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domingo, 10 de agosto de 2014

"O Farol", uma relação de amor entre pai e filho





   Para o dia de hoje, em homenagem à todos os pais (e mães, tios e tias, irmãos e irmãs, vovôs e vovós que por vezes também se tornam "pais"), gostaria de compartilhar um curta animação emocionante e super premiado.

   "O Farol" (2010), de Po Chou Chi, com composições de Chien Yu Huang, conta a história de um pai e seu filho que moram em um farol unidos por um intenso amor.

  Impossível assistir "O Farol" e não pensar em meu pai, em minha família e se emocionar... Em pouco mais de sete minutos, a animação nos faz refletir profundamente sobre o universo da família imerso na passagem do tempo: sobre os ciclos da vida. Nos toca de maneira única através da relação entre pai e filho (repleta de respeito, carinho e admiração), que se desenvolve firme, vencendo barreiras como  a distância e o tempo. Tempo este que simboliza de maneira sutil, paralelamente, o crescimento do filho e o envelhecimento do pai. Porém, é através da força que os laços do afeto e do amor constroem, que sempre irá existir, sinalizados por um farol eternamente ali erguido, um rumo certo a seguir. Seja na hora da partida ou na hora da chegada.






"Essa é uma história sobre os pais apoiarem os seus filhos para transformar sonhos em realidade. Porque não importa o que aconteça, os pais serão sempre à espera de seus filhos, assim como o farol iluminando sempre para os barcos."
Po Chou Chi


► Assista e se emocione com "O Farol":





*Po Chou Chi nasceu em Taiwan e hoje vive em Los Angeles, EUA. Mais sobre o artista e seu trabalho em seu blog: http://mangoning.blogspot.com.br/

sábado, 21 de dezembro de 2013

Quem disse que os pequenos não entendem de arte?!



    Na última semana de aula com a minha turminha, já com o coração apertado prevendo as emoções que estavam por vir nas festividades e despedidas do ano letivo, recebi uma cartinha de Thaís Orsino, mãe de Leandro (aluno da minha turma - EI 31, Maternal II) do EDI Renan de Souza Leal no ano de 2013) sobre as impressões que ela teve sobre o desenvolvimento de seu filho em relação ao projeto "Fazendo Arte com Tarsila", que trabalhamos esse ano com as crianças sobre as obras de Tarsila do Amaral. E ao ler em voz alta pra minhas agentes, Telma e Andrea, nos emocionamos juntas... Sabe aquela sensação de dever cumprido? Sabe aquela sensação de que estamos no caminho certo? Sabe quando as energias e esperanças se renovam para mais mil anos de trabalho? Sabe, sentir alegria e realização? Pois é, foi desse jeito que ficamos após lermos o relato da Thaís...

    E foi por acreditarmos que a Arte é fundamental em nossas vidas, que a Arte deve e precisa estar em sala de aula, que a Arte é sim um caminho cheio de positividades e conhecimento, e que para fazer/apreciar Arte não há idade precisa, decidimos compartilhar esse relato com o mundo. Segue abaixo as palavras com as quais Thaís nos presenteou:


Leandro, na nossa releitura da obra "O Vendedor de Frutas", de Tarsila do Amaral.

    Certo dia, assistindo TV com meu filho, passou um comercial que falava sobre Tarsila do Amaral. Sem prestar atenção ao comercial, meu filho insistiu para que eu assistisse e chegando ao fim do anúncio apareceu uma foto da Tarsila e sem nem pensar ele logo disse: "Mãe, aquela é a Tarsila do Amaral! Lá na escola a Tia Érica faz um montão de desenhos dela pra gente pintar!" - Achei incrível o meu pequeno reconhecer a autora de grandes obras.


Leandro, em sala de aula, durante as atividades do
Projeto "Fazendo Arte com Tarsila"
  
    Em uma outra ocasião a tia dele estava estudando e ele pegou um dos livros dela para olhar as figuras e de cara ele reconheceu uma e perguntou: "Tia, você sabe que desenho é esse?" e a Tia disse: "Leandro, eu não sei não. Pergunta a tua mãe.", ele levantou com o livro nas mãos e falou indignado: "Tia tu é burra? Esse é o Abaporu da Tarsila do Amaral, não sabe não?!", a Tia riu e logo me chamou e perguntou como ele sabia o nome e quem fez aquele desenho. Eu disse que na escola do leandro tinha um projeto de Artes falando sobre as obras da Tarsila do Amaral e a Tia dele achou muito legal.




