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domingo, 13 de julho de 2014

24 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)




    Hoje, dia 13 de julho, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) completa 24 anos, e tem como objetivo único garantir que todas as crianças brasileiras desfrutem de uma infância plena e feliz.

   A Constituição Federal Brasileira de 1988, é o mais importante conjunto de normas do país, que determina atribuições e limites das instituições, deveres do Estado e direitos dos cidadãos. Para ser efetivada, os preceitos da Constituição devem ser transformados em leis. No caso da infância, a lei mais importante é o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Seguindo os princípios da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança, de 1989, o Brasil foi um dos primeiros países a construir um marco legal na proteção da infância e tem como base a doutrina de proteção integral, reforçando a ideia de absoluta prioridade da Constituição Federal Brasileira: O ECA, que instituído pela Lei 8.069 de 13 de julho de 1990, reconhece e regulamenta os direitos da criança e do adolescente: o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.

  No ECA estão determinadas questões, como os direitos fundamentais das crianças e dos adolescentes; as sanções, quando há o cometimento de ato infracional; quais órgãos devem prestar assistência; e a tipificação de crimes contra criança.

   Embora o ECA e todas as outras leis criadas que visam a proteção da infância sejam um grande avanço, ainda há muito a avançar nas questões politicas públicas para defender as crianças. Estas devem ser mais efetivas, não só na questão das violências, como nas diversas situações onde direitos de crianças e adolescentes são feridos cotidianamente. É preciso criar espaços para discutirmos problemas relacionados, por exemplo à violência contra a criança e adolescentes, tanto no ambiente familiar quanto na rua, ainda tão presentes em nossa sociedade. Há muito trabalho pela frente se quisermos transformar a teoria em prática!


► Para conhecer mais sobre:

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Comissão aprova temática de gênero no currículo da rede de ensino




   Promover debates e reflexões sobre a violência contra as mulheres e entre gêneros pode ser um bom instrumento para uma convivência harmoniosa entre alunos.

   Projeto de Lei (PL 7627/10) da deputada Janete Rocha Pietá, do PT de São Paulo, foi aprovado na quarta-feira (16) pela Comissão de Educação e torna obrigatória a inclusão da temática gênero e suas relações intra e interpessoais nos currículos escolares.

   O objetivo é incentivar o estudo e o diálogo sobre o tema gênero, promovendo uma mudança cultural em favor da igualdade entre os sexos.

   Na justifica do projeto, a deputada Janete Rocha Pietá esclarece que a Lei Maria da Penha (Lei n° 11.340/2006) não é suficiente para coibir a violência doméstica contra a mulher.

   Segundo o relator substituto, deputado Jean Wyllys, do PSOL do Rio de Janeiro, o projeto não trata de uma disciplina no currículo e, sim, da garantia, na lei, de que a temática seja abordada entre as disciplinas ministradas.

   "É importante porque o Brasil é um dos países campeões de feminicídio, de violência, de assassinato de mulheres e violência contra a mulher. Apesar da Lei Maria da Penha, o número ainda é muito grande de violência contra mulher e isso é uma questão cultural. Se a gente trabalha a equidade de gênero, se a gente explica para a comunidade escolar que homens e mulheres devem ser tratados de maneira igual e ter acesso igualitário aos direitos e à dignidade e que as escolhas e liberdade têm que ser respeitadas, a gente desconstrói essa cultura de violência contra a mulher."

   Para a professora de História, Identidade e Cidadania da Universidade de Brasília (UnB), Renizia Cristina Garcia Filice, o projeto se justifica, pois o Brasil enfrenta uma realidade de violência e preconceito contra as mulheres que precisa ser tratado.

   "À medida que a mulher vai avançando, também há uma resistência da maturidade ainda muito patriarcal, para que ela não ocupe determinados espaços. As pessoas têm dificuldade de administrar essas outras realidades que estão prementes na realidade brasileira. Então, falar de educação de gênero nas escolas é você já tratar com muita tranquilidade, de uma forma pedagógica, questões que são muito atuais."

   O projeto altera a Lei n° 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática gênero.


*Da Rádio Câmara, de Brasília, Lidyane Barros.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Aos Educadores e Educadoras...




 Hoje é Dia do Professor, aliás está sendo um dia bem incomum (ainda bem!), pois haverá protestos/manifestações em no mínimo quinze cidades do país reivindicando uma Educação de qualidade.

  Há o que se comemorar? Sim! Pois não me lembro de ter vivenciado um momento tão precioso como o que vivemos agora, especialmente no Rio de Janeiro, no que diz respeito às reflexões sobre a Educação em nosso país, sobre ser educador e sobre tudo o que envolve suas causas e consequências. Querendo ou não a Educação é o ponto de partida para tudo. O que queremos de fato para o nosso país? Da maneira que está não podemos permitir continuar.

   Como educadora do município do Rio de Janeiro (leia a postagem: "Entendendo o plano de carreira proposto pela Prefeitura do Rio de Janeiro") me sinto em dois extremos: por um lado triste, decepcionada com o tratamento, as atitudes/providencias dos governantes (Estado e Município) em relação as reivindicações dos profissionais de Educação e por outro lado feliz e esperançosa ao ver que os educadores se uniram e estão sabendo lutar por seus sonhos, por justiça, por uma Educação de qualidade e melhores condições de trabalho. E mesmo tendo o boicote da "grande mídia" há pessoas que buscam informações além das dadas pelas grandes emissoras de rádio e TV e jornais de maior circulação, compreendem e apoiam a luta dos Educadores.

    Inevitavelmente lembro dos contínuos ensinamentos do mestre Paulo Freire, afinal, "não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão" e logo penso nas trocas e transformações que acontecem em nosso cotidiano. Penso em meus professores e em meus alunos, penso em meus colegas de profissão, penso no que aprendi e no que posso ter ensinado, penso em meus desejos como aluna e professora... É preciso não só sonhar como fazer os sonhos se realizarem. E é por isso que deixo não só os meus parabéns mas principalmente meus sinceros agradecimentos a todos os educadores e educandos de nosso país que em suas lutas, diariamente, contribuem para que as esperanças não morram, contribuem para a crença em um futuro sem desigualdades, com mais respeito e solidariedade.

