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sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Trabalhando com Curtas Animados - Vazio e Cheio


  Uma das minhas melhores e divertidas ferramentas para pesquisar para planejar minhas aulas é o YouTube, onde raramente não encontro material que tenha haver com os conteúdos que pretendo trabalhar. Assisto o material e vou conectando este com os possíveis conteúdos que posso aplicar em sala, baixo o que me interessa e espero a oportunidade para trabalhar com as crianças.

   Geralmente procuro curtas animados, pois acredito que além da linguagem da animação ser por si só um super atrativo e facilitador para a aprendizagem prazerosa, estes sejam excelentes ferramentas de trabalho em turmas de Educação Infantil, uma vez que é difícil prender a atenção de crianças nessa faixa etária por mais de trinta minutos sem interrupção.

   Dessa vez o curta animado escolhido foi "Pacifier", de  Konstantin Bronzit (Rússia - 1993), com 1min e 03 seg, a animação fez um verdadeiro sucesso na minha turminha. Rola bis toda hora! Vejam o que acham dele:





    Antes de assistirmos o curta, quis aguçar o raciocínio deles usando bexigas coloridas. Enchendo-as e esvaziando-as, observamos juntos o que acontecia no processo, o que acredito ter facilitado em parte o entendimento das crianças quando assistiram o curta.

   Com essa aula, além de trabalhar o conteúdo central CHEIO/VAZIO proposto pela aula, pude trabalhar também em cima de questionamentos e observações que surgiram e deram margem a temas diversos, entre eles: Cores (Quais as cores das chupetas?); Gênero (masculino - quando notaram que "Ele tá pelado!");
Posição - em cima/embaixo (Onde o bebê joga areia?); Verdadeiro/falso e resolução de problemas (O que aconteceu quando um bebê tirou a chupeta do outro? Qual bebê era verdadeiro? Por que?).

   Também foi possível trabalhar tamanho; Dentro/fora (ar tirado do ambiente - fora, colocado para dentro - pulmão, e colocado na bexiga - dentro); Leve/pesado (ao brincar com as bexigas e sentir seu peso); Aplicação de força e jeito (ao colocar o ar para dentro) na hora de encher as bexigas.

    Enfim, filosofamos bastante e depois nos divertimos ainda mais enchendo bexigas para brincar!


Curtam a nossa aula!

Filmagem



Fotografias

Enchendo as bexigas...






E brincando com elas...



quarta-feira, 22 de junho de 2011

Art Scan de Marcelo Camelo: Inusitada, simples e bela

A Art Scan de Marcelo Camelo


"...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?

..."
Tabacaria, Álvaro de Campos



    ♪ ♫ "Pois é..." ♫♪ "Neste momento/Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios" pelo mundo, mas como apenas alguns poucos tem o privilégio (sorte ou destino?!) de por em prática e ou de ter reconhecidas suas aspirações, essa postagem vem mostrar algo que achou olhos de gente, ao menos os meus, para realizar-se como arte!

    Marcelo Camelo, cantor e compositor carioca, já se tornou figurinha carimbada na mídia brasileira. Se você não é fã (dele ou da magnífica e falecida banda Los Hermanos), ao menos já deve ter ouvido falar dele ou talvez ter visto sua cara barbuda por aí, na TV ou em alguma revista.

    Mas essa postagem não é para falar de sua carreira musical, isso fica para uma próxima. Estou aqui para falar de Marcelo Camelo e sua inquietude artística que vai muito além da música. Estou aqui divulgar uma experimentação dele com arte visual - uma viagem que ele anda fazendo com fotografia de scanner. O cara realmente é um artista supreendente, está sempre inovando, buscando sempre "algo mais". Depois que o Los Hermanos findou, ele já fez  Os Imprevisíveis, está no segundo álbum solo, este com uma maravilhosa parceria com a banda paulistana Hurtmold, tem um projeto super criativo chamado Orquestra YouTube (onde ele faz experimentação sonora com as possibilidades que o YouTube traz - aliás, acho que isso teve sua gênese com Os Imprevisíveis), e ainda sua Scan Art. Particularmente gostei muito desta, tanto do resultado quanto da originalidade simples da ideia, achei que tinha tudo haver com a proposta do blog e aqui estamos.

    Fiquei sabendo dessa viagem quando assisti o The Creators Project do Marcelo Camelo (em sala de aula, em um curso que faço na Escola Livre de Cinema de Nova Iguaçu). Para quem não sabe, o The Creators Project, criado em 2010 em parceria com A Intel e a Vice, como lá mesmo é colocado,  é "uma rede global dedicada a celebrar a criatividade, cultura e tecnologia." que tem como objetivo principal "ser um canal moderno de mídia que identifica e celebra continuamente a obra de artistas visionários onde quer que estejam. [...], e funcionar como um estúdio de criação de conteúdo". Ou seja, é uma espécie de miscelânea artística interessantíssima de tecnologia, cultura e criatividade, envolvendo todo tipo de eventos e criações do mundo inteiro: moda, música, cinema, fotografia, pintura, design, games, enfim, tem de tudo, dos artistas mais famosos aos mais desconhecidos.

    Mas como eu ia dizendo, assisti o vídeo do Marcelo e gostei muito, a maneira como foi feita o vídeo - uma entrevista bastante natural, que nos passa a sensação de que ele se sentiu bem a vontade para dizer o que pensa, desde como a tecnologia influencia em suas produções artísticas até sua opinião sobre o comportamento mercado fonográfico atual, chegando finalmente a apresentação de sua arte experimental: ele vai mostrando como desenvolve seus vídeos do YouTube e como produz as imagens com o scanner.




