domingo, 13 de fevereiro de 2011

Alimentação Infantil: Uma questão de hábito

Por Érica de Campos




Nossas primeiras relações sociais ocorrem em torno do ato da nutrição – é na amamentação, ou seja, através da mãe, que o contato com a alimento se inicia. O bebê depende totalmente de quem o alimenta, estabelecendo-se a partir disso uma relação muito intensa e cheia de significados, e quem o alimenta também se vê envolvido: a mãe  ao alimentar seu bebê continua, através desse ato, a dar-lhe vida. Uma vez que esta relação com a mãe é estabelecida saudavelmente desde o início, torna a criança mais segura  e feliz para naturalmente se criar ao longo de seu crescimento bons hábitos alimentares.
Acontece que pesquisas recentes mostram que o número de crianças obesas ou com problemas relacionados à má qualidade na alimentação (diabete do tipo 2, hipertensão, aumento da pressão arterial, distúrbios hormonais, alterações na postura, colesterol alto...) e adolescentes com distúrbios alimentares (bulimia, anorexia...) vem crescendo vertiginosamente em nosso país. A Organização Mundial da Saúde (OMS), em levantamento recente aponta índices preocupantes: 155 milhões de jovens apresentam excesso de peso em todo o mundo, já aqui no Brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, existem hoje  6,7 milhões de crianças obesas. Especialistas apontam, entre outros fatores, o sedentarismo e o grande consumo de alimentos com baixo valor nutricional consumidos pelas crianças como agravantes da situação.


Muito refrigerante, fast food, snacks, churrascos, hambúrguer e fritas. Como evitar que as crianças sedam à essas tentações? As indústrias investem cada vez na fabricação de guloseimas e alimentos ricos em gorduras, opções que atraem (e muito!) as crianças, que por sua vez são alvos fáceis de serem atingidos pela publicidade. E ainda temos o fator família e escola: os pais muitas vezes não controlam a alimentação dos filhos, e até mesmo buscam compensar a falta de atenção com comida (e normalmente aquelas menos nutritivas), criando a inversão de valores, ou seja, comer um super hambúrguer com batata-frita e refrigerante, mais um sundae de sobremesa se torna o maior prêmio que se pode ganhar! Já as escolas também não têm ajudado muito com suas cantinas recheadas com os alimentos mais chamativos e menos nutritivos possíveis. Visando o lucro, pouco se importam e “esquecem” de ensinar bons hábitos alimentares aos pequenos e incentivam a compra desses alimentos na própria instituição; muitas vezes deixam a responsabilidade única e exclusiva de formar o hábito alimentar saudável para os pais, que tem a maior responsabilidade sim, mas a escola não deveria nem poderia se omitir.




É de grande importância que tanto os pais como a escola ensine e incentive a criança a ter bons hábitos alimentares. A criança deve ter acesso à um “prato completo”, variado, rico em alimentos saudáveis. Além do próprio exemplo dentro de casa, na variedade de alimentos e em como acontecem os momentos reservados para o ato de alimentar-se, rotinas em relação aos horários de alimentação da criança é importante para a formação de um ambiente favorável para criar bons hábitos alimentares. 

Também é interessante deixar a criança ter um contato mais direto com o seu alimento; não importando se ela vai se sujar ou vai demorar um pouco mais para comer, esse momento da criança com o alimento lhe dá a oportunidade de conhecer e vivenciar o ato de alimentar-se de modo prazeroso. Se possível, haver variedade no preparo dos alimentos – refeições coloridas e diversificadas: arroz, feijão, verduras, legumes, carnes e frutas devem variar diariamente. Às vezes pode ocorrer da criança rejeitar determinado tipo de alimento, neste caso é fundamental não desistir de oferecê-lo sempre que possível, uma hora ela terá a curiosidade de experimentá-lo e poderá gostar.

          O ideal é que ensinem desde cedo às crianças a importância da boa alimentação, não simplesmente dizendo que X faz bem e Y faz mal e pronto! É preciso explicar às nossas crianças (a cada faixa etária com linguagem adequada) sobre os nutrientes de cada alimento e suas funções e o porquê determinados alimentos podem prejudicar sua saúde e devem ser evitados. É preciso que a criança, assim como os adultos, descubram o valor e o prazer de se alimentar bem!


Mais sobre o assunto...

