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sexta-feira, 31 de maio de 2013

Videogame faz mal?




  Já escrevi aqui no blog sobre minha opinião a respeito dos videogames em Games e Educação - Uma parceria para a melhora do processo ensino-aprendizagem. Quem me conhece sabe que amo videogame e que sempre estou envolvida com o enredo de algum jogo. Defendo os jogos eletrônicos porque não acredito, ainda diferente da maioria dos educadores e responsáveis, que eles possam ser uma ameaça à educação, ao contrário, esses jogos podem ser aliados fortíssimos no processo ensino-aprendizagem. Eu mesma já aprendi muito com eles, abri a mente para diversas culturas diferentes da minha,  pois o conhecimento também se dá em espaços fora dos muros escolares.

  Hoje me deparei com uma matéria de  Iana Chan do site Educar para Crescer, publicada no dia 23/04/2013, interessantíssima entrevista com a Pedagoga Lynn Alves, especialista em Educação e Tecnologia, sobre o tema e gostaria de compartilhar aqui no blog, uma vez que esse tema ainda de certa forma é um tabu para a sociedade em geral, acho válida toda tentativa de eliminar os preconceitos e mitos que envolvem os jogos eletrônicos que não estão englobados nos chamados jogos educativos. 

   Segue abaixo o texto, com alguns links acrescentados.



Videogame faz mal para as crianças?

  Lynn Alves, especialista em Educação e Tecnologia, mostra que os jogos eletrônicos são mais do que puro entretenimento e não determinam comportamentos violentos

  No computador, no celular, na televisão, no console portátil... Os jogos eletrônicos estão em todos os lugares e fazem a cabeça não só de crianças e jovens, mas também de muitos adultos. Seu filho com certeza passa algumas (ou muitas) horas por semana na companhia desses jogos. Será que isso é motivo de preocupação? Jogos eletrônicos podem mesmo levar a comportamentos violentos ou solitários? Atrapalham os estudos?

  A professora da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e especialista no assunto Lynn Alves defende que não. Diversas pesquisas acadêmicas já desmentiram esses mitos e reconhecem o potencial de aprendizagem dos games, além de sua importância como entretenimento cultural, desde que não se tornem um vício, claro. "Mesmo os games comerciais, ditos não-educativos também podem contribuir para o desenvolvimento de diversas habilidades cognitivas, como interpretação de problemas e tomada de decisão", explica. 

  Em sua tese de doutorado, Lynn analisou a famosa associação entre jogos e comportamentos violentos. Ela descobriu que os jogos são uma oportunidade para os jovens trabalharem seus medos, desejos e frustrações. É como se eles realizassem essas emoções sem precisar correr riscos. E é por isso que os pais devem acompanhar de perto a relação de seus filhos com os jogos: eles não determinam comportamentos violentos, mas podem potencializar algo que já existe na criança. "Se a criança ou jovem apresenta um comportamento violento quando joga", orienta Lynn, "ela está sinalizando que algo não vai bem, e os pais devem investigar se aproximando do filho ou procurando um especialista."

  A popularidade dos jogos eletrônicos está sendo aproveitada inclusive pelas escolas e essa é tendência importante que os pais devem acompanhar. Lynn também coordena o grupo de pesquisadores da UNEB, que, dentre outras coisas, desenvolve jogos com fins de aprendizagens. O mais recente deles,  Búzios - Ecos da Liberdade, é um jogo de aventura que trabalha a Revolta dos Alfaiates, movimento histórico baiano. A estratégia desperta no aluno o desejo por novas informações sobre o conteúdo. "Ele não aprende só no jogo, mas é instigado a ampliar as informações", explica Lynn. 

Confira as orientações da especialista na entrevista:

►Os pais devem se preocupar com jogos eletrônicos?

Lynn Alves: Os pais sempre trataram o videogame como puro entretenimento e, por isso, o tempo gasto com essa atividade era visto como desperdício ou, então, consideravam os jogos violentos demais, e isso supostamente influenciava as crianças negativamente. Essa visão é extremamente maniqueísta, mas está mudando. Um estudo nos Estados Unidos mostra que os pais já conseguem perceber que os jogos podem se transformar em aprendizagem. 

