colegas de turma ou funcionários à agressões mais sérias (verbais e ou físicas), depredação do espaço físico escolar, ou seja atitudes de desamor à instituição escolar gerando desrespeito às pessoas e ao ambiente pertencentes a este universo; chegando até mesmo à uma futura evasão escolar, questão esta preocupante que o poder público de nosso país ainda tenta solucionar.
Embora diversas campanhas e projetos visando diminuir essas situações na escola, infelizmente ainda são comuns, difícil mesmo é encontrar escolas que tenham e mantenham (pois por vezes faltam incentivos) uma atitude pedagógica que se preocupe com estas questões. Atitudes estas, dependendo do ponto de vista, até bem simples - que se baseiam em criar melhores oportunidades ao indivíduo de diálogo, diálogo este que obviamente irá facilitar o trabalho dos educadores, pois esse aluno se sentirá a vontade para expor seus medos e anseios, necessidades e opiniões: o seu mundo. Por sua vez a escola tendo o conhecimento necessário sobre este aluno para criar e recriar condições adequadas para ele se desenvolver de maneira que possa enxergar e entender, de uma vez por todas, a escola como um local de troca, de construção de conhecimento, de aprender que há direitos e deveres a serem cumpridos, de relacionamento interativo, um lugar que ele goste de estar e não um lugar de imposições e regras a serem obedecidas, o que sabemos há tempos (embora possa parecer menos trabalhoso para alguns) não resolve absolutamente nada.





*Leia Vigilância, punição e depredação escolar, de Áurea Guimarães. Neste livro ela analisa aquilo que foge das teias do poder do Estado, mas que, no final, acaba por alimentá-lo ainda mais. Ou seja o que Michel Foucault denomina de "micropoderes": pequenas instâncias discretas, quase invisíveis, que se revelam por meio de regulamentos, conselhos, avisos, proibições. Com base em pesquisa feita com alunos de escolas estaduais, em Campinas, a autora mostra alguns motivos que levavam os próprios alunos a danificar o prédio escolar. Nota-se que, sempre que ocorriam as depredações, a escola reforçava os mecanismos disciplinares que se encarregavam de ajustar comportamentos, neutralizando agitações, críticas e a organização espontânea dos alunos. É necessário ampliar o debate sobre até que ponto a escola simplesmente reflete o que acontece na sociedade, onde o poder disciplinar se apóia basicamente em técnicas de dominação, preparando os indivíduos para a observação passiva de normas, que são a expressão dos mecanismos de poder, controle, vigilância e punição.


*Texto de Érica de Campos - publicado em novembro de 2010, na coluna Educação do jornal mensal A Voz do Lojista Meritiense - jornal de circulação no município de São João de Meriti/RJ.