    O Ministério da Saúde disponibiliza diversas publicações em seu site direcionadas para uma política pública com intenções de informar e incentivar os hábitos alimentares saudáveis, entre elas estão:



* Link para publicações do Ministério da Saúde: http://nutricao.saude.gov.br/publicacoes.php



Cartaz: Dez Passos para uma Alimentaçáo Saudável - Crianças menores de 2 anos 


Cartaz: Dez Passos para uma Alimentaçáo Saudável




*Texto de Érica de Campos - publicado em fevereiro de 2011, na Coluna Educação do jornal mensal A Voz do Lojista Meritiense - jornal de circulação no município de São João de Meriti/RJ.


*Imagens retiradas de Dez passos para uma alimentação saudável - Guia alimentar para crianças menores de dois anos, publicação do Ministério da Saúde, 2010.



sábado, 15 de janeiro de 2011

Benefícios da Leitura - PLANO DE AULA

(Plano de aula elaborado por Érica de Campos.)
 


    Sou aluna do Curso de Extensão de Informática Educativa da CEDERJ, e no ano passado para fechar a disciplina Mapas Conceituais, a atividade final era elaborar uma aula utilizando o recurso do Mapa Conceitual. 
  Então, pensei bastante e resolvi elaborar uma aula para professores, uma aula que eu gostaria de ter tido e o resultado saiu: uma aula abordando os benefícios da leitura utilizada como recurso em sala de aula, dando ao mesmo tempo como exemplo para essa utilização a temática da cultura africana e ou questões sobre o afrodescendente em sociedade.
    Bem, disciplina finalizada "com louvor", achei que seria legal compartilhar a aula com outras pessoas através do blog. Pedi a opinião da Profª Ale Camargo (aliás, o blog dela é maravilhoso! Recomendo uma visitinha no Educa-Ação!) e ela deu o "Ok" dela! Pronto. Depois de bastante tempo estou eu postando a aula... Espero que seja útil e que gostem do conteúdo!

Para saber mais sobre Mapas Conceituais clique aqui.


PLANO DE AULA

MAPA CONCEITUAL:

O Mapa Conceitual Benefícios da Leitura  deve ser utilizado na aula do planejamento que segue abaixo.

PLANEJAMENTO:

Tema/Título: Benefícios da Leitura/Valorização da presença e cultura afrodescendentes.

Duração: 4h com intervalo de 20min.

Público alvo: Professores (as) do Ensino Fundamental – 1° ao 5°ano.

Objetivos: Mostrar aos professores (as) os benefícios da leitura, buscando incentivá-los a produzir, em sala de aula, novas metodologias (atividades, projetos, etc.) para desenvolver em seus alunos e alunas o hábito da leitura prazerosa.

Desenvolvimento:
  • Discussão em grupo do texto (dado anteriormente para ser lido antes da aula): A importância da leitura para a formação de uma sociedade consciente - artigo de Leila Souza – contextualizando-o com nossa realidade;
  • Utilizar o Mapa Conceitual “Benefícios da Leitura” para incrementar a discussão, apontando de forma mais concreta os benefícios da leitura, forçando uma reflexão maior por parte de todos os participantes;
  • Terminada a discussão sobre o texto, apresentá-los uma série de livros de literatura infantil, abordando temas referentes à cultura africana ou questões sobre o afrodescendente em sociedade* e pedir que eles se organizem em duplas ou trios;
  • Organizados, os livros serão sorteados entre as duplas e trios;
  • Será pedido a cada dupla ou trio que desenvolvam duas atividades a partir da leitura do livro, descrevendo o que cada atividade desenvolve nos alunos e alunas, conforme o Mapa Conceitual utilizado: “Benefícios da Leitura”;
  • Pedir que cada dupla ou trio esquematizem um pequeno Mapa Conceitual com base no que será desenvolvido nas atividades elaborada por eles.
Avaliação: De maneira descontraída, cada dupla ou trio irá apresentar à turma seu livro e atividades desenvolvidas, seus mapas e dizer o que foi acrescentado a eles na aula que tiveram, ou seja, se foi produtivo e o porquê.

Materiais: Papel e caneta; computador com projetor (data show); livros de literatura infantil.