Em entrevista à Rolling Stone (edição 29 de fev.2009), Marcelo Camelo diz: 
"São [fotos] tiradas no scanner. Não tem nenhuma pós edição a não ser uma leve sintonia de cor, tipo esquentar um pouco ou esfriar um pouco, mas as loucuras são feitas alterando os próprios parâmetros da máquina antes de escanear e usando o vidro do scanner como tela


Imagens da entrevistadora no Creators Project do Marcelo - Ele coloca um pouco de purpurina no scanner, dá uma ajeitadinha e depois coloca o rosto dela e escaneia. A técnica é simples, diria eu intuitiva, inusitada... Pura criação. Bom mesmo de ver: Tudo muito original e belo!


     Para mim está claro que na cabeça de Marcelo Camelo a tecnologia nem de longe assusta, pelo contrário. Como ele disse, "o caminho da tecnologia é virar o instrumento facilitador.". E é exatamente assim que penso, é assim que todos deveriam pensar. A tecnologia, como muitos colocam, não está para destruir a "moral e os bons costumes", está para ajudar a humanidade a ter uma vida melhor - em todas as áreas, até mesmo nas artísticas! Se a presença da tecnologia está nos deixando cada vez mais consumistas e egoístas, devemos rever e repensar nossas relações com a própria tecnologia, com as pessoas e o mundo. Não é a tecnologia que está criando pessoas cada vez mais ambiciosas, paranoicas e isoladas. São as pessoas que usam a tecnologia para se isolar do mundo, para parecer o que não são, para enganar, para se iludir. São as pessoas que estão usando a tecnologia para usar de forma indiscriminada os recursos do meio ambiente. São as pessoas que inventaram a guerra, o sistema. São as pessoas que estão perdendo a capacidade de se relacionarem saudavelmente, e isso não tem nada haver com a tecnologia, tem haver com o rumo do comportamento humano, mas isso é outra história...



Super criativo, empolgante e viajante. 
Detalhe: tudo isso já vem desde 2008 e eu nem imaginava que estava rolando! 
Espero que também gostem e se inspirem.

Aqui você assiste: The Creators Project do Marcelo Camelo




Segue abaixo, vídeos relacionados:


Vídeo clipe viajante da banda Os Imprevisíveis
e músicas no perfil do MySpace


"Tocando Internet", Marcelo Camelo - Vídeo da Orquestra YouTube
Esse foi o que mais gostei, mas você pode encontrar outros vídeos da Orquestra YouTube no perfil do YouTube passageiro29 e informações no perfil do MySpace


Pedagogicamente podemos trabalhar...

É possível desenvolver projetos pedagógicos a partir do exemplo dessas experimentações do   Marcelo Camelo. Trabalhos coletivos ou individuais podem render ótimas feiras culturais e ou artísticas nas escolas, além de desenvolver o pensamento crítico, o olhar artístico e a capacidade de abstração nos alunos. Projetos estes que envolvam:
Criação de som -  Se possível algo que envolva identificação e captação de sons e ruídos. Podendo usar meios simples, como gravadores de celulares por exemplo, mp3, coisas do tipo para captação e um computador com algum programa que dê para editar som e imagem (com o Movie Maker já dá para criar);
Criação de imagens - Não precisa ser necessariamente com o scanner, se bem que seria ideal, mas pode ser usada também a própria fotografia comum e ser feita intervenções nela, com programas de edição de imagem (como Photoshop por exemplo). Mas acho que seria mais criativo e divertido usar materiais "por cima da foto". Poderiam ser usados diferentes materiais para a criação. Tendo criatividade na ideia, o resto é simples: com tinta, cola colorida, recorte e colagem, papel crepom, papel laminado, purpurina, enfim, tudo é possível;
Debates e seminários sobre a utilização da tecnologia e seu papel na sociedade também cabem aqui. Ou até mesmo discutir se é válido usar a tecnologia para produzir  Arte. Aliás, podem surgir questionamentos bastante válidos, tais como: Qual o papel da tecnologia na sociedade? Estamos usando a tecnologia de maneira benéfica ou maléfica? O que é Arte? É possível fazer Arte usando tecnologia? E por aí vai.

    As temáticas são claramente interdisciplinares: experimentação com música e artes plásticas e visuais, podendo esse projeto passar por disciplinas como a Informática Educativa, Português, Música, Educação Artística, História, ou seja, é possível mobilizar uma escola inteira se quiser. O fato é que o compromisso e a criatividade é fundamental em projetos que trabalham com experimentação, o estímulo desta principalmente. E como primeiro passo para esse estímulo, para entrar no clima, é uma ótima pedida passar o vídeo do Creators Project do Marcelo Camelo para a turma assistir. E como culminância do projeto não há nada melhor para sugerir do que uma feira cultural.
      Para mostrar que é possível, aviso que já tem gente usando a experimentação de Marcelo Camelo, a partir da exibição do vídeo dele, uma turma da Escola Livre de Cinema de Nova Iguaçu (não é porque sou aluna de lá não, mas essa escola possui uma das melhores propostas pedagógicas que conheço - em breve farei uma postagem sobre isso!) fez uma aula de "Art Scanner". O resultado foi ótimo e se quiser conferir é só acessar  Ideia na caixola.                  
        Aqui fica minha sugestão. Espero que aconteçam bons resultados.



►Um pouco mais de links:

Entrevista com Marcelo Camelo para a Rolling Stone em abril de 2011