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domingo, 13 de outubro de 2013

Entendendo o plano de carreira proposto pela Prefeitura do Rio de Janeiro

*Publicado (em 12 de outubro de 2013) no Blog Capitalismo em desencanto, por Juliana Lessa.

  Quando os professores da rede municipal entraram em greve no dia 8 de agosto, eles tinham uma extensa pauta de reivindicações, que incluía, por exemplo, a aplicação de 25% do orçamento municipal diretamente em educação (como manda a Constituição), a redução do número de alunos em sala de aula, a climatização das escolas (promessa de campanha de Eduardo Paes), a melhoria estrutural das escolas, a volta do 6º tempo de aula (para que os alunos tenham a mesma carga horária de escolas privadas ou da rede federal), o fim da política de meritocracia na rede pública, 1/3 da carga horária para planejamento e a elaboração de um Plano de Carreira, Cargos e Salários (PCCR) unificado para todos os profissionais da educação. Durante o mês de agosto, o SEPE (sindicado dos profissionais da educação) e os representantes do governo (Cláudia Costin, Pedro Paulo, Eduardo Paes) se reuniram diversas vezes para negociar. A cada negociação, foram assinadas atas de compromisso, que o Sindicato levou para a sua base, para que esta avaliasse as propostas do governo. Vale lembrar que essas propostas não pressupunham sua aplicação imediata, mas sim a abertura de discussão – por meio de Grupos de Trabalho (GT’s) – para que se chegasse a um calendário de efetivação das reivindicações da categoria.
Assembleia de Professores, em frente ao prédio da Prefeitura do Rio de Janeiro
Assembleia de Professores, em frente ao prédio da Prefeitura do Rio de Janeiro
  Com o aparente avanço nas negociações, a categoria decidiu retornar ao trabalho, no dia 10/09, dando um voto de confiança à gestão Paes/Costin. Nós trabalhamos do dia 11 ao dia 20 de Setembro, aguardando o avanço das reuniões dos GT’s e a elaboração do nosso PCCR. Durante esse período, os representantes do SEPE não foram convidados para discutir as diretrizes do plano. No dia 16/09, o prefeito Eduardo Paes apresentou, em um almoço fechado, sua proposta aos vereadores de sua base aliada, sem dar a chance para que os vereadores de oposição ou o Sindicato e a própria categoria tomassem conhecimento do conteúdo do plano, antes que este fosse enviado à Câmara dos Vereadores para ser votado em regime de urgência. O regime de urgência, aliás, era uma demanda dos professores, para evitar a enrolação na aprovação do plano, mas, até aí, ninguém tinha conhecimento de seu conteúdo.
Paes apresenta proposta aos vereadores da base aliada
Paes apresenta proposta aos vereadores da base aliada
  A proposta do governo foi enviada ao SEPE no dia 17/09 – mesmo dia em que foi enviada, em definitivo, à Câmara dos Vereadores. A base aliada do governo propôs algumas emendas, mas nem isso foi suficiente para frear a insatisfação dos professores. No dia 26/09 ocorreu a primeira tentativa de aprovação do PCCR, mas os professores decidiram ocupar o Palácio Pedro Ernesto, mostrando para o poder Legislativo que aquela proposta não era de seu interesse. Não vou nem entrar no debate sobre a truculência do governo na desocupação da Câmara (30/09) e sobre a aprovação desse plano sob estado sítio (01/10). Vou apenas mostrar o porquê esse plano contribui, ainda mais, para a precarização das condições de trabalho dos educadores.
Cinelândia sitiada, na aprovação do plano.
Cinelândia sitiada, na aprovação do plano.
  Um dos pontos de discordância entre professores e governo – que foi bastante veiculado pela mídia – se refere ao fato de que o plano só atende aos professores que trabalham em regime de 40 horas semanais, o que representa apenas 7% da categoria. Os demais professores – que trabalham em regimes de 16h, 22,5h e 30h semanais – ficaram de fora dos “benefícios” (?!) oferecidos pelo plano. O governo disse que permitirá que alguns professores da rede migrem para o regime de 40h, mas nem todos poderão fazê-lo, pois muitos professores possuem duas matrículas e porque alguns professores já estão próximos da data de aposentadoria (o que impede a mudança de regime de trabalho). Além disso, o governo não definiu critérios para escolher quais professores poderão mudar de regime de trabalho. Mas a coisa não para por aí, ao contrário do que tem sido dito. No artigo 4º, que define quem são professores de ensino fundamental, lê-se o seguinte:
“II – Professor de Ensino Fundamental – PEF – para o exercício de atividades docentes em turmas da Educação Infantil ao nono ano do Ensino Fundamental, criado nos termos desta Lei.”
  Ou seja, todos os professores que possuem licenciatura plena são jogados nessa categoria generalista “PEF”. Não há definição em relação às disciplinas ou em relação ao nível de atuação desses profissionais. Não fica claro quem vai atuar no 1º segmento (turmas de 1º ao 5º ano, quando ocorre a alfabetização, por exemplo) ou quem vai atuar no 2º segmento (turmas de 6º ano 9º ano). Isso permite que todos os professores da rede atuem em qualquer nível da escolarização ou em qualquer disciplina, institucionalizando a prática do professor polivalente – que já vem ocorrendo na rede municipal, através de projetos de aceleração de aprendizagem. São projetos que a prefeitura compra da Fundação Roberto Marinho, do Instituto Ayrton Senna, da Fundação Itaú Social… Em entrevistas, o prefeito argumentou que ninguém será obrigado a atuar como professor polivalente, mas e quanto aos alunos? Será que é justo que um aluno seja alfabetizado por um professor de Matemática? Será que é justo ter aulas de Ciências com professores de História? Além disso, o que garante que ninguém será obrigado a atuar dessa forma, se o plano é omisso? Nesse mesmo artigo, também está prevista a criação do cargo de professor de ensino religioso, mas isso não foi discutido, em nenhum momento, com a categoria. Por que incluíram isso no plano?
  Na rede federal, por exemplo, todos os professores ficam no mesmo cargo “Docente da Educação Básica, Técnica e Tecnológica”. Mas a atuação de cada um deles é especificada, de acordo com sua formação. Assim, temos: Docente EBTT – História; Docente EBTT – Matemática ou Docente EBTT – 1o Segmento; etc.
  O plano também tratou da progressão por tempo de serviço, estabelecendo o seguinte, no artigo 11º:
“I – Nível 1: de 0 a 5 anos;
II – Nível 2: mais de 5 até 8 anos;
III – Nível 3: mais de 8 até 10 anos;
IV – Nível 4: mais de 10 até 15 anos;
V – Nível 5: mais de 15 até 20 anos;
VI – Nível 6: mais de 20 até 25 anos;
VII – Nível 7: mais de 25 anos.”
  No plano da prefeitura, a progressão se restringe a sete níveis, que só podem ser vencidos após muitos anos de atuação. Enquanto isso, o salário dos professores permanece praticamente o mesmo. Os triênios não representam avanços de nível e correspondem, na média, a menos de 10% de aumento salarial. A diferença salarial entre os níveis da carreira são ínfimos, assim como as gratificações por titulação (a diferença entre mestrado e doutorado não chega a 100 reais). Além disso, não existe a garantia de que todos os professores que possuem títulos poderão receber a gratificação correspondente, já que o artigo 17º diz que o enquadramento se dará “a partir de critérios e número de vagas a serem estabelecidos pelo Poder Executivo, de acordo com os valores constantes na tabela do Anexo III desta Lei, que não serão cumulativos.” Ou seja, a concessão de gratificações por titulação não é automática para todo mundo, ficando restrita a um percentual máximo do universo de professores que são 40h. Isso já é péssimo, porque cria distinções salariais entre pessoas com a mesma formação, mas ainda assim, o plano não define quais são os critérios de escolha daqueles que receberão o benefício, jogando para o Executivo esse poder.
  É verdade que o plano equipara o valor da hora/aula de todos os professores com o mesmo nível de formação. Assim, mesmo aqueles professores que permanecerem nos regimes de 16h, 22,5h ou 30h semanais receberão um salário proporcional ao que é pago aos professores que trabalham 40h. Mas e os outros “benefícios” (?!) oferecidos pelo plano? Como será a progressão desses profissionais? E as gratificações por titulação? Mais diferenciações na carreira…