*Sugestões de livros de literatura infantil que abordam temas referentes à cultura africana ou questões sobre o afrodescendente em sociedade:

- O tabuleiro da baiana, de Sônia Rosa;
- Capoeira,  de Sônia Rosa;
- Jongo, de Sônia Rosa;
- Lindara, de Sônia Rosa;
- Seis pequenos contos africanos sobre a criação do mundo e do homem, de Raul Lody;
- Ana e Ana, de Célia Godoy;
- Chuva de manga, de James Ruinford;
- Obax, de André Neves;
- O menino marrom, de Ziraldo;
- O cabelo de Lêlê, de Valéria Belém;
- O amigo do rei, de Ruth Rocha.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Pintando Brasileiros - WEBQUEST

(WebQuest criada por Érica de Campos.)


Desembarque de Colonizadores - 1959, de Di Cavalcanti

     Esta WebQuest pode ser aplicada a partir do 1°ano do Ensino Fundamental, podendo ser feitas adaptações de acordo com as características de cada turma.  Sendo interdisciplinar (abrangendo as disciplinas Português, Educação Artística e Informática Educativa), esta WebQuest foi criada com o intuito de sensibilizar o olhar dos alunos(as) e também dos professores(as) - e por que não?! - para a arte feita pelos pintores brasileiros. 

Abaporu - 1928, de Tarsila do Amaral

     Existem artistas infindos que não podem ser esquecidos e que estão inseridos na história, no cotidiano do Brasil, que criaram e criam telas maguiníficas e que nem sempre são conhecidos e prestigiados pela população brasileira.

     Além disso, paralelamente, esta WQ quer mostrar a função do texto jornalístico – o que ele é e como é feito.

     Enfim, esta WebQuest pretende mostrar, desenvolver e finalmente criar a arte também, a partir do conhecimento do que faz e do que fizeram nossos pintores brasileiros, de suas vidas e obras. 

     Espero que todos aqueles que usem e participem desta WQ gostem da experiência de conhecer um pouco mais sobre artistas plásticos brasileiros e também compreendam um pouco mais sobre os textos jornalísticos.
      E que em todos desperte um pouco mais o olhar para a arte plástica e que os sentimentos possam surgir de forma a contribuir para um mundo interior melhor, com mais imagens, cores, significados...



Fachada Festiva, de Alfredo Volpi
      


Então, meus amigos e amigas, mãos à obra! 




Clique no link abaixo para visitar e participar desta WebQuest:  



Para saber o que mais sobre WebQuests clique neste link.

Lápis Encantado: Encontrando a poesia - WEBQUEST

(WebQuest criada por Érica de Campos.)




A Poesia nos encanta
E encantados, enfim, podemos nos encontrar. 


    Esta WebQuest pode ser aplicada a partir do 1°ano do Ensino Fundamental, podendo ser feitas adaptações de acordo com as características de cada turma.  Sendo interdisciplinar (abrangendo as disciplinas Português, Educação Artística e Informática Educativa) foi criada com o intuito de se poder buscar, encontrar, aprender e sentir um pouco mais a poesia que existe em cada parte, a poesia que existe em cada um de nós...

    Não foi criada para definir o que é poesia, mas sim, para aprender sobre poesia: ler e pensar sobre o que lemos, imaginar e sentir o que se viu ou escutou. Nesta WebQuest busca-se juntos (professores e alunos) uma forma própria de se introduzir a poesia em nossas vidas, de viver a poesia; seja de que maneira for despertarmos a poesia em nós: uns descobrirão prazer maior em lê-las, outros em recitá-las, alguns em ouvi-las, outros mais em criá-las ou ilustrá-las... Quem saberá o que pode vir a acontecer?!

 
Capa do livro Lápis Encantado de Léo Cunha
    Nesta WebQuest o livro Lápis Encantado (de Léo Cunha, com ilustrações de Graça Lima) será usado como passaporte para este encontro. É um livro muito gostoso de se ler, composto de vinte poemas sobre cores elaborados com linguagem leve, bem-humorada e atraente, principalmente, para leitores iniciantes. O autor explora o tema procurando retratar sensações, imagens, sons e sentimentos que as cores provocam nas pessoas. Tenho certeza que será uma experiência maravilhosa! Venha participar deste encontro!

    O objetivo final desta WebQuest pretende, além de criar uma motivação maior para a leitura em si, que cada um de nós aprenda um pouco mais sobre poesia e que muitos de nós, ou todos, se apaixonem por ela e encontre a melhor maneira de senti-la. Pois, a poesia pertence e está em todos os lugares, em todos nós.