   Deixo aqui as palavras/reflexão do Professor e Deputado Estadual (PSOL/RJ) Marcelo Freixo, ditas hoje em homenagem aos professores brasileiros que estão em luta por uma Educação de qualidade. Que não percamos a esperança nunca!



"O professor não ensina através de sua educação bancária, depositando conteúdo na cabeça de alguém, como condenava Paulo Freire. Não! O educador ensina na sua prática."

Marcelo Freixo, em 15/10/2013

domingo, 13 de outubro de 2013

Entendendo o plano de carreira proposto pela Prefeitura do Rio de Janeiro

*Publicado (em 12 de outubro de 2013) no Blog Capitalismo em desencanto, por Juliana Lessa.

  Quando os professores da rede municipal entraram em greve no dia 8 de agosto, eles tinham uma extensa pauta de reivindicações, que incluía, por exemplo, a aplicação de 25% do orçamento municipal diretamente em educação (como manda a Constituição), a redução do número de alunos em sala de aula, a climatização das escolas (promessa de campanha de Eduardo Paes), a melhoria estrutural das escolas, a volta do 6º tempo de aula (para que os alunos tenham a mesma carga horária de escolas privadas ou da rede federal), o fim da política de meritocracia na rede pública, 1/3 da carga horária para planejamento e a elaboração de um Plano de Carreira, Cargos e Salários (PCCR) unificado para todos os profissionais da educação. Durante o mês de agosto, o SEPE (sindicado dos profissionais da educação) e os representantes do governo (Cláudia Costin, Pedro Paulo, Eduardo Paes) se reuniram diversas vezes para negociar. A cada negociação, foram assinadas atas de compromisso, que o Sindicato levou para a sua base, para que esta avaliasse as propostas do governo. Vale lembrar que essas propostas não pressupunham sua aplicação imediata, mas sim a abertura de discussão – por meio de Grupos de Trabalho (GT’s) – para que se chegasse a um calendário de efetivação das reivindicações da categoria.
Assembleia de Professores, em frente ao prédio da Prefeitura do Rio de Janeiro
Assembleia de Professores, em frente ao prédio da Prefeitura do Rio de Janeiro
  Com o aparente avanço nas negociações, a categoria decidiu retornar ao trabalho, no dia 10/09, dando um voto de confiança à gestão Paes/Costin. Nós trabalhamos do dia 11 ao dia 20 de Setembro, aguardando o avanço das reuniões dos GT’s e a elaboração do nosso PCCR. Durante esse período, os representantes do SEPE não foram convidados para discutir as diretrizes do plano. No dia 16/09, o prefeito Eduardo Paes apresentou, em um almoço fechado, sua proposta aos vereadores de sua base aliada, sem dar a chance para que os vereadores de oposição ou o Sindicato e a própria categoria tomassem conhecimento do conteúdo do plano, antes que este fosse enviado à Câmara dos Vereadores para ser votado em regime de urgência. O regime de urgência, aliás, era uma demanda dos professores, para evitar a enrolação na aprovação do plano, mas, até aí, ninguém tinha conhecimento de seu conteúdo.
Paes apresenta proposta aos vereadores da base aliada
Paes apresenta proposta aos vereadores da base aliada
  A proposta do governo foi enviada ao SEPE no dia 17/09 – mesmo dia em que foi enviada, em definitivo, à Câmara dos Vereadores. A base aliada do governo propôs algumas emendas, mas nem isso foi suficiente para frear a insatisfação dos professores. No dia 26/09 ocorreu a primeira tentativa de aprovação do PCCR, mas os professores decidiram ocupar o Palácio Pedro Ernesto, mostrando para o poder Legislativo que aquela proposta não era de seu interesse. Não vou nem entrar no debate sobre a truculência do governo na desocupação da Câmara (30/09) e sobre a aprovação desse plano sob estado sítio (01/10). Vou apenas mostrar o porquê esse plano contribui, ainda mais, para a precarização das condições de trabalho dos educadores.
Cinelândia sitiada, na aprovação do plano.
Cinelândia sitiada, na aprovação do plano.
  Um dos pontos de discordância entre professores e governo – que foi bastante veiculado pela mídia – se refere ao fato de que o plano só atende aos professores que trabalham em regime de 40 horas semanais, o que representa apenas 7% da categoria. Os demais professores – que trabalham em regimes de 16h, 22,5h e 30h semanais – ficaram de fora dos “benefícios” (?!) oferecidos pelo plano. O governo disse que permitirá que alguns professores da rede migrem para o regime de 40h, mas nem todos poderão fazê-lo, pois muitos professores possuem duas matrículas e porque alguns professores já estão próximos da data de aposentadoria (o que impede a mudança de regime de trabalho). Além disso, o governo não definiu critérios para escolher quais professores poderão mudar de regime de trabalho. Mas a coisa não para por aí, ao contrário do que tem sido dito. No artigo 4º, que define quem são professores de ensino fundamental, lê-se o seguinte:
“II – Professor de Ensino Fundamental – PEF – para o exercício de atividades docentes em turmas da Educação Infantil ao nono ano do Ensino Fundamental, criado nos termos desta Lei.”
  Ou seja, todos os professores que possuem licenciatura plena são jogados nessa categoria generalista “PEF”. Não há definição em relação às disciplinas ou em relação ao nível de atuação desses profissionais. Não fica claro quem vai atuar no 1º segmento (turmas de 1º ao 5º ano, quando ocorre a alfabetização, por exemplo) ou quem vai atuar no 2º segmento (turmas de 6º ano 9º ano). Isso permite que todos os professores da rede atuem em qualquer nível da escolarização ou em qualquer disciplina, institucionalizando a prática do professor polivalente – que já vem ocorrendo na rede municipal, através de projetos de aceleração de aprendizagem. São projetos que a prefeitura compra da Fundação Roberto Marinho, do Instituto Ayrton Senna, da Fundação Itaú Social… Em entrevistas, o prefeito argumentou que ninguém será obrigado a atuar como professor polivalente, mas e quanto aos alunos? Será que é justo que um aluno seja alfabetizado por um professor de Matemática? Será que é justo ter aulas de Ciências com professores de História? Além disso, o que garante que ninguém será obrigado a atuar dessa forma, se o plano é omisso? Nesse mesmo artigo, também está prevista a criação do cargo de professor de ensino religioso, mas isso não foi discutido, em nenhum momento, com a categoria. Por que incluíram isso no plano?
  Na rede federal, por exemplo, todos os professores ficam no mesmo cargo “Docente da Educação Básica, Técnica e Tecnológica”. Mas a atuação de cada um deles é especificada, de acordo com sua formação. Assim, temos: Docente EBTT – História; Docente EBTT – Matemática ou Docente EBTT – 1o Segmento; etc.
  O plano também tratou da progressão por tempo de serviço, estabelecendo o seguinte, no artigo 11º:
“I – Nível 1: de 0 a 5 anos;
II – Nível 2: mais de 5 até 8 anos;
III – Nível 3: mais de 8 até 10 anos;
IV – Nível 4: mais de 10 até 15 anos;
V – Nível 5: mais de 15 até 20 anos;
VI – Nível 6: mais de 20 até 25 anos;
VII – Nível 7: mais de 25 anos.”
  No plano da prefeitura, a progressão se restringe a sete níveis, que só podem ser vencidos após muitos anos de atuação. Enquanto isso, o salário dos professores permanece praticamente o mesmo. Os triênios não representam avanços de nível e correspondem, na média, a menos de 10% de aumento salarial. A diferença salarial entre os níveis da carreira são ínfimos, assim como as gratificações por titulação (a diferença entre mestrado e doutorado não chega a 100 reais). Além disso, não existe a garantia de que todos os professores que possuem títulos poderão receber a gratificação correspondente, já que o artigo 17º diz que o enquadramento se dará “a partir de critérios e número de vagas a serem estabelecidos pelo Poder Executivo, de acordo com os valores constantes na tabela do Anexo III desta Lei, que não serão cumulativos.” Ou seja, a concessão de gratificações por titulação não é automática para todo mundo, ficando restrita a um percentual máximo do universo de professores que são 40h. Isso já é péssimo, porque cria distinções salariais entre pessoas com a mesma formação, mas ainda assim, o plano não define quais são os critérios de escolha daqueles que receberão o benefício, jogando para o Executivo esse poder.
  É verdade que o plano equipara o valor da hora/aula de todos os professores com o mesmo nível de formação. Assim, mesmo aqueles professores que permanecerem nos regimes de 16h, 22,5h ou 30h semanais receberão um salário proporcional ao que é pago aos professores que trabalham 40h. Mas e os outros “benefícios” (?!) oferecidos pelo plano? Como será a progressão desses profissionais? E as gratificações por titulação? Mais diferenciações na carreira…
 As emendas apresentadas pelos vereadores da base aliada se concentraram, principalmente, na correção de valores. De acordo com a tabela abaixo, um professor com licenciatura plena em início de carreira ganharia pouco mais de 4.000 reais. É um salário razoável, se comparado a outros profissionais de nível superior em início de carreira? Sim, mas há que se considerar algumas questões. Em primeiro lugar, deve-se ter em mente que os ganhos oferecidos pela progressão por tempo de serviço, por titulação e por triênios são pífios! Isso faz com que o salário seja achatado, ao longo da carreira. Isso significa que um professor que já está para se aposentar ganha um salário não muito maior do que um professor que acabou de entrar na rede. Ou seja, o salário não aumenta, assim como pode ocorrer com outros profissionais de nível superior. O plano oferece a possibilidade para que um professor ganhe em torno de 9.000 reais, mas, para isso, ele terá que ter mestrado, doutorado, pós-doutorado e terá que trabalhar 30 anos!!! Fora do magistério, um profissional com esse nível de formação e com esse tempo de serviço, certamente ganharia muito mais. Mas também não são todos os professores que terão direito a esse aumento, já que, como vimos, a concessão da gratificação por titulação será restrita a um número de vagas não especificado no plano.
Tabela de vencimentos dos professores do Rio de Janeiro, antes e depois das emendas propostas pelos vereadores da base aliada.
Tabela de vencimentos dos professores do Rio de Janeiro, antes e depois das emendas propostas pelos vereadores da base aliada.
  Comparando esse PCCR, com a carreira da rede federal, percebemos o quanto a prefeitura não investe em valorização profissional. Em primeiro lugar, na rede federal, a carreira é dividida em 12 níveis (5 a mais do que na rede municipal) e a progressão é feita de dois em dois anos. Além disso, caso um professor tenha mestrado ou doutorado, ele pode avançar alguns níveis na carreira, sem contar com a gratificação por titulação. Portanto, a rede federal oferece a possibilidade de progressão por tempo de serviço e por formação. Assim, um professor em início de carreira na rede federal, que trabalhe em regime de 40h/DE, e que não tenha mestrado ou doutorado, ganharia algo em torno de 3.600 reais. É pouco, mas, caso ele faça mestrado, seu salário pularia imediatamente para mais de 5.400 reais, contando apenas a gratificação pelo título – ou seja, sem contar com os avanços de nível. Caso o professor faça doutorado, seu salário pularia, automaticamente, para mais de 8.000 reais – também sem contar com os avanços de nível. No fim de carreira, um professor com doutorado ganha pouco mais de 13.400 reais. Ao contrário do que ocorre na rede municipal, na rede federal, a gratificação por titulação é automática e não fica restrita a um percentual máximo dentro do universo de professores. Vale lembrar que, na rede municipal, os professores que trabalham em regime de 40h (com ou sem a dedicação exclusiva) são obrigados a dar 32 tempos de aula por semana – o que, na prática, significa uma dedicação exclusiva forçada, já que, com tantos tempos de aula, é difícil ter outros empregos. Mas, apesar disso, a prefeitura não paga a gratificação por dedicação exclusiva, mesmo quando a exige formalmente nos concursos. Na rede federal, além de haver um esforço para que todos os professores tenham dedicação exclusiva, o regime de trabalho de 40h/DE significa uma carga horária máxima de 24 tempos em sala de aula.
Tabela de vencimentos da rede federal - progressão por qualificação e por tempo de serviço
Tabela de vencimentos da rede federal – progressão por qualificação e por tempo de serviço
  Diante de tudo isso, é inacreditável que o governo e a mídia continuem classificando os professores como intransigentes, mas foi o próprio prefeito que disse que não vai mais negociar com o sindicato. Enquanto isso, os vereadores da base aliada simplesmente ignoraram as vozes de milhares de profissionais da educação, que gritavam contra esse plano e que não se calaram nem diante da repressão policial, nem diante das ameças de represálias feitas pelo governo. Quanto às outras reivindicações do início da greve, nada se fala.
  A educação pública deve ser encarada como uma questão de todos, pois se a rede pública oferecesse serviços de qualidade, não seria necessário que muitas famílias brasileiras comprometessem parte significativa de seu orçamento pagando escolas privadas. É por isso que, nesse momento, o apoio de toda a sociedade é fundamental. Tome partido! Posicione-se publicamente em favor dos professores. Vamos juntos lutar por uma educação pública, gratuita e de qualidade. Venha prestar sua homenagem aos professores no dia 15 de Outubro, às 17h, na Candelária. Vamos lutar juntos pelo que é nosso!