 As emendas apresentadas pelos vereadores da base aliada se concentraram, principalmente, na correção de valores. De acordo com a tabela abaixo, um professor com licenciatura plena em início de carreira ganharia pouco mais de 4.000 reais. É um salário razoável, se comparado a outros profissionais de nível superior em início de carreira? Sim, mas há que se considerar algumas questões. Em primeiro lugar, deve-se ter em mente que os ganhos oferecidos pela progressão por tempo de serviço, por titulação e por triênios são pífios! Isso faz com que o salário seja achatado, ao longo da carreira. Isso significa que um professor que já está para se aposentar ganha um salário não muito maior do que um professor que acabou de entrar na rede. Ou seja, o salário não aumenta, assim como pode ocorrer com outros profissionais de nível superior. O plano oferece a possibilidade para que um professor ganhe em torno de 9.000 reais, mas, para isso, ele terá que ter mestrado, doutorado, pós-doutorado e terá que trabalhar 30 anos!!! Fora do magistério, um profissional com esse nível de formação e com esse tempo de serviço, certamente ganharia muito mais. Mas também não são todos os professores que terão direito a esse aumento, já que, como vimos, a concessão da gratificação por titulação será restrita a um número de vagas não especificado no plano.
Tabela de vencimentos dos professores do Rio de Janeiro, antes e depois das emendas propostas pelos vereadores da base aliada.
Tabela de vencimentos dos professores do Rio de Janeiro, antes e depois das emendas propostas pelos vereadores da base aliada.
  Comparando esse PCCR, com a carreira da rede federal, percebemos o quanto a prefeitura não investe em valorização profissional. Em primeiro lugar, na rede federal, a carreira é dividida em 12 níveis (5 a mais do que na rede municipal) e a progressão é feita de dois em dois anos. Além disso, caso um professor tenha mestrado ou doutorado, ele pode avançar alguns níveis na carreira, sem contar com a gratificação por titulação. Portanto, a rede federal oferece a possibilidade de progressão por tempo de serviço e por formação. Assim, um professor em início de carreira na rede federal, que trabalhe em regime de 40h/DE, e que não tenha mestrado ou doutorado, ganharia algo em torno de 3.600 reais. É pouco, mas, caso ele faça mestrado, seu salário pularia imediatamente para mais de 5.400 reais, contando apenas a gratificação pelo título – ou seja, sem contar com os avanços de nível. Caso o professor faça doutorado, seu salário pularia, automaticamente, para mais de 8.000 reais – também sem contar com os avanços de nível. No fim de carreira, um professor com doutorado ganha pouco mais de 13.400 reais. Ao contrário do que ocorre na rede municipal, na rede federal, a gratificação por titulação é automática e não fica restrita a um percentual máximo dentro do universo de professores. Vale lembrar que, na rede municipal, os professores que trabalham em regime de 40h (com ou sem a dedicação exclusiva) são obrigados a dar 32 tempos de aula por semana – o que, na prática, significa uma dedicação exclusiva forçada, já que, com tantos tempos de aula, é difícil ter outros empregos. Mas, apesar disso, a prefeitura não paga a gratificação por dedicação exclusiva, mesmo quando a exige formalmente nos concursos. Na rede federal, além de haver um esforço para que todos os professores tenham dedicação exclusiva, o regime de trabalho de 40h/DE significa uma carga horária máxima de 24 tempos em sala de aula.
Tabela de vencimentos da rede federal - progressão por qualificação e por tempo de serviço
Tabela de vencimentos da rede federal – progressão por qualificação e por tempo de serviço
  Diante de tudo isso, é inacreditável que o governo e a mídia continuem classificando os professores como intransigentes, mas foi o próprio prefeito que disse que não vai mais negociar com o sindicato. Enquanto isso, os vereadores da base aliada simplesmente ignoraram as vozes de milhares de profissionais da educação, que gritavam contra esse plano e que não se calaram nem diante da repressão policial, nem diante das ameças de represálias feitas pelo governo. Quanto às outras reivindicações do início da greve, nada se fala.
  A educação pública deve ser encarada como uma questão de todos, pois se a rede pública oferecesse serviços de qualidade, não seria necessário que muitas famílias brasileiras comprometessem parte significativa de seu orçamento pagando escolas privadas. É por isso que, nesse momento, o apoio de toda a sociedade é fundamental. Tome partido! Posicione-se publicamente em favor dos professores. Vamos juntos lutar por uma educação pública, gratuita e de qualidade. Venha prestar sua homenagem aos professores no dia 15 de Outubro, às 17h, na Candelária. Vamos lutar juntos pelo que é nosso!