"A poesia não é de quem a escreve, mas de quem a usa." 
Pablo Neruda (1904 - 1973)





Clique no link abaixo para visitar e participar desta WebQuest:  


Para saber o que mais sobre WebQuest clique neste link.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

O ingresso na vida escolar: uma etapa a ser vencida

Por Érica de Campos

Charge de Ziraldo
    As férias já estão acabando e logo, logo as aulas recomeçam. Já estamos no período de livrarias e papelarias lotadas para as compras dos materiais escolares e de sufoco dos pais na readaptação das crianças aos horários para a rotina escolar. 

    A cada ano que se inicia essa rotina passa a ser conhecida por muitas crianças e se inicia uma nova etapa na vida delas. Essa etapa pode acontecer de forma prazerosa ou traumática. Estamos falando do ingresso na vida escolar, na Educação Infantil, onde tudo começa sendo novidade para a criança: as pessoas, o ambiente e a rotina se tornam novos desafios a serem vencidos. É de imensa importância que a adaptação à escola ocorra sem traumas, pois é neste momento que os primeiros traços da independência da criança começam a serem definidos: ficar longe dos pais e de sua casa, cumprir novos horários e regras, interagir com a professora e com os colegas de classe, é parte do processo que tornará a criança segura e feliz no ambiente escolar. 

    Mas nem sempre as coisas ocorrem de maneira simples e “indolor”, mesmo porque não é só a criança que faz parte desse processo. Os pais ficam na expectativa, apreensivos e ansiosos, e na maioria das vezes, mesmo sem querer, acabam por atrapalhar a adaptação da criança na escola – Por exemplo, a mãe ou o pai que demonstra medo ou insegurança para a criança ao deixá-la na escola, já sinaliza para esta que ali pode não ser um lugar bom para ela, o que gera uma certa desconfiança por parte da criança; ela dificilmente se sentirá à vontade numa situação destas. 

    O ideal é que os pais escolham com calma e antecedência a escola para a criança e façam com que ela participe, desde o início, deste processo. O que quero dizer é que é preciso incentivar a criança a ir à escola, prepará-la, conversar com ela sobre a escola (como é, para que serve, sua importância...), levando-a para uma visita às instalações de sua futura escola e se possível conhecer sua professora (aliás, é importante que os pais estabeleçam uma boa relação com a professora, assim a criança sentirá que a professora não é uma desconhecida), levar a criança às compras de seus materiais escolares, enfim, tudo isso ajuda para que a criança construa uma expectativa positiva em relação à escola. Ter contato com alguma outra criança em idade escolar, irmãos mais velhos, primos ou vizinhos, também facilita o processo, pois ela entenderá mais rapidamente que ir à escola é algo comum, importante e divertido. 

    Ingressar na escola de forma tranquila, sem traumas, é decisivo para a vida de uma criança, uma vez que é importante que esta crie laços positivos com a escola. Além disso, simboliza seu primeiro passo rumo à independência em relação aos pais, significa que esta criança terá facilidade na convivência com o outro e construirá uma vida escolar feliz e produtiva, onde as oportunidades são inúmeras e as experiências são únicas e necessárias para que se crie seu próprio espaço e busque sua própria identidade, sendo capaz de enfrentar as dificuldades que surgirem. Bem, para isso ocorra, a ajuda dos pais é fundamental. É preciso que estejam sempre presentes na vida escolar de seus filhos, lembrando que a tarefa principal é torná-los independentes, prontos para enfrentar o mundo, para viver.

  
Um pouco mais sobre o assunto...


    Uma dica bacana de leitura sobre acompanhamento das crianças na escola é a cartilha que o cartunista Ziraldo em parceria com o MEC ilustrou (Acompanhem a vida escolar dos seus filhos) em 2008.
    A cartilha, com uma linguagem simples e direta, convoca a família a participar mais e melhor da vida escolar de suas crianças, visando promover uma mobilização dea sociedade pela melhora da qualidade da educação brasileira. A cartilha está a disposição para baixar neste link do MEC.


    Outra dica, é a leitura do livro infantil Sou demasiado pequena para ir à escola, de Lauren Child (2005, Editora Oficina de Livros). O livro é ideal para ser contado à crianças que estão prestes à ir para a escola pela primeira vez.