Outros textos do Blog Capitalismo em desencanto sobre a educação pública do Rio de Janeiro:

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Videogame faz mal?




  Já escrevi aqui no blog sobre minha opinião a respeito dos videogames em Games e Educação - Uma parceria para a melhora do processo ensino-aprendizagem. Quem me conhece sabe que amo videogame e que sempre estou envolvida com o enredo de algum jogo. Defendo os jogos eletrônicos porque não acredito, ainda diferente da maioria dos educadores e responsáveis, que eles possam ser uma ameaça à educação, ao contrário, esses jogos podem ser aliados fortíssimos no processo ensino-aprendizagem. Eu mesma já aprendi muito com eles, abri a mente para diversas culturas diferentes da minha,  pois o conhecimento também se dá em espaços fora dos muros escolares.

  Hoje me deparei com uma matéria de  Iana Chan do site Educar para Crescer, publicada no dia 23/04/2013, interessantíssima entrevista com a Pedagoga Lynn Alves, especialista em Educação e Tecnologia, sobre o tema e gostaria de compartilhar aqui no blog, uma vez que esse tema ainda de certa forma é um tabu para a sociedade em geral, acho válida toda tentativa de eliminar os preconceitos e mitos que envolvem os jogos eletrônicos que não estão englobados nos chamados jogos educativos. 

   Segue abaixo o texto, com alguns links acrescentados.



Videogame faz mal para as crianças?

  Lynn Alves, especialista em Educação e Tecnologia, mostra que os jogos eletrônicos são mais do que puro entretenimento e não determinam comportamentos violentos

  No computador, no celular, na televisão, no console portátil... Os jogos eletrônicos estão em todos os lugares e fazem a cabeça não só de crianças e jovens, mas também de muitos adultos. Seu filho com certeza passa algumas (ou muitas) horas por semana na companhia desses jogos. Será que isso é motivo de preocupação? Jogos eletrônicos podem mesmo levar a comportamentos violentos ou solitários? Atrapalham os estudos?

  A professora da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e especialista no assunto Lynn Alves defende que não. Diversas pesquisas acadêmicas já desmentiram esses mitos e reconhecem o potencial de aprendizagem dos games, além de sua importância como entretenimento cultural, desde que não se tornem um vício, claro. "Mesmo os games comerciais, ditos não-educativos também podem contribuir para o desenvolvimento de diversas habilidades cognitivas, como interpretação de problemas e tomada de decisão", explica. 

  Em sua tese de doutorado, Lynn analisou a famosa associação entre jogos e comportamentos violentos. Ela descobriu que os jogos são uma oportunidade para os jovens trabalharem seus medos, desejos e frustrações. É como se eles realizassem essas emoções sem precisar correr riscos. E é por isso que os pais devem acompanhar de perto a relação de seus filhos com os jogos: eles não determinam comportamentos violentos, mas podem potencializar algo que já existe na criança. "Se a criança ou jovem apresenta um comportamento violento quando joga", orienta Lynn, "ela está sinalizando que algo não vai bem, e os pais devem investigar se aproximando do filho ou procurando um especialista."

  A popularidade dos jogos eletrônicos está sendo aproveitada inclusive pelas escolas e essa é tendência importante que os pais devem acompanhar. Lynn também coordena o grupo de pesquisadores da UNEB, que, dentre outras coisas, desenvolve jogos com fins de aprendizagens. O mais recente deles,  Búzios - Ecos da Liberdade, é um jogo de aventura que trabalha a Revolta dos Alfaiates, movimento histórico baiano. A estratégia desperta no aluno o desejo por novas informações sobre o conteúdo. "Ele não aprende só no jogo, mas é instigado a ampliar as informações", explica Lynn. 

Confira as orientações da especialista na entrevista:

►Os pais devem se preocupar com jogos eletrônicos?

Lynn Alves: Os pais sempre trataram o videogame como puro entretenimento e, por isso, o tempo gasto com essa atividade era visto como desperdício ou, então, consideravam os jogos violentos demais, e isso supostamente influenciava as crianças negativamente. Essa visão é extremamente maniqueísta, mas está mudando. Um estudo nos Estados Unidos mostra que os pais já conseguem perceber que os jogos podem se transformar em aprendizagem. 

  No Brasil, ainda há uma parcela de pais desconfiados. As pesquisas acadêmicas estão ajudando nesse trabalho de conscientização, mostrando o potencial pedagógico e de aprendizagem dos games. O aspecto do entretenimento também é importante, jogos como o Minecraft  [em que os jogadores coletam matéria-prima para construir com blocos qualquer coisa] provam que é possível aprender por meio da diversão.