    Isso é mais uma das provas de que vale a pena investir no conhecimento dos pequeninos e que esse investimento terá sim retorno, e por sinal bem positivos.

   Agradeço a predisposição da Professora Érica e de suas agentes, pois não é em qualquer lugar que encontramos pessoas que ainda acreditam no valor da arte e no que ela pode oferecer para o futuro dessas crianças.

   Parabéns pelo grande trabalho que fizeram!

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Palestra: A escuta da criança vítima de abuso sexual no Juízo de Familia



CENTRO DE ESTUDOS E PESQUISAS

EMERJ - FÓRUNS PERMANENTES

CONVITE

   A Diretora-Geral da Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro - EMERJ, e a Presidente do Fórum Permanente sobre Direito de Família, Desembargadora Katya Maria Monnerat, convidam para a palestra: “A escuta da criança vítima de abuso sexual no Juízo de Familia”, tendo como palestrantes o Professor Benedito Rodrigues dos Santos, Consultor da Childhood Brasil para o Projeto Depoimento Especial, Professor e Pesquisador da Universidade Católica de Brasília e Dra. Rosana Morgado, Professora e Pesquisadora da Escola de Serviço Social da Universidade Federal do RJ. 
  O evento realizar-se-á em 29 de junho de 2012, das 10:00 às 12:30hs, no Auditório Antonio Carlos Amorim , sito na Av. Erasmo Braga, 115, 4º andar, Centro-RJ,

   Serão concedidas horas de estágio pela OAB/RJ para estudantes de Direito participantes do evento.

   Poderão ser concedidas horas de atividade de capacitação pela ESAJ aos serventuários que participarem do evento (Resolução 17/2006, art.4º, inciso II e § 3º, incisos I, II e III- Conselho da Magistratura).


►Informações: Secretaria da EMERJ: 3133- 3369 e 3133-3380
►Inscrições - gratuitas (vagas limitadas): Exclusivas pelo Site da EMERJ

sexta-feira, 8 de junho de 2012

ESCOLA DA MAGISTRATURA - SEMINÁRIO SOBRE OS NOVOS MODELOS DE FAMÍLIAS E AS REPERCUSSÕES NA INFÂNCIA E JUVENTUDE

ESCOLA DA MAGISTRATURA
SEMINÁRIO SOBRE OS NOVOS MODELOS DE FAMÍLIAS E AS REPERCUSSÕES NA INFÂNCIA E JUVENTUDE



Data: 27 de junho de 2012, das 9.30h às 17h
Endereço: Av. Erasmo Braga, 115, 4º andar - Centro, Rio de janeiro/RJ


PROGRAMAÇÃO

10.00h – Trechos do seriado “Novas Famílias”
♦João Jardim: Cineasta

11.00h – Palestra: “Novos arranjos familiares e sua influência na estrutura, dinâmica e desenvolvimento das relações afetivas e sociais entre crianças e adolescentes e seus familiares”
♦Maria Cristina Milanez Werner: Psicóloga, Sexóloga, Terapeuta de Casal e Família / Mestre em Psicologia Clínica pela PUC/RJ

12.00h – Palestra: “Medicina reprodutiva e a nova configuração familiar no Brasil”
♦Dr. Paulo Gallo: Professor de Ginecologia da UERJ / Diretor Médico da Clínica Vida - Centro de Fertilidade da Rede D`Or.

14.00h – Palestra: “Responsabilidade parental diante dos novos arranjos familiares”
♦Dra. Rosana Cipriano Simão: Promotora de Justiça da Vara da Infância, da Juventude e do Idoso da Comarca da Capital

15.00h – Palestra: “A juventude e a família”
♦Mirian Paura S. Zippin Grinspun: Professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da UERJ

16.00h - Debates


Mais informações:

domingo, 3 de junho de 2012

Minha turminha - 2ª Reunião com Responsáveis


Responsáveis assistindo o vídeo com registros das atividades feitas na
escola marcando o início da reunião - 01/06/2012.


  Reunião com os responsáveis é sempre motivo para ansiedade. Por muitas vezes ficamos apreensivos, na dúvida se vamos alcançar os objetivos estabelecidos e principalmente se vamos conquistar a parceria da família.