Capa do livro Sou demasiado pequena para ir à escola


Sinopse do livro: 



    Lola está convencida de que é demasiado pequena para ir á escola. Com muita criatividade, Charlie, o seu irmão mais velho, convence-a a mudar de ideia. "Tenho uma irmã mais nova, a Lola. É pequena e é muito engraçada. A mãe e o pai dizem que ela já está crescida e deve ir à escola." Lola não tem assim tanta certeza. 
      A Lola diz: 
- Sou demasiadamente pouco crescida. Sou ainda muitíssimo pequena. Diz também: 
- Parece-me que não vou ter tempo para ir à escola. Estou extraordinariamente ocupada a fazer coisas importantíssimas cá em casa.



*Texto de Érica de Campos - publicado em janeiro de 2011, na Coluna Educação do jornal mensal A Voz do Lojista Meritiense - jornal de circulação no município de São João de Meriti/RJ.

*Imagens de Ziraldo, retiradas da cartilha do MEC Acompanhem a vida escolar dos seus filhos, de 2008.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Brincar é fundamental

Por Érica de Campos


       Quem ao se lembrar da infância não sente saudades das brincadeiras, dos brinquedos, dos jogos em grupo, daquele mundo do faz-de-conta? Pois é, embora muitos não saibam, todo esse “universo de brincadeira” que vivenciamos na infância são importantíssimos para aprendermos a entender e dominar a realidade. A criança ao brincar está em pleno desenvolvimento motor, afetivo e intelectual. Brincando a criança busca expressar seus sentimentos e maneira de pensar, tenta compreender a visão do outro, busca a solução de problemas, desenvolve a consciência corporal, noção de espaço e tempo, além de favorecer a socialização, a brincadeira também trás à tona questões como as de lidar com o ganhar e o perder, aceitar e ser aceito, aprender a negociar com o outro, a cooperar, a decidir, criar ou seguir regras, imitar, imaginar, enfim, inconscientemente a criança vai “crescendo” junto com o seu corpo de uma maneira saudável e agradável. O que acontece é que brincando a aprendizagem ocorre naturalmente e quando a criança vivencia esse mundo intensamente ela constrói uma base sólida que será importante quando ela entrar em contato com aprendizagens mais complexas. Brincar de amarelinha, pular corda, pique-esconde, são exemplos simples de brincadeiras que não parecem, mas exigem da criança atitudes e raciocínios que desenvolvem entre outros aspectos, a linguagem, a coordenação motora, a percepção visual e espacial, a capacidade de memorizar, medir a distância e calcular a força, o equilíbrio, o ritmo, a contar os números, a cantar músicas, e tudo isso tranquilamente se divertindo com outras crianças.

      Assim deve acontecer com todas as infâncias, não é por acaso que o Princípio 7° da Declaração do Direito das Crianças diz “A criança terá ampla oportunidade para brincar e divertir-se, visando os propósitos mesmos da sua educação; a sociedade e as autoridades públicas empenhar-se-ão em promover o gozo deste direito.”. Todos nós temos que assegurar esse direito das crianças, principalmente nas escolas de Educação Infantil, que a cada dia, infelizmente, vêm perdendo o espaço da brincadeira para uma intelectualização precoce das crianças. Muitas escolas de Educação Infantil, na maioria das vezes para agradar e suprir expectativas errôneas dos pais que acham que escola não é lugar de brincar, reduzem o tempo das atividades lúdicas para lançar conteúdos com uma complexidade maior antecipadamente para as crianças. O que resulta em crianças na Educação Infantil com mil obrigações: seus deveres de casa e de aula, inúmeras provas e testes. Elas já começam desde cedo a terem que ser as melhores, até em “vestibulinho” eu já ouvi falar! Sem contar com os pais que querem ocupar todo o tempo de seus filhos no intuito de “prepará-los” para o futuro e os colocam em todas as atividades possíveis: no balé, na natação, na aula de inglês, de informática, de judô, futebol, violão, jazz, ufa! Acreditem, existem crianças que não tem tempo para brincar! As de família rica não brincam porque são cheias de horários e obrigações a serem cumpridas. Por outro lado, as crianças de família pobre não brincam porque têm que trabalhar desde cedo para ajudar nas despesas de casa. De qualquer forma será sempre lamentável e triste ver uma criança que não sabe ou não pode brincar. É preciso reintroduzir o hábito da brincadeira na sociedade, nas escolas e famílias, e os profissionais de Educação Infantil podem e devem contribuir neste aspecto, a escola de Educação Infantil deve ser um lugar alegre, repleto de oportunidades para a criança aprender de maneira lúdica – além de muito amor e carinho, muita música, brincadeiras, brinquedos, jogos, sons, sensações, formas e cores que estimule sua imaginação, sua capacidade de criar e pensar sobre o mundo que se apresenta a sua volta. Brincar é importante, diria até fundamental. O brincar é a forma da criança aprender o mundo!