►Como os jogos eletrônicos contribuem para o desenvolvimento de crianças e jovens?

Lynn Alves: Os jogos eletrônicos desenvolvem diversas competências e habilidades cognitivas, além de trabalharem aspectos afetivos das crianças e jovens. Todo jogo propõe um problema a ser resolvido. Para tal, o jogador precisa imergir no universo, sondá-lo e conhecê-lo, estabelecer metas para alcançar o objetivo e verificar quais são as ferramentas disponíveis para solução. Tudo isso exige planejamento estratégico, antecipação, negociação, criatividade, imaginação e até coordenação motora. Além disso, os jogos são espaços de sociabilidade e elaboração de conflitos, medos e angústias. Em jogos coletivos, por exemplo, é preciso colaboração e cooperação para alcançar um objetivo.


►Os jogos eletrônicos são capazes de determinar atitudes violentas?

Lynn Alves: A mídia fomenta essa visão: os acontecimentos violentos, como o massacre dos estudantes em Columbine, são prontamente associados ao fato de o criminoso jogar videogame. A violência é um fenômeno mais complexo, que envolve questões sociais, econômicas, culturais, políticas e afetivas... 

  Não existe uma relação de causa e efeito entre jogos e comportamentos violentos. Se um jovem lidar com qualquer mídia (filme, série ou jogo) violenta e apresentar uma atitude violenta, é preciso investigar. Ele está sinalizando que algo não vai bem e os pais devem investigar se aproximando dele ou encaminhando a situação para um especialista. O jogo não é capaz de determinar um comportamento violento, embora possa, sim, potencializar algo que já existe. Os adolescentes vão dando sinais e a gente não se dá conta...


►Como os pais podem garantir o uso saudável dos jogos eletrônicos?

Lynn Alves: Eles devem ficar atentos aos conteúdos dos jogos com os quais a criança interage. Os pais precisam conhecer. Ele deve questionar como seu filho compreende o conteúdo presente no jogo, as questões ideológicas, as éticas, as de gênero etc. Perguntar "o que você está entendendo deste jogo?". Outra dica é se aproximar do universo dos jogos, pesquisando, e criar um relacionamento mais próximo com seu filho.


►Como os pais podem identificar um jogo de boa qualidade?

Lynn Alves: Hoje temos um universo de conteúdo disponível. Se o pai quer estar a par do mundo dos jogos e participar, ele pode entra no Youtube para ver e pesquisar. Ele pode também pesquisar em fóruns a opinião dos próprios jogadores. Há um banco de dados enorme disponível que os ajuda a conhecer e saber se o conteúdo é adequado ou não para o filho dele. 

  O Ministério da Justiça disponibiliza a classificação indicativa de cada jogo. Entre as características a serem observados, destaco a história do jogo, a narrativa, a jogabilidade (facilidade em jogar), as cenas e o conteúdo. Os pais precisam avaliar se seu filho já é maduro o suficiente para lidar com essa.


►Quais são as vantagens de utilizar um jogo educativo nas escolas?

Lynn Alves: Na verdade, trabalho com a ideia de qualquer jogo pode ser educativo, inclusive os jogos comerciais. O que temos hoje são jogos com fins educacionais, que trabalham conteúdos escolares. Com eles, a aprendizagem se torna mais lúdica e prazerosa. O aluno não aprende só no jogo, mas é instigado por ele a buscar novas informações sobre o conteúdo. O jogo pode consolidar o conteúdo que já foi iniciado pela escola. Além de despertar o interesse, o jogo traz ganhos afetivos e sociais, tornando as crianças mais autônomas e cooperativas.

É possível, por exemplo, trabalhar conceitos da Física a partir de Angry Birds [popular jogo de ação em que é preciso lançar pássaros por meio de um estilingue para acertar porcos verdes] ou ver conceitos históricos por meio de jogos como Call of Duty ou Assassin’s Creed [famosos jogos de tiro e ação-aventura, respectivamente].


►Quais são os principais desafios para ainclusão dos jogos eletrônicos nas escolas?

Lynn Alves: Os desafios são enormes, desde a falta de tecnologia, passando pela formação dos professores e também pela questão cultural. Procurei escolas para participar do edital do nosso jogo e muitas recusaram. Fazer isso dá muito trabalho, porque envolve sair do lugar. Os professores precisariam pensar e repensar a prática a partir da interação do jogo, refazer o cotidiano da sala de aulas... A maioria das escolas já tem o laboratório, mas é preciso oferecer cursos que formem os professores, discutindo práticas educacionais e pedagógicas. Se não for assim, não acontece.



►Mais informações:

Sobre Lynn Alves
Sobre Classificação Indicativa: Guia Prático


sexta-feira, 27 de julho de 2012

MESA-REDONDA AUDIOVISUAL E EDUCAÇÃO - DIÁLOGOS POSSÍVEIS






ABERTAS AS INSCRIÇÕES PARA A
 MESA-REDONDA AUDIOVISUAL E EDUCAÇÃO - DIÁLOGOS POSSÍVEIS

  Acabei de saber de uma notícia interessantíssima através do blog da 9ª CRE para aqueles (funcionários da SME/RJ) que, como eu, se interessam pela dobradinha Audiovisual e Educação, e obviamente achei que seria importante socializar a informação aqui!


No dia 23 de agosto (5a. feira), às 16h, o Festival Visões Periféricas promove a mesa-redonda "Audiovisual e Educação - diálogos possíveis". O evento é gratuito e será realizado no Centro Cultural da Justiça Federal (Av. Rio Branco, 241 – Centro - Tel.: 21 3261-2550) e as inscrições vão até o dia 7 de agosto.

Para participar, basta enviar um e-mail para: lucianabessa@rioeduca.net com as seguintes informações:
  • Nome completo
  • Matrícula
  • Escola 
  • Telefone e e-mail de contato
  • Cargo/função
*Serão inscritos os 30 primeiros professores que enviarem e-mail até o dia 7/8 (Todos os e-mail serão confirmados).