Outros textos do Blog Capitalismo em desencanto sobre a educação pública do Rio de Janeiro:

domingo, 23 de dezembro de 2012

Formatura e despedida da minha turminha: EI31/2012



Assinaturas, ensaio, arrumação, presentes... Tensão.

   Dia 21 de dezembro de 2012 aconteceu a formatura da minha turminha. Foi um momento muito importante e emocionante vivido por todos nós...

     O dia já começou agitado com a visita do Papai Noel em nosso EDI pela manhã e logo após a soneca do dia começamos os preparativos para a formatura: becas para arrumar, diplominhas para assinar e o ensaio para nossa apresentação. Apresentação que também representava a culminância do Projeto Desejo de Natal, trabalhado durante o mês dezembro. Aliás, contamos com a participação de três convidadas especiais de nossa AAC Andrea Braga para tocar na nossa apresentação: Aline Braga - Violino (Sobrinha), Julia Almeida - Flauta Transversal (Sobrinha) e Ully Albuquerque - Flauta Transversal (Amiga), que chegaram cedo para nosso ensaio geral.

Nervosismo geral e as "Tias" Andrea e Telma tentando disfarçar.

   Ao sairmos de sala para enfim participarmos da cerimônia um nervosismo só: tinha gente chorando, criança "comendo" a beca, outras rindo sem parar... Sem contar com os responsáveis ansiosos para verem suas crianças. Estávamos apreensivos, mas tudo deu certo. Junto com a outra turminha - EI 30 - íamos nos acomodando e tudo começou.

Todos tentando se ajeitar.



A Diretora Renata, a Adjunta Regina e a PA Laura sem preder nenhum momento.


   Em meio a mensagens e a apresentação da Turma EI 30, chega a nossa vez de se apresentar. Cantamos e proclamamos o nosso Desejo de Natal a todos os presentes, logo depois veio o juramento e como todos estávamos muito cansados com a jornada do dia, partimos para as finalizações...

Aline Braga - Violino (Sobrinha de Andrea Braga),
Julia Almeida - Flauta Transversal (Sobrinha de Andrea Braga)
e Ully Albuquerque - Flauta Transversal (Amiga de Andrea Braga).

O Desejo de Natal de cada um aos presentes.

♫ Assista nosso Desejo de Natal ♫


Hora do Juramento.


♥ E chega a hora do Juramento ♥




   Após todo esse dia longo e feliz, chega a hora da comilança e das despedidas... Dei a cada um deles um livro com uma dedicatória singela, para que de alguma forma nossa ligação perdure. Com um aperto no coração tirei muitas fotos com os meus pequenos, os enchi de beijos e abraços... E assim terminou o dia, o ano letivo: Missão cumprida!

Muita comilança e fotos para ficar na lembrança.

   Sentirei muita falta de cada um deles. Esta se torna uma turma inesquecível, pois além de cada um ter acrescentado em minha vida algo de especial, foi também essa a minha primeira turma no Município do Rio de Janeiro. Acompanhei o crescimento de cada um, as mudanças, as conquistas que renderam aprendizados não só para eles, mas para mim, para a instituição, para os responsáveis, para a comunidade. Como foi incrível receber notícias positivas e incentivos de seus responsáveis. Como foi, e é, muito bom ter como companheiras de sala as AACs Andrea e Telma me apoiando. Como foi maravilhoso ter o meu trabalho reconhecido pelos colegas, pela equipe de direção... 2012 foi, e sempre será, inesquecível.



Desejo a cada um da Turma EI 31/2012 TODA felicidade do mundo
com um caminho repleto de alegrias, amores e conquistas.


Turma EI 31 - 1° Semestre de 2012.

Turma EI 31 - 2° Semestre de 2012.






Aguardarei sempre notícias.
Minha sala e meu coração estará sempre aberto pra vocês!



►Saiba mais sobre esse dia no Blog EDI Renan de Souza Leal em: Formatura 2012.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Miscelânea Pedagógica no "Troféu Rio Educa 2012"

Troféu Rio Educa de 2011.

  Hoje não caibo em mim de tanta alegria. E venho com uma ótima notícia, hoje saiu a lista dos habilitados ao "Troféu Rio Educa 2012", e estarei concorrendo em três categorias, sendo que em uma delas (Blog de Escola) estarei coletivamente:


  O "Troféu Rio Educa" está na sua segunda edição e "tem como propósito fundamental destacar e premiar boas práticas pedagógicas, bem como destacar e premiar escolas, educadores(as) e alunos(as) que tenham blogs relevantes para sua comunidade escolar." (Art.2 do Regulamento)

  Sinto-me muito feliz e ansiosa pelos resultados, estar neste concurso significa muito para mim: É o resultado de muito esforço e dedicação a essa profissão que eu tanto amo... Estar concorrendo a este troféu, por mais que possa parecer bobo para alguns, simboliza de certa forma um grande reconhecimento e sinal de que estou percorrendo por um caminho certo, cercada por pessoas que só somam para o meu crescimento.

  Agradeço por participar de uma equipe tão maravilhosa que é a do meu EDI Renan de Souza Leal, e especialmente à direção - Renata Albudane, Regina Célia e Laura Maria (que tanto me apoiam me dando "asas" para criar) e as minhas super auxiliares - Fátima Alves e Telma de Carvalho (que me dão forças para construir cada pedacinho do nosso cotidiano). Mas agradeço especialmente aos meus pequeninos que me dão animo nutrindo a esperança em mim - sem eles jamais eu poderia acreditar na possibilidade de uma vida melhor para todos nós, mas principalmente para eles...


►Mais informações:
Troféu Rio Educa 2012: Regulamento
Troféu Rio Educa 2011: Resultado


A votação iniciará no dia 02 de julho, em breve darei mais notícias, mas desde já peço que fiquem na torcida e compareçam na votação que está por vir! 
Abraços a todos os que me acompanham aqui no Miscelânea Pedagógica!