      Saber brincar, relaxar, ver a vida com alegria e leveza é importante até mesmo para nós adultos. É preciso refletir. Estamos vivendo no limite, estamos todos sempre muito aflitos e inseguros, para tudo tem que se tirar a maior nota ou não adianta. A vida está se resumindo numa bruta competitividade mecânica com uma única regra: ser o melhor de todos! E essa brincadeira não tem a menor graça, não estamos sabendo “brincar”, e se mal conseguimos criar novas regras para essa brincadeira melhorar e ficar divertida de verdade, não poderemos se quer mais imaginar um futuro melhor para nossas crianças.




*Texto de Érica de Campos - publicado em dezembro de 2010, na coluna Educação do jornal mensal A Voz do Lojista Meritiense - jornal de circulação no município de São João de Meriti/RJ.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Violência e escola – Poderia existir alguma relação?

Por Érica de Campos





É comum presenciarmos por parte dos alunos (em todos os níveis da educação), principalmente na rede pública de ensino, atitudes agressivas no ambiente escolar ou a violência propriamente dita contra a escola ou até mesmo contra as pessoas ali presentes. Mas isso pode ocorrer por quê? É possível que a atitude pedagógica de uma instituição escolar possa contribuir para o desenvolvimento do comportamento agressivo em seus alunos?
Bem, é notável que com o passar dos anos a violência vem crescendo nas classes desfavorecidas e de baixa escolaridade. A não inserção do indivíduo como ser pensante e formador de opinião coloca-o à margem da sociedade – o transforma em uma pessoa excluída. Em contrapartida, a escola, inserida nesta realidade, pode e deve buscar soluções para contribuir com a melhora desta situação. Ora, mas se acontece da escola não cumprir o seu papel principal que é o de formar e incluir o cidadão na sociedade, afirmando-o como ser atuante no mundo, que motivos terá este para valorizar e respeitar a escola – uma escola que o exclui, que o discrimina?







Muitas vezes não é perceptível, mas a violência parte primeiramente da escola contra os alunos. É preciso alertar e cobrar dos profissionais de educação uma maior atuação no tocante desta situação para que esta mude. Nem sempre o educador entende que está praticando determinada violência contra seus alunos, que pode se manifestar em pequenos gestos e atitudes ou até mesmo em constrangimentos. Mas é preciso se policiar, somos humanos – nossa sociedade é preconceituosa e é possível que cheguemos a reproduzir esse comportamento no ambiente escolar, segundo Paulo Freire “faz parte igualmente do pensar certo a rejeição mais decidida a qualquer forma de discriminação. A prática preconceituosa de raça, de classe, de gênero ofende a substantividade de ser humano e nega radicalmente a democracia.” - E é neste sentido que o educador deve direcionar seus atos. Essa violência contra o aluno é que na maioria das vezes gera a violência contra a escola: excluir um indivíduo de um direito que o tornaria um cidadão, pode culminar em uma futura marginalidade. O acesso real a educação e a cultura não deve ser privilégio de alguns, uma vez que a educação e a cultura, não só na teoria, deve ser para todos.
A escola nem sempre é atraente para o aluno, ignora-o ou simplesmente evita conhecer a realidade dele fazendo com que este se afaste, quando na verdade a escola deve ser um local que chame a atenção do aluno, produzindo um ambiente acolhedor e familiar. Esta falta de identificação obviamente também contribui para sua falta de interesse pela escola ou para promover uma atitude agressiva por parte desse indivíduo, que se manifesta de variadas maneiras, podendo ter como sinais desde um desentendimento bobo com colegas de turma ou funcionários à agressões mais sérias (verbais e ou físicas), depredação do espaço físico escolar, ou seja atitudes de desamor à instituição escolar gerando desrespeito às pessoas e ao ambiente pertencentes a este universo; chegando até mesmo à uma futura evasão escolar, questão esta preocupante que o poder público de nosso país ainda tenta solucionar.
Embora diversas campanhas e projetos visando diminuir essas situações na escola, infelizmente ainda são comuns, difícil mesmo é encontrar escolas que tenham e mantenham (pois por vezes faltam incentivos) uma atitude pedagógica que se preocupe com estas questões. Atitudes estas, dependendo do ponto de vista, até bem simples - que se baseiam em criar melhores oportunidades ao indivíduo de diálogo, diálogo este que obviamente irá facilitar o trabalho dos educadores, pois esse aluno se sentirá a vontade para expor seus medos e anseios, necessidades e opiniões: o seu mundo. Por sua vez a escola tendo o conhecimento necessário sobre este aluno para criar e recriar condições adequadas para ele se desenvolver de maneira que possa enxergar e entender, de uma vez por todas, a escola como um local de troca, de construção de conhecimento, de aprender que há direitos e deveres a serem cumpridos, de relacionamento interativo, um lugar que ele goste de estar e não um lugar de imposições e regras a serem obedecidas, o que sabemos há tempos (embora possa parecer menos trabalhoso para alguns) não resolve absolutamente nada.