A seguir, segue a programação do dia 23/8:

Mesa-Redonda: Audiovisual e Educação - Diálogos possíveis

Convidados (a serem confirmados):

Aída Marques - Professora de Cinema da UFF

Bacharelado em Português/Literaturas; Curso técnico de Montagem em Paris (CLCF); Mestrado ECO-UFRJ em Comunicação; Doutorado ECA-USP em Cinema.
Disciplinas que ministra na UFF: Cinema e Literatura; Processo de realização de filmes; e Realização de Filmes.
Área de interesse: Cinema e Literatura; Dramaturgia; Direção e Produção; Políticas Públicas do Audiovisual; e Estudos da Narrativa.

►Manaíra Carneiro - cineasta e educadora
Diretora do curta-metragem "Café Sem Chantilly", com o grupo Cinemaneiro. Também dirigiu o episódio "Fonte de Renda", que integra o filme "5x Favela – Agora por nós mesmos".
Graduou-se em Estudos de Mídia, pela UFF.

►Tiago Cabral Dardeau (mediador) - Nave Kabum
Coordenador do curso técnico de Roteiro para Novas Mídias do NAVE (Núcleo Avançado em Educação) 

►Walter Filé - Doutor em Educação
Principais projetos: Projeto Ciência por aí, desenvolvido no Centro Cultural de Ciência e Tecnologia da UFRJ (Casa da Ciência) que pretende ser um espaço para o estudo das tecnologias e sua influência na educação e nas relações cotidianas das pessoas; TV Maxambomba (tv de rua que atuou junto aos moradores da Baixada Fluminense - escolas, movimentos sociais e culturais - tentando experimentar novas formas de comunicação e compreender as tramas, as movimentações e as negociações simbólicas em torno dos sentidos e das condições de vida na região); a TV Pinel (uma experiência de uso da linguagem audiovisual na forma de uma tv com usuários hospital psiquiátrico Philippe Pinel); O Projeto Puxando conversa - que mescla tradição e modernidade, linguagem audiovisual, memória e narrativas do samba carioca, como possibilidade de pensar sobre os movimentos de identificação e socialização dos negros e pobres na cultura branca, hegemônica, Rio de Janeiro - tema de sua pesquisa de doutoramento.


☺Mais informações:

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Votação Troféu Rio Educa 2012



  Hoje foi dado mais um passo rumo ao Troféu Rio Educa 2012, onde 10 categorias estão sendo submetidas à votação. E eu estou muitíssimo feliz, pois destas categorias, posso me incluir em três (destacadas em verde abaixo):

  • Blog de Educador → Com este blog: Miscelânea Pedagógica
  • Blog de Unidade Escolar → Com o blog da unidade escolar em que trabalho: EDI Renan de Souza Leal
  • Projetos de CONSCIENTIZAÇÃO AMBIENTAL – RIO SUSTENTÁVEL
  • Projetos de CULTURA NACIONAL – RIO, AQUARELA DO BRASIL → Com o Projeto "Dias de Índio"
  • Projetos de incentivo À LEITURA E À ESCRITA – RIO DE LEITORES
  • Projetos ARTÍSTICOS (Artes Visuais, Artes Cênicas, ou Artes Musicais) – RIO BELAS ARTES
  • Projetos de INTEGRAÇÃO FAMÍLIA E ESCOLA – RIO, ESCOLA DA FAMÍLIA
  • Projetos de RESPEITO E APRECIAÇÃO ÀS DIVERSIDADES – RIO, ESCOLA SEM PRECONCEITO
  • Projetos de PROMOÇÃO da SAÚDE – RIO SAUDÁVEL
  • Projetos de CIDADANIA – RIO CIDADANIA

►Como votar?

  O sistema de reconhecimento de habilitados para votação possui o mesmo login e senha do cadastro da Educopédia. Acesse-o usando o login e senha que usa para utilizar a plataforma de aulas digitais.

  Após fazer o login no sistema, selecione as categorias separadamente para votação. Ou seja, você pode clicar em cada uma e só serão exibidos os projetos e blogs referentes à categoria selecionada.

  Não é necessário que você vote em todas as categorias quando logar. Portanto, é possível que você acesse a votação mais de uma vez, entrando com login e senha, porém apenas será possível votar nas categorias em que ainda não votou.

  Você poderá clicar e acessar as categorias em que já votou, mas a única coisa que visualizará será a exibição dos votos parciais da votação para a categoria selecionada.

  Para quem não sabe seu login Rio Educa, descubra seu e-mail - para funcionários e alunos da rede municipal de educação do Rio de Janeiro - clique aqui e descubra!



 Não deixe de votar!

Estou na torcida!!!


►Links importantes:

♦ Listagem com todos os concorrentes e respectivos links: Troféu Rioeduca - Categorias e Projetos
♦ Para ler Regulamento

►Fonte:

♦ Site Rio Educa

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Miscelânea Pedagógica no "Troféu Rio Educa 2012"

Troféu Rio Educa de 2011.

  Hoje não caibo em mim de tanta alegria. E venho com uma ótima notícia, hoje saiu a lista dos habilitados ao "Troféu Rio Educa 2012", e estarei concorrendo em três categorias, sendo que em uma delas (Blog de Escola) estarei coletivamente:


  O "Troféu Rio Educa" está na sua segunda edição e "tem como propósito fundamental destacar e premiar boas práticas pedagógicas, bem como destacar e premiar escolas, educadores(as) e alunos(as) que tenham blogs relevantes para sua comunidade escolar." (Art.2 do Regulamento)

  Sinto-me muito feliz e ansiosa pelos resultados, estar neste concurso significa muito para mim: É o resultado de muito esforço e dedicação a essa profissão que eu tanto amo... Estar concorrendo a este troféu, por mais que possa parecer bobo para alguns, simboliza de certa forma um grande reconhecimento e sinal de que estou percorrendo por um caminho certo, cercada por pessoas que só somam para o meu crescimento.

