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sábado, 3 de novembro de 2012

Entrevista para Canal Futura: Audiovisual e Educação Infantil na TV!



  No dia 1 de novembro foi ao ar no Canal Futura a entrevista que dei ao Jornal Futura - 3º bloco. 

  A reportagem é sobre a Escola Livre de Cinema de Nova Iguaçu, e na entrevista falo como ex-aluna e sobre como isso teve influencia em minhas práticas em sala de aula, sobre como venho feito essa coisa de misturar conteúdos do currículo com o audiovisual na Educação Infantil... Eu fiquei muito feliz com a experiência e a possibilidade de mostrar que trabalhar audiovisual na Educação Infantil para além do puro entretenimento é possível, e o mais importante, minhas crianças amaram fazer parte disso tudo! 

  Na reportagem há entrevistas também com o pessoal da Escola Livre de Cinema de Nova Iguaçu: Marcus Faustini (idealizador da Escola), Diego Bion e Luana Pinheiro, mostrando todo o funcionamento dessa Escola que é um arraso e sempre vai morar no meu coração!


►Confiram o resultado (a partir de 2 min e 55 seg):





domingo, 7 de outubro de 2012

Entrevista para o Canal Futura: Making of!





  No dia 4 de outubro  a equipe do Jornal Futura fez uma visita à minha turminha, afim de conhecer o que tenho feito misturando o audiovisual com a Educação Infantil em minhas práticas em sala de aula.

  Tudo começou quando o Canal Futura estava fazendo uma reportagem sobre a Escola Livre de Cinema de Nova Iguaçu, que sabendo que tenho usado o audiovisual em sala como proposta para ampliar o trabalho pedagógico, entrou em contato comigo perguntando se eu queria dar uma entrevista para o Jornal Futura, como ex-aluna deles. Claro! Topei na hora! Falei com a Direção e entramos em contato com a SME/RJ, que liberou a ida da equipe pra assistir uma aula minha usando o audiovisual.

  Com as devidas autorizações de imagem dos pequenos em mãos, chegou o dia. Todos ansiosos, eu e toda a equipe do EDI Renan de Souza Leal, que recebeu muito bem a novidade e torceram pra que tudo funcionasse bem, me acalmando principalmente!

  Muita apreensão até a chegada da equipe que demorou um pouco pra achar nosso EDI. Mas enfim eles chegaram! E a criançada ficou super a vontade, o que me surpreendeu, pois achava que eles iam ficar muito agitados com a presença de uma câmera em sala. O que me deixou toda orgulhosa e feliz, pois vi que a conversa que tivemos antes, sobre o que iria acontecer, sobre a presença da equipe do Canal Futura querer  conhecer a gente e como são nossas aulas, funcionou muito bem. A verdade é que eles adoraram e participaram bastante da aula, o que foi muito positivo.

  Como já mencionei aqui no blog, gosto muito de trabalhar com com o audiovisual para além do mero entretenimento. E especificamente  em relação aos curtas animados, acredito que além da linguagem da animação ser por si só um super atrativo e facilitador para a aprendizagem prazerosa, estes sejam excelentes ferramentas de trabalho em turmas de Educação Infantil, uma vez que é difícil prender a atenção de crianças nessa faixa etária por mais de trinta minutos sem interrupção.

  Para essa aula escolhi como tema a ser trabalhado o trânsito, uma vez que já estava começando um trabalho com eles sobre meios de transporte, achei que funcionaria bem já fazer uma ponte com o tema. Lembrei logo de uma animação que tinha guardado que problematiza muito bem o trânsito nosso de cada dia, e mesmo sem nunca ter passado esse curta para a turma (e eu nem imaginar se realmente ia funcionar com eles), resolvi ouvir minha intuição e arriscar.

  Pois bem, o curta de animação escolhido para nortear a aula foi "A ilha", de Alê Camargo (2008), que é um curta muito bem humorado que retrata as dificuldades que podemos passar em uma sociedade com o trânsito cada vez mais caótico.

  Assistimos o curta e não poderia ter sido melhor. As crianças se identificaram na hora. Se assustaram, se emocionaram, torceram para que Edu (personagem) conseguisse atravessar a rua, dançaram junto, riram em suas tentativas falhas e vibraram quando enfim Edu atravessou a rua. A interação foi muito grande!
























Assistam "A Ilha", de Alê Camargo (2008):




  Após assistirem o curta, a gente conversou. Aproveitei bem as partes em que as crianças mais se identificaram e algumas cenas do curta para problematizar situações do cotidiano, tais como: "Por que ele não conseguia atravessar a rua?", "Quando podemos atravessar a rua?"; "Ele conseguiu atravessar a rua?"; "Demorou muito ou foi rápido?"; "Como ele conseguiu atravessar?"; "Alguém o ajudou?"; "Quem sabe o que é semáforo?"; "Que cor apareceu no semáforo para ele atravessar a rua?"; "Que cor do semáforo indica que os carros podem passar?"; "Os carros não pararam em cima daquelas faixas brancas na rua, alguém notou?"; "Para que serve a faixa de pedestres?"; entre outras, dependendo do que era dito pelas crianças.