  Compartilho aqui minha experiência na 2ª Reunião com os Responsáveis da minha turminha deste ano. Junto com minhas auxiliares buscamos estratégias para nos fazermos entender de forma mais eficaz buscando a compreensão e parceria dos presentes, e para nossa grande alegria, inovamos e tivermos sucesso! Confira!


    Embora tenha repetido a estratégia de usar um vídeo com registros das atividades feitas dos últimos dois meses (que sempre dá muito retorno), desta vez decidimos (eu e minhas auxiliares) mudar o horário - que na última reunião havia acontecido às 11h e 30min, para às 15h e 30min, que acabou em aprovação (tanto da equipe, quanto dos responsáveis), uma vez que aumentou consideravelmente o número de responsáveis presentes.



   De início o vídeo, como mencionado anteriormente, até que as pessoas fossem chegando aos poucos, e após o início dos diálogos - críticas, sugestões e dúvidas, onde as questões foram divididas em 5 (conforme apresentado na imagem acima), a participação foi muito maior do que na primeira reunião e os responsáveis presentes demonstraram bastante interesse nas questões abordadas, trazendo inclusive, falas e comportamentos das crianças em casa que faziam uma ponte com o que estava sendo trabalhado em sala.

    Além dos assuntos de praxe e da pauta em si, acrescentamos à reunião as informações sobre a Festa Julina, pedindo aos responsáveis que participem desse acontecimento, contribuindo com a divulgação do evento, com a venda das cartelas de votos para a eleição do Rei e Rainha do Milho, das rifas, das doações para o brexó e para a pescaria, sorteios e principalmente com a conscientização das crianças e da comunidade sobre o tema principal dessa festa: SUSTENTABILIDADE. Acontece que a base dessa festa é a reciclagem - todos os enfeites serão feitos com garrafa pet, caixas de papelão, jornal, revistas, entre outros e para isso precisaremos de arrecadação desses materiais, onde entrará as turmas com a gincana: as crianças de cada turma trarão garrafas pet e latinhas de alumínio que serão pesadas até a divulgação do resultado no dia da festa. Toda a arrecadação feita será usada na festa que prepararemos para o Dia das Crianças. Todos os presentes pareceram aprovar e gostar do ideal da festa e se comprometeram em nos ajudar, inclusive autorizando as crianças a dançarem na quadrilha.

Diferente da primeira reunião, esta estava com um número maior de presentes,
além de uma participação mais segura  em ambas as partes.

   Todos os assuntos esgotados, chegou o momento da mensagem a ser deixada para reflexão. Porém dessa vez resolvemos inovar: Ao invés de uma leitura formal de alguma parábola, a minha auxiliar Fátima Alves, que é maravilhosa contadora de histórias (e tem um super repertório), nos contou uma de sua autoria para que pudéssemos refletir sobre a questão da mentira e as suas consequências na vida de uma criança. A resposta dos presentes foi incrível; após aplausos, surgiram diversos comentários - contidos e não contidos - e reflexões logo depois. Alguns responsáveis não quiseram se pronunciar na frente dos presentes, mas ainda assim me procuraram depois para fazer seu comentário sobre... Ou seja, nosso objetivo foi alcançado e com sucesso nessa 2ª reunião: Ficamos muito felizes e com a cabeça cheia de ideias para as próximas reuniões! Aguardem!

Fátima Alves em sua performance especial
para nos contar sua história "Pra não morrer de fome".



♦Mensagem aos Responsáveis

Pra não morrer de fome... 
(Fátima Alves)

Esta historia se passa nos anos 70, nordeste do país, uma família de classe baixa e com inúmeros filhos... a caçula chama-se Maria... 

Maria e seus muitos irmãos viviam com certa modéstia, o pai trabalhava, a mãe cuidava da prole, todos estudavam em um colégio tradicional, de freiras, em condições de bolsistas, em meio a muitas crianças abastadas de famílias ricas. 

A escola ficava na mesma rua em que morava, mas iam de ônibus, da própria escola, que passava pontualmente em sua porta. 

Em casa, a mãe ensinava, com zelo, como fazer economia e dizia: 

- Desperdiçar comida é pecado, Deus castiga! Coma tudo pra não sobrar, por que criança que não come tudo nas horas certas, morre de fome! Comam, comam! 