  Agradeço por participar de uma equipe tão maravilhosa que é a do meu EDI Renan de Souza Leal, e especialmente à direção - Renata Albudane, Regina Célia e Laura Maria (que tanto me apoiam me dando "asas" para criar) e as minhas super auxiliares - Fátima Alves e Telma de Carvalho (que me dão forças para construir cada pedacinho do nosso cotidiano). Mas agradeço especialmente aos meus pequeninos que me dão animo nutrindo a esperança em mim - sem eles jamais eu poderia acreditar na possibilidade de uma vida melhor para todos nós, mas principalmente para eles...


►Mais informações:
Troféu Rio Educa 2012: Regulamento
Troféu Rio Educa 2011: Resultado


A votação iniciará no dia 02 de julho, em breve darei mais notícias, mas desde já peço que fiquem na torcida e compareçam na votação que está por vir! 
Abraços a todos os que me acompanham aqui no Miscelânea Pedagógica!

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Projeto de Lei 267/11

    Quer queiramos ou não, a falta de respeito, a desvalorização e até mesmo a violência contra os profissionais de educação tem sido algo perceptível na sociedade como um todo, e não seria diferente em sala de aula. É muito fácil escutar relatos de profissionais de educação sobre situações do gênero. 


   Resolver essa "situação" não é tão simples, ao meu ver seria o caso de uma reeducação social, a começar pelo estado valorizando os profissionais de educação. Seria um caso para uma reformulação educacional, uma mobilização de todos os setores da sociedade, o que demoraria algum tempo para se concretizar ainda que se iniciasse imediatamente e com seriedade.

    Fui surpreendida hoje pela notícia de um projeto de lei que prevê punições para estudantes que desrespeitarem professores ou violarem regras éticas e de comportamento de instituições de ensino. Há quem concorde e quem não concorde, mas sinceramente, apesar de acreditar que isso não seria a solução, acredito que este é um passo importante e que demonstra que de certa forma há quem comece a se preocupar em pensar o nosso sistema educacional em busca de um olhar que  se  adeque à realidade do cotidiano escolar brasileiro, ou seja, mais atualizado por assim dizer.

*No site VOTENAWEB você pode votar e acompanhar o projeto, além de acessá-lo na íntegra.

Espero que esse projeto seja analisado e discutido de forma séria e relevante, sem politicagens e que sejam tomadas as melhores decisões a respeito para que não haja prejuízos e sim avanços para o sistema educacional e a nossa sociedade como um todo.


Projeto de Lei 267/11


   A Câmara dos Deputados analisa o Projeto de Lei 267/11, da deputada Cida Borghetti (PP-PR), que estabelece punições para estudantes que desrespeitarem professores ou violarem regras éticas e de comportamento de instituições de ensino.


   Em caso de descumprimento, o estudante infrator ficará sujeito a suspensão e, na hipótese de reincidência grave, encaminhamento à autoridade judiciária competente.


   A proposta muda o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/90) para incluir o respeito aos códigos de ética e de conduta como responsabilidade e dever da criança e do adolescente na condição de estudante.


   De acordo com a autora, a indisciplina em sala de aula tornou-se algo rotineiro nas escolas brasileiras e o número de casos de violência contra professores aumenta assustadoramente. Ela diz que, além dos episódios de violência física contra os educadores, há casos de agressões verbais, que, em muitos casos, acabam sem punição.


   O projeto, que tramita em caráter conclusivo, será analisado pelas comissões de Seguridade Social e Família; de Educação e Cultura; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.


quarta-feira, 22 de junho de 2011

Art Scan de Marcelo Camelo: Inusitada, simples e bela

A Art Scan de Marcelo Camelo


"...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?

..."
Tabacaria, Álvaro de Campos



    ♪ ♫ "Pois é..." ♫♪ "Neste momento/Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios" pelo mundo, mas como apenas alguns poucos tem o privilégio (sorte ou destino?!) de por em prática e ou de ter reconhecidas suas aspirações, essa postagem vem mostrar algo que achou olhos de gente, ao menos os meus, para realizar-se como arte!

    Marcelo Camelo, cantor e compositor carioca, já se tornou figurinha carimbada na mídia brasileira. Se você não é fã (dele ou da magnífica e falecida banda Los Hermanos), ao menos já deve ter ouvido falar dele ou talvez ter visto sua cara barbuda por aí, na TV ou em alguma revista.

    Mas essa postagem não é para falar de sua carreira musical, isso fica para uma próxima. Estou aqui para falar de Marcelo Camelo e sua inquietude artística que vai muito além da música. Estou aqui divulgar uma experimentação dele com arte visual - uma viagem que ele anda fazendo com fotografia de scanner. O cara realmente é um artista supreendente, está sempre inovando, buscando sempre "algo mais". Depois que o Los Hermanos findou, ele já fez  Os Imprevisíveis, está no segundo álbum solo, este com uma maravilhosa parceria com a banda paulistana Hurtmold, tem um projeto super criativo chamado Orquestra YouTube (onde ele faz experimentação sonora com as possibilidades que o YouTube traz - aliás, acho que isso teve sua gênese com Os Imprevisíveis), e ainda sua Scan Art. Particularmente gostei muito desta, tanto do resultado quanto da originalidade simples da ideia, achei que tinha tudo haver com a proposta do blog e aqui estamos.

    Fiquei sabendo dessa viagem quando assisti o The Creators Project do Marcelo Camelo (em sala de aula, em um curso que faço na Escola Livre de Cinema de Nova Iguaçu). Para quem não sabe, o The Creators Project, criado em 2010 em parceria com A Intel e a Vice, como lá mesmo é colocado,  é "uma rede global dedicada a celebrar a criatividade, cultura e tecnologia." que tem como objetivo principal "ser um canal moderno de mídia que identifica e celebra continuamente a obra de artistas visionários onde quer que estejam. [...], e funcionar como um estúdio de criação de conteúdo". Ou seja, é uma espécie de miscelânea artística interessantíssima de tecnologia, cultura e criatividade, envolvendo todo tipo de eventos e criações do mundo inteiro: moda, música, cinema, fotografia, pintura, design, games, enfim, tem de tudo, dos artistas mais famosos aos mais desconhecidos.