  Depois que todo mundo já sabia bem pra que que servia o semáforo, partimos para construir um nosso.  Aproveitando também para trabalhar cores e formas geométricas. Dividi a turma em grupos e assim o confeccionamos com cartolina, tinta guache e restos de EVA:
  • 01 Retângulo de cartolina: pintura com tinta guache preta
  • 03 círculos: colagem com EVA picado (vermelho, amarelo e verde - uma para cada círculo)

  Enquanto confeccionávamos nosso semáforo, com a ajuda indispensável das minhas AAC's Andreia e Telma, partimos para as entrevistas. Primeiro fui eu e depois as crianças, quase todas falaram um pouquinho, mas a maioria ficaram muito tímida frente ao microfone, demorou mas alguns resolveram falar sobre o que aprenderam na aula.





  Após as entrevistas o pessoal do Canal Futura se despediu da criançada. Eles foram super gentis e simpáticos e também adoraram as crianças. Foi uma manhã super divertida e produtiva, aposto que ninguém mais vai esquecer esse dia tão diferente...

  Na parte da tarde partimos para montar nosso semáforo. Escolhemos um lugar e lá fomos nós enfeitar nossa parede com mais um trabalhinho. Todo mundo já sabia o que era semáforo e pra que serviam suas cores; todo mundo já sabia o que era círculo e o que era retângulo. Então fomos assistir mais uma vez o curta (na verdade algumas vezes! Todo mundo pedia bis!) e se divertir com a história do Edu.


Agora estamos ansiosos para ver a entrevista no Jornal Futura. 
Assim que for ao ar, divulgo aqui!

domingo, 23 de outubro de 2011

Feira de Livros de Nova Iguaçu



     Pessoas, NÃO PERCAM!!! Na próxima segunda, dia 24/10, a partir das 14h acontece a abertura da Feira de Livros de Nova Iguaçu com um evento literário organizado em parceria com a Baixada Literária, a Secretaria de Cultura e a ABL. 

Abaixo segue um um pouco da programação:

☻Lançamento de livro infantil de autora mirim de Duque de Caxias;
☻Homenagem de jovens ao grande autor Solano Trindade;
☻Contação de histórias;
☻Declamações de poesias de autores iguaçuanos

Não percam! A Feira de Livros de Nova Iguaçu seguirá até o dia 24/11
*Local: Praça Rui Barbosa, Centro - Nova Iguaçu/RJ

domingo, 3 de julho de 2011

3 Américas - Documentário

3 Américas, documentário de Alex Araújo.

     Dia 18 de junho, Escola Livre de Cinema de Nova Iguaçu, aula de audiovisual para educadores. O professor Clayton Leite mais uma vez ele surpreende nos apresentando Alex Araújo, cineasta, disposto a compartilhar seu conhecimento e experiência com a turma, e melhor ainda, assistiríamos 3 Américas - um documentário feito por ele, e depois, logicamente, poderíamos bombardeá-lo com perguntas, discutir sobre o tema, ou seja, estava armada a sabatina! 

Professor Clayton Leite e Alex Araújo.

    Pois é. Abrindo um parênteses, eu tenho que falar um pouquinho do Professor Clayton Leite. Aliás, não sei se ele tem formação específica para docência, mas essa aqui não seria a questão, pois ele simplesmente é um ótimo professor ao meu ver. É aquele que não dá o conteúdo mastigado, mas conduz para chegar a determinado ponto. Ele faz com que cheguemos a conclusão por nossa conta. Acredito mesmo que é bem por aí: quantas indicações de livros, filmes, sites, nomes, links ele traz em todas as aulas, aliás sempre diferentes, agradáveis e enxutas. Em menos de dois meses conheci muita coisa bacana e diferente, e o melhor de tudo, úteis para o crescimento profissional e pessoal. Basta ficar atento e saber "pescar" cada informação, com ele não há desperdícios!

    Bem, voltando ao assunto... Simpatissíssimo e atencioso, Alex nos deu uma super aula sobre cinema (basicamente a aula se focou na importância e nas diferenças entre  D. W. Griffith e Serguei M. Eisenstein) , e depois de assistirmos o seu documentário foi todo ouvidos para os nossos questionamentos, e nos contou que a ideia de fazer o documentário surgiu da observação do trajeto que fazia todos os dias para ir à faculdade, pois como morador de Campo Grande indo para a Barra da Tijuca, ele passava necessariamente todos os dias na Avenida das Américas e obviamente notou as diferenças que iam acontecendo ao longo do  percurso - uma avenida que começava mal asfaltada, sem sinalização e sem acostamento, com comércio e casas pequenas e as vezes até mal construídas, se transformava em quatro pistas bem asfaltadas e sinalizadas, cercada de luzes, condomínios e prédios bem feitos, shoppings gigantescos ostentando uma falsa paisagem norte americana.