*Leia Vigilância, punição e depredação escolar, de Áurea Guimarães. Neste livro ela analisa aquilo que foge das teias do poder do Estado, mas que, no final, acaba por alimentá-lo ainda mais. Ou seja o que Michel Foucault denomina de "micropoderes": pequenas instâncias discretas, quase invisíveis, que se revelam por meio de regulamentos, conselhos, avisos, proibições. Com base em pesquisa feita com alunos de escolas estaduais, em Campinas, a autora mostra alguns motivos que levavam os próprios alunos a danificar o prédio escolar. Nota-se que, sempre que ocorriam as depredações, a escola reforçava os mecanismos disciplinares que se encarregavam de ajustar comportamentos, neutralizando agitações, críticas e a organização espontânea dos alunos. É necessário ampliar o debate sobre até que ponto a escola simplesmente reflete o que acontece na sociedade, onde o poder disciplinar se apóia basicamente em técnicas de dominação, preparando os indivíduos para a observação passiva de normas, que são a expressão dos mecanismos de poder, controle, vigilância e punição.


*Texto de Érica de Campos - publicado em novembro de 2010, na coluna Educação do jornal mensal A Voz do Lojista Meritiense - jornal de circulação no município de São João de Meriti/RJ.


Ter ou não ter - eis a questão!

Por Érica de Campos




Posso até estar errada, mas creio que o ser humano pode vir a se tornar tão "coletivo" que por muitas vezes abre mão do SER para TER, ou melhor dizendo, para SER é preciso TER. Ter, somente para se sentir incluído, para fazer parte do grupo, para ter a "confortável" sensação de que faz parte do mundo. Infelizmente, o nosso mundinho capitalista, globalizado quer que todos nós, além de vestir, comer, falar a mesma língua, ter fé no mesmo credo, entre outras coisas mais, deseja que pensemos todos da mesma forma!


O consumismo nos torna seres incapazes de nos fazermos felizes e completos por nós mesmos, e acabamos por entregar a realização de nossa felicidade à satisfação das conquistas palpáveis. E não são só os adultos que estão impregnados com o vírus do consumismo. Atualmente é perceptível o aumento de crianças cada vez mais consumistas, sem nenhum limite - é preciso ter celulares (um só já não é mais suficiente!), roupas e calçados das marcas mais caras (geralmente iguais as de seus ídolos midiáticos), máquinas fotográficas digitais, laptops, mp3, 4, 5, 10, 1000! Pendrives, games, TV's, ipods, enfim, tudo de última geração! E se você não tiver, sinto muito! Você está fora da realidade, não está inserido no mundo! Quem será você?!