  No Brasil, ainda há uma parcela de pais desconfiados. As pesquisas acadêmicas estão ajudando nesse trabalho de conscientização, mostrando o potencial pedagógico e de aprendizagem dos games. O aspecto do entretenimento também é importante, jogos como o Minecraft  [em que os jogadores coletam matéria-prima para construir com blocos qualquer coisa] provam que é possível aprender por meio da diversão.


►Como os jogos eletrônicos contribuem para o desenvolvimento de crianças e jovens?

Lynn Alves: Os jogos eletrônicos desenvolvem diversas competências e habilidades cognitivas, além de trabalharem aspectos afetivos das crianças e jovens. Todo jogo propõe um problema a ser resolvido. Para tal, o jogador precisa imergir no universo, sondá-lo e conhecê-lo, estabelecer metas para alcançar o objetivo e verificar quais são as ferramentas disponíveis para solução. Tudo isso exige planejamento estratégico, antecipação, negociação, criatividade, imaginação e até coordenação motora. Além disso, os jogos são espaços de sociabilidade e elaboração de conflitos, medos e angústias. Em jogos coletivos, por exemplo, é preciso colaboração e cooperação para alcançar um objetivo.


►Os jogos eletrônicos são capazes de determinar atitudes violentas?

Lynn Alves: A mídia fomenta essa visão: os acontecimentos violentos, como o massacre dos estudantes em Columbine, são prontamente associados ao fato de o criminoso jogar videogame. A violência é um fenômeno mais complexo, que envolve questões sociais, econômicas, culturais, políticas e afetivas... 

  Não existe uma relação de causa e efeito entre jogos e comportamentos violentos. Se um jovem lidar com qualquer mídia (filme, série ou jogo) violenta e apresentar uma atitude violenta, é preciso investigar. Ele está sinalizando que algo não vai bem e os pais devem investigar se aproximando dele ou encaminhando a situação para um especialista. O jogo não é capaz de determinar um comportamento violento, embora possa, sim, potencializar algo que já existe. Os adolescentes vão dando sinais e a gente não se dá conta...


►Como os pais podem garantir o uso saudável dos jogos eletrônicos?

Lynn Alves: Eles devem ficar atentos aos conteúdos dos jogos com os quais a criança interage. Os pais precisam conhecer. Ele deve questionar como seu filho compreende o conteúdo presente no jogo, as questões ideológicas, as éticas, as de gênero etc. Perguntar "o que você está entendendo deste jogo?". Outra dica é se aproximar do universo dos jogos, pesquisando, e criar um relacionamento mais próximo com seu filho.


►Como os pais podem identificar um jogo de boa qualidade?

Lynn Alves: Hoje temos um universo de conteúdo disponível. Se o pai quer estar a par do mundo dos jogos e participar, ele pode entra no Youtube para ver e pesquisar. Ele pode também pesquisar em fóruns a opinião dos próprios jogadores. Há um banco de dados enorme disponível que os ajuda a conhecer e saber se o conteúdo é adequado ou não para o filho dele. 

  O Ministério da Justiça disponibiliza a classificação indicativa de cada jogo. Entre as características a serem observados, destaco a história do jogo, a narrativa, a jogabilidade (facilidade em jogar), as cenas e o conteúdo. Os pais precisam avaliar se seu filho já é maduro o suficiente para lidar com essa.


►Quais são as vantagens de utilizar um jogo educativo nas escolas?

Lynn Alves: Na verdade, trabalho com a ideia de qualquer jogo pode ser educativo, inclusive os jogos comerciais. O que temos hoje são jogos com fins educacionais, que trabalham conteúdos escolares. Com eles, a aprendizagem se torna mais lúdica e prazerosa. O aluno não aprende só no jogo, mas é instigado por ele a buscar novas informações sobre o conteúdo. O jogo pode consolidar o conteúdo que já foi iniciado pela escola. Além de despertar o interesse, o jogo traz ganhos afetivos e sociais, tornando as crianças mais autônomas e cooperativas.