Alex Araújo, cineasta - Diretor de 3 Américas

   Além disso,  pudemos saber, entre outras coisas, sobre a finalidade do documentário (trabalho de conclusão de curso - Cinema na Universidade Estácio de Sá) como foi escolhida a trilha e qual o processo para que consiga a autorização para tal, sobre determinadas situações na filmagem de determinadas cenas, o processo de edição e montagem, enfim, todas as dificuldades e facilidades que Alex teve em sua experiência com 3 Américas nos foi passado, o que facilitou na discussão que houve após a exibição do documentário, pois além de elaborarmos nossas próprias impressões, pudemos compartilhá-las com o idealizador que estava ali presente - simplesmente uma experiência única e proveitosa.

Turma de audiovisual para educadores - Escola Livre de Cinema de Nova Iguaçu

    Com a trilha sonora do Mundo Livre S/A (aliás, confiram a letra, escolha perfeita: Ultrapassado e Soy loco por Sol) o documentário 3 Américas me conquistou já nos primeiros segundos. Na verdade, a proposta do 3 Américas é fazer uma analogia entre a Avenida das Américas (Rio de Janeiro) e o Continente Americano, ambos  "divididos", não só territorialmente, mas  culturalmente, socialmente e principalmente economicamente.  Através de um "passeio" ao longo da Avenida das Américas, o documentário mostra personagens diversificados para pontuar essas diferenças, diferenças essas claramente mostradas, por exemplo através de respostas para uma simples pergunta sobre o maior sonho deles -  enquanto um personagem responde "Meu maior sonho irmão, é ter uma casa digna." a outra diz "Tudo que eu sempre quis eu tenho."

     A meu ver, o documentário nos mostra o caos social brasileiro usando a Avenida das Américas (Rio de Janeiro) como exemplo, buscando justificativas na História, com o depoimento de historiadores (Paulo Duarte e Silvia Oroz), desde o processo de colonização até a situação atual de exclusão social em que vivemos. E reafirmando esse caos nos personagens moradores dessa avenida, representantes da sociedade brasileira com suas diferenças sociais marcadas por sua aparência, fala, história de vida... Paralelamente, também mostra uma preocupação, ou melhor dizendo propõe uma reflexão sobre o sistema capitalista e sua influencia na vida das pessoas: alienação cultural (independentemente de situação econômica, ainda que por motivos distintos ou não), consumismo, a obsessão pelo modo de vida americano (estadosunidense), abismo socioeconômico, enfim, enquanto um grupo discute as causas, o outro sofre as consequências.
     Uma fala muito marcante e pessimista, que para mim resume bem o que o documentário mostra, é  a fala da moradora, que representa por assim dizer, a elite da Avenida das Américas,  Dayse: 

"Quem tem continua tendo muito e quem não tem continua ralando, acordando as quatro da manhã pra trabalhar. E agente convive com isso aqui sim. A Avenida das Américas, enorme como ela é, tem essa parte da Barra da Tijuca, maravilhosa, primeiro mundo e tem o restante da Avenida das Américas que acho que é uma quilometragem muito maior, que é um nível social bem mais baixo, é o pessoal que não tem condição, que vem prestar serviço na Barra da Tijuca: é a diarista,  é o pedreiro, é o que faz obra de emergência nos condomínios, é o porteiro, é o faxineiro. A gente convive com isso todo dia. Os próprios empregados de condomínio moram na Avenida das Américas lá pra baixo, e eu acho que essa diferença não mudou nada e eu acho que nem muda."

    Acredito que documentário quer que pensemos de forma crítica todas essas diferenças apresentadas. Isso é somente uma amostra da realidade que não se pode negar, mas que se aceitarmos, fica impossível mudar. Compreendo que é difícil não se tornar pessimista como a Dayse, na verdade, na situação dela fica muito fácil aceitar que nada vá mudar um dia; mas uma das coisas mais bacanas que fica do 3 Américas, é a última fala do morador Nielson, representante da "plebe", que nos diz indiretamente para não perdermos as esperanças:

"Quando você as vezes pensa que está tudo perdido, uma luz se acende lá no final pra você, te mostrando um caminho. E é com essa fé que eu vou levando o meu dia-a-dia..."

   Para mim, essa fala não é a ideal, na verdade é até um pensamento que aprisiona, que de certa forma acomoda, a gente não pode aceitar, pois a situação do país, do mundo, não deveria contar com a fé. Na verdade, não acredito que nada disso tenha a ver com Deus, mas é o que temos, é o que resta à maioria da população mundial, e espero que essa fé sirva como força motriz para a criação de pensamento crítico e consequentemente ações que mudem um dia essa realidade, que infelizmente não é só Americana.




Assistam a seguir o 3 Américas e tirem suas conclusões!




Pedagogicamente podemos trabalhar...

Com este documentário é possível trabalhar, através de projetos, seminários e mesa-redonda, principalmente com as disciplinas de História e Geografia, uma vez que tem temas abordados são pertinentes a estas disciplinas, como o capitalismo, diferenças socioeconômicas  consumismo, alienação cultural... Sendo possível também trabalhar a disciplina Português, com a interpretação e produção textual, abordando por exemplo, o tema pessimismo x otimismo em relação a situação do país, usando a fala dos personagens Dayse (pessimista) e Nielson (otimista) e o porque de cada um pensar de determinada forma.