Mas não devemos ser radicais. O problema não está na tecnologia. A tecnologia é totalmente útil, tendo como função facilitar nossa vida, é fruto de inúmeros estudos, do esforço de muita gente! O que não poderia estar ocorrendo é essa banalização, é o não saber utilizar ou utilizar de forma burra, é esse excesso, é esse culto ao consumismo exacerbado quando vivemos em um mundo onde milhares de pessoas ainda morrem de fome!
Por essas e tantas outras razões, observo e penso muito sobre a forma que a Internet tem sido utilizada por crianças e adolescentes, pois estes, em processo de formação (em muitos sentidos) são bem mais vulneráveis à manipulações. Creio que ter acesso à Internet (que nos traz o mundo para você com um clique) não é tão simples quanto parece, é preciso orientação, pois se as mídias mais simples (rádio, televisão, jornal, revista, etc.) podem induzir tanto e de diversas formas, imaginem a Internet, tão mais sedutora! A Internet, esta filha mais famosa da tecnologia recente e que se tornou uma forma de mídia, aliás, multimídia, tem um “poder” muito maior de convencimento, e a  cultura do TER em detrimento do SER pode ser amplamente difundida sem ao menos percebermos.
O acesso crescente à Internet cresce em nosso país. E o interessante seria usarmos este fato, ou seja, a própria Internet, para ir contra essa cultura do consumir por consumir. A maioria das pessoas simplesmente a utilizam, por mero entretenimento inútil (não que eu seja contra o entretenimento, aliás todos precisamos!), e por muitas vezes, os próprios pais introduzem seus filhos nesse mundo colorido e vazio sem nenhuma orientação. Nenhum pai ou mãe dá comida estragada à seus filhos, o mesmo deveria ser feito ao colocarem seus filhos frente à Internet: o ideal seria que os pais pesquisassem e selecionassem as páginas para seus filhos, uma vez que existem inúmeras de qualidade dedicadas à crianças e adolescentes, dedicadas à educação. Talvez, esteja nas mãos de alguns educadores mais conscientes promover uma mudança de hábitos na utilização da Internet, não que seja esta exclusiva responsabilidade deles! Mas, atualmente, não se pode mais pensar em educação sem pensar na utilização das tecnologias para auxiliá-la. Penso que é dever de todo e qualquer educador buscar e produzir fontes de conhecimento que façam com que os educandos criem seu próprio pensamento crítico em relação ao que é colocado para ele, não é possível que se aceite tudo sem pensar antes sobre o porquê e a necessidade das coisas. A Internet e seus bilhões de informações instantâneas está presente no cotidiano, não se pode mais negar o fato. E é preciso ensinar aos nossos educandos à usar este recurso de maneira mais responsável e útil. Ensiná-los à filtrarem o que eles julgam ser benéfico e ou necessário ou não, segundo o que eles são e vivem, segundo a realidade do mundo; mostrar todas as hipóteses e possibilidades, pontos de vistas e a partir daí, pensar, analisar e chegar a uma conclusão, ainda que não seja definitiva (pois nada é definitivo), mas chegar a esta com seus méritos sem ser passivamente influenciado. E isso (acreditem!) é totalmente possível na Internet, onde pessoas isentas de compromisso com grandes corporações, deixam suas idéias expostas para qualquer um acessar, onde qualquer pessoa pode participar com inúmeros pontos de vistas diferentes. É fato que existe muita coisa de má qualidade, mas em contrapartida, há muita coisa de excelente qualidade também. Por isso torno a repetir, o segredo está na orientação e criação de maneiras diversas de ensinar ao nosso educando a buscar e filtrar as informações da maneira mais útil possível. Utopia? Depende. Que seja um único educador, que ao ler este texto tente criar formas de mostrar aos seus educandos que é possível pensar por si próprio, que a diversidade faz parte da vida, mostrando que é possível despertar o pensamento crítico; e se de seus alunos apenas um compreender e passar a construir e viver por suas próprias opiniões, querer SER ao invés de TER, nossa! Serei alguém muito feliz no que me propus a fazer: ser uma EDUCADORA, antes de qualquer coisa.




* Assista o documentário brasileiro Criança, a alma do negócio da cineasta Estela Renner, que através de gravações de depoimentos de crianças e seus responsáveis, faz uma reflexão sobre como as crianças estão se tornando cada vez mais consumistas. O documentário pode ser assistido na íntegra no site do Instituto Alana, que mantém o Projeto Criança e Consumo com notícias e informações sobre a temática, além uma biblioteca vasta sobre o assunto.



Primeira parte do documentário brasileiro Criança, a alma do negócio da cineasta Estela Renner, que está disponível no YouTube dividido em seis partes.
Assista e DIVULGU!



*Texto de Érica de Campos - publicado em outubro de 2010, na coluna Educação do jornal mensal A Voz do Lojista Meritiense - jornal de circulação no município de São João de Meriti/RJ.