É possível, por exemplo, trabalhar conceitos da Física a partir de Angry Birds [popular jogo de ação em que é preciso lançar pássaros por meio de um estilingue para acertar porcos verdes] ou ver conceitos históricos por meio de jogos como Call of Duty ou Assassin’s Creed [famosos jogos de tiro e ação-aventura, respectivamente].


►Quais são os principais desafios para ainclusão dos jogos eletrônicos nas escolas?

Lynn Alves: Os desafios são enormes, desde a falta de tecnologia, passando pela formação dos professores e também pela questão cultural. Procurei escolas para participar do edital do nosso jogo e muitas recusaram. Fazer isso dá muito trabalho, porque envolve sair do lugar. Os professores precisariam pensar e repensar a prática a partir da interação do jogo, refazer o cotidiano da sala de aulas... A maioria das escolas já tem o laboratório, mas é preciso oferecer cursos que formem os professores, discutindo práticas educacionais e pedagógicas. Se não for assim, não acontece.



►Mais informações:

Sobre Lynn Alves
Sobre Classificação Indicativa: Guia Prático


sábado, 3 de novembro de 2012

Entrevista para Canal Futura: Audiovisual e Educação Infantil na TV!



  No dia 1 de novembro foi ao ar no Canal Futura a entrevista que dei ao Jornal Futura - 3º bloco. 

  A reportagem é sobre a Escola Livre de Cinema de Nova Iguaçu, e na entrevista falo como ex-aluna e sobre como isso teve influencia em minhas práticas em sala de aula, sobre como venho feito essa coisa de misturar conteúdos do currículo com o audiovisual na Educação Infantil... Eu fiquei muito feliz com a experiência e a possibilidade de mostrar que trabalhar audiovisual na Educação Infantil para além do puro entretenimento é possível, e o mais importante, minhas crianças amaram fazer parte disso tudo! 

  Na reportagem há entrevistas também com o pessoal da Escola Livre de Cinema de Nova Iguaçu: Marcus Faustini (idealizador da Escola), Diego Bion e Luana Pinheiro, mostrando todo o funcionamento dessa Escola que é um arraso e sempre vai morar no meu coração!


►Confiram o resultado (a partir de 2 min e 55 seg):





domingo, 7 de outubro de 2012

Entrevista para o Canal Futura: Making of!





  No dia 4 de outubro  a equipe do Jornal Futura fez uma visita à minha turminha, afim de conhecer o que tenho feito misturando o audiovisual com a Educação Infantil em minhas práticas em sala de aula.

  Tudo começou quando o Canal Futura estava fazendo uma reportagem sobre a Escola Livre de Cinema de Nova Iguaçu, que sabendo que tenho usado o audiovisual em sala como proposta para ampliar o trabalho pedagógico, entrou em contato comigo perguntando se eu queria dar uma entrevista para o Jornal Futura, como ex-aluna deles. Claro! Topei na hora! Falei com a Direção e entramos em contato com a SME/RJ, que liberou a ida da equipe pra assistir uma aula minha usando o audiovisual.

  Com as devidas autorizações de imagem dos pequenos em mãos, chegou o dia. Todos ansiosos, eu e toda a equipe do EDI Renan de Souza Leal, que recebeu muito bem a novidade e torceram pra que tudo funcionasse bem, me acalmando principalmente!

  Muita apreensão até a chegada da equipe que demorou um pouco pra achar nosso EDI. Mas enfim eles chegaram! E a criançada ficou super a vontade, o que me surpreendeu, pois achava que eles iam ficar muito agitados com a presença de uma câmera em sala. O que me deixou toda orgulhosa e feliz, pois vi que a conversa que tivemos antes, sobre o que iria acontecer, sobre a presença da equipe do Canal Futura querer  conhecer a gente e como são nossas aulas, funcionou muito bem. A verdade é que eles adoraram e participaram bastante da aula, o que foi muito positivo.