    Mas como eu ia dizendo, assisti o vídeo do Marcelo e gostei muito, a maneira como foi feita o vídeo - uma entrevista bastante natural, que nos passa a sensação de que ele se sentiu bem a vontade para dizer o que pensa, desde como a tecnologia influencia em suas produções artísticas até sua opinião sobre o comportamento mercado fonográfico atual, chegando finalmente a apresentação de sua arte experimental: ele vai mostrando como desenvolve seus vídeos do YouTube e como produz as imagens com o scanner.




Em entrevista à Rolling Stone (edição 29 de fev.2009), Marcelo Camelo diz: 
"São [fotos] tiradas no scanner. Não tem nenhuma pós edição a não ser uma leve sintonia de cor, tipo esquentar um pouco ou esfriar um pouco, mas as loucuras são feitas alterando os próprios parâmetros da máquina antes de escanear e usando o vidro do scanner como tela


Imagens da entrevistadora no Creators Project do Marcelo - Ele coloca um pouco de purpurina no scanner, dá uma ajeitadinha e depois coloca o rosto dela e escaneia. A técnica é simples, diria eu intuitiva, inusitada... Pura criação. Bom mesmo de ver: Tudo muito original e belo!


     Para mim está claro que na cabeça de Marcelo Camelo a tecnologia nem de longe assusta, pelo contrário. Como ele disse, "o caminho da tecnologia é virar o instrumento facilitador.". E é exatamente assim que penso, é assim que todos deveriam pensar. A tecnologia, como muitos colocam, não está para destruir a "moral e os bons costumes", está para ajudar a humanidade a ter uma vida melhor - em todas as áreas, até mesmo nas artísticas! Se a presença da tecnologia está nos deixando cada vez mais consumistas e egoístas, devemos rever e repensar nossas relações com a própria tecnologia, com as pessoas e o mundo. Não é a tecnologia que está criando pessoas cada vez mais ambiciosas, paranoicas e isoladas. São as pessoas que usam a tecnologia para se isolar do mundo, para parecer o que não são, para enganar, para se iludir. São as pessoas que estão usando a tecnologia para usar de forma indiscriminada os recursos do meio ambiente. São as pessoas que inventaram a guerra, o sistema. São as pessoas que estão perdendo a capacidade de se relacionarem saudavelmente, e isso não tem nada haver com a tecnologia, tem haver com o rumo do comportamento humano, mas isso é outra história...



Super criativo, empolgante e viajante. 
Detalhe: tudo isso já vem desde 2008 e eu nem imaginava que estava rolando! 
Espero que também gostem e se inspirem.

Aqui você assiste: The Creators Project do Marcelo Camelo




Segue abaixo, vídeos relacionados:


Vídeo clipe viajante da banda Os Imprevisíveis
e músicas no perfil do MySpace


"Tocando Internet", Marcelo Camelo - Vídeo da Orquestra YouTube
Esse foi o que mais gostei, mas você pode encontrar outros vídeos da Orquestra YouTube no perfil do YouTube passageiro29 e informações no perfil do MySpace


Pedagogicamente podemos trabalhar...

É possível desenvolver projetos pedagógicos a partir do exemplo dessas experimentações do   Marcelo Camelo. Trabalhos coletivos ou individuais podem render ótimas feiras culturais e ou artísticas nas escolas, além de desenvolver o pensamento crítico, o olhar artístico e a capacidade de abstração nos alunos. Projetos estes que envolvam:
Criação de som -  Se possível algo que envolva identificação e captação de sons e ruídos. Podendo usar meios simples, como gravadores de celulares por exemplo, mp3, coisas do tipo para captação e um computador com algum programa que dê para editar som e imagem (com o Movie Maker já dá para criar);
Criação de imagens - Não precisa ser necessariamente com o scanner, se bem que seria ideal, mas pode ser usada também a própria fotografia comum e ser feita intervenções nela, com programas de edição de imagem (como Photoshop por exemplo). Mas acho que seria mais criativo e divertido usar materiais "por cima da foto". Poderiam ser usados diferentes materiais para a criação. Tendo criatividade na ideia, o resto é simples: com tinta, cola colorida, recorte e colagem, papel crepom, papel laminado, purpurina, enfim, tudo é possível;
Debates e seminários sobre a utilização da tecnologia e seu papel na sociedade também cabem aqui. Ou até mesmo discutir se é válido usar a tecnologia para produzir  Arte. Aliás, podem surgir questionamentos bastante válidos, tais como: Qual o papel da tecnologia na sociedade? Estamos usando a tecnologia de maneira benéfica ou maléfica? O que é Arte? É possível fazer Arte usando tecnologia? E por aí vai.

    As temáticas são claramente interdisciplinares: experimentação com música e artes plásticas e visuais, podendo esse projeto passar por disciplinas como a Informática Educativa, Português, Música, Educação Artística, História, ou seja, é possível mobilizar uma escola inteira se quiser. O fato é que o compromisso e a criatividade é fundamental em projetos que trabalham com experimentação, o estímulo desta principalmente. E como primeiro passo para esse estímulo, para entrar no clima, é uma ótima pedida passar o vídeo do Creators Project do Marcelo Camelo para a turma assistir. E como culminância do projeto não há nada melhor para sugerir do que uma feira cultural.
      Para mostrar que é possível, aviso que já tem gente usando a experimentação de Marcelo Camelo, a partir da exibição do vídeo dele, uma turma da Escola Livre de Cinema de Nova Iguaçu (não é porque sou aluna de lá não, mas essa escola possui uma das melhores propostas pedagógicas que conheço - em breve farei uma postagem sobre isso!) fez uma aula de "Art Scanner". O resultado foi ótimo e se quiser conferir é só acessar  Ideia na caixola.                  
        Aqui fica minha sugestão. Espero que aconteçam bons resultados.



►Um pouco mais de links:

Entrevista com Marcelo Camelo para a Rolling Stone em abril de 2011