  Como já mencionei aqui no blog, gosto muito de trabalhar com com o audiovisual para além do mero entretenimento. E especificamente  em relação aos curtas animados, acredito que além da linguagem da animação ser por si só um super atrativo e facilitador para a aprendizagem prazerosa, estes sejam excelentes ferramentas de trabalho em turmas de Educação Infantil, uma vez que é difícil prender a atenção de crianças nessa faixa etária por mais de trinta minutos sem interrupção.

  Para essa aula escolhi como tema a ser trabalhado o trânsito, uma vez que já estava começando um trabalho com eles sobre meios de transporte, achei que funcionaria bem já fazer uma ponte com o tema. Lembrei logo de uma animação que tinha guardado que problematiza muito bem o trânsito nosso de cada dia, e mesmo sem nunca ter passado esse curta para a turma (e eu nem imaginar se realmente ia funcionar com eles), resolvi ouvir minha intuição e arriscar.

  Pois bem, o curta de animação escolhido para nortear a aula foi "A ilha", de Alê Camargo (2008), que é um curta muito bem humorado que retrata as dificuldades que podemos passar em uma sociedade com o trânsito cada vez mais caótico.

  Assistimos o curta e não poderia ter sido melhor. As crianças se identificaram na hora. Se assustaram, se emocionaram, torceram para que Edu (personagem) conseguisse atravessar a rua, dançaram junto, riram em suas tentativas falhas e vibraram quando enfim Edu atravessou a rua. A interação foi muito grande!
























Assistam "A Ilha", de Alê Camargo (2008):




  Após assistirem o curta, a gente conversou. Aproveitei bem as partes em que as crianças mais se identificaram e algumas cenas do curta para problematizar situações do cotidiano, tais como: "Por que ele não conseguia atravessar a rua?", "Quando podemos atravessar a rua?"; "Ele conseguiu atravessar a rua?"; "Demorou muito ou foi rápido?"; "Como ele conseguiu atravessar?"; "Alguém o ajudou?"; "Quem sabe o que é semáforo?"; "Que cor apareceu no semáforo para ele atravessar a rua?"; "Que cor do semáforo indica que os carros podem passar?"; "Os carros não pararam em cima daquelas faixas brancas na rua, alguém notou?"; "Para que serve a faixa de pedestres?"; entre outras, dependendo do que era dito pelas crianças.

  Depois que todo mundo já sabia bem pra que que servia o semáforo, partimos para construir um nosso.  Aproveitando também para trabalhar cores e formas geométricas. Dividi a turma em grupos e assim o confeccionamos com cartolina, tinta guache e restos de EVA:
  • 01 Retângulo de cartolina: pintura com tinta guache preta
  • 03 círculos: colagem com EVA picado (vermelho, amarelo e verde - uma para cada círculo)

  Enquanto confeccionávamos nosso semáforo, com a ajuda indispensável das minhas AAC's Andreia e Telma, partimos para as entrevistas. Primeiro fui eu e depois as crianças, quase todas falaram um pouquinho, mas a maioria ficaram muito tímida frente ao microfone, demorou mas alguns resolveram falar sobre o que aprenderam na aula.





  Após as entrevistas o pessoal do Canal Futura se despediu da criançada. Eles foram super gentis e simpáticos e também adoraram as crianças. Foi uma manhã super divertida e produtiva, aposto que ninguém mais vai esquecer esse dia tão diferente...

  Na parte da tarde partimos para montar nosso semáforo. Escolhemos um lugar e lá fomos nós enfeitar nossa parede com mais um trabalhinho. Todo mundo já sabia o que era semáforo e pra que serviam suas cores; todo mundo já sabia o que era círculo e o que era retângulo. Então fomos assistir mais uma vez o curta (na verdade algumas vezes! Todo mundo pedia bis!) e se divertir com a história do Edu.


Agora estamos ansiosos para ver a entrevista no Jornal Futura. 
Assim que for ao ar, divulgo aqui!