Maria, como disse a caçula, tinha por sua mãe uma adoração suprema e obedecia todos os seus ensinamentos. 

Certo dia, ao irem para a escola, na correria comum de todo dia, Maria esquece sua merenda bem em cima da mesa da cozinha. Todos levavam suas lancheiras com sua própria merenda, pois o colégio não dava alimentação, quem não levasse de casa teria que comprar na cantina. 

A menina nem se deu conta, tamanha era a pressa por não perder o ônibus escolar... 

O tempo na aula era lento de se passar, tinha aula de canto, de artes, de matemática e até de religião, foi exatamente nesta aula em que Maria lembrou da lancheira que esquecera. “E agora?”, pensou ela, “Como vou fazer na hora da merenda, sem minha lancheira vou morrer de fome! E agora?!” 

Maria entristeceu... 

Ficou, o que para ela pareceu uma eternidade, pensando como solucionar este problema, afinal, não queria morrer de fome e entristecer sua mãe com tamanha desobediência, nem irritar seu cansado pai com tamanha irresponsabilidade. Coisa difícil de assimilar em uma cabeça tão jovem. 

Depois de muito pensar e, de quase chorar, Maria virou-se para sua companheira e amiga de turma, Carolina, e disse: 

- Carol, você precisa me ajudar, não posso morrer de fome aqui! Vamos fazer o seguinte: Digo que preciso ir ao banheiro e você vai comigo, enquanto você vigia a porta pra ninguém entrar, eu pulo pela janela e corro até o portão da escola, saio sem ser vista e vou até em casa buscar minha lancheira. Vai dar tudo certo, eu morro aqui pertinho, vou e volto rapidinho, como e não morro hoje! 

Porém, o que parecia ser pertinho para Maria era, na verdade, uma extensa rua, comprida mesmo, que se tornava curta pela velocidade em que o ônibus escolar a percorria. Mas, Maria e Carolina, decididas a por fim na aflição de crer que ela morreria de fome caso não merendasse, puseram o plano em ação. 

Tendo conseguido sair da escola, Maria danou-se a correr. Correu, correu, correu que já não aguentava mais, suas perninhas finas e pequenas estavam dormentes, o nervoso era tão grande que a pobre menina nem olhou para trás, nem tampouco percebeu que havia passado de sua casa de tanto que correra... Ainda teve que voltar uns 200 metros. 

Mas quando se viu diante do portão de sua casa o susto gelou seu corpo todo. 

Era que sua mãe estava na varanda conversando com o motorista do ônibus escolar, olhou pra trás e então, percebeu que bem na frente da casa estava parado o bendito ônibus da escola. A menina sentiu uma vertigem subir-lhe a cabeça! A mãe gritou: 

- Maria, sua moleca, onde você estava? Tá ficando doida? Como você foge da escola assim? Quer me matar de susto? 

Ops! Pensou Maria: “Não meu Deus, já bastava eu morrer de fome, agora vou matar minha Mãe também? Papa 

Por fim, a Mãe, Maria, o motorista e o ônibus, voltaram para a escola, mas a lancheira ficou lá mesmo, sob a mesa da cozinha. Maria chorou por todo o caminho, quando lá chegou, ainda chorava, mas conseguiu ver sua amiga Carol de costas, ajoelhada sobre o milho e rezando um terço enorme... Este, também foi seu castigo! 

Ambas ficaram ali, chorando, rezando e sofrendo com o esmagar dos milhos embaixo de seus pequenos e frágeis joelhos, até o fim do dia, quando acabaram-se as aulas e todos se dirigiram ao ônibus para voltar a suas casa. 

A noite, o pai chegou, soube do fato ocorrido e tascou-lhe uma surra de cinto, a segunda do dia, pois sua mãe já havia lhe dado umas chineladas ao chegar em casa. 

Maria, triste, chorosa, dolorida e decepcionada tentava dormir, mas que nada, ela não conseguia entender o porquê havia sido castigada daquela maneira, afinal, só queria obedecer os ensinamentos de sua mãe, evitar tantas mortes... 

Em sua batalha pela compreensão e aceitação do castigo, lembrou-se de uma coisa importantíssima: Não havia comido nada o dia inteiro! 

Mas pensou Maria: “Se eu nada comi, nem na escola, nem em casa (pois, parte do castigo foi ficar sem jantar) como eu ainda não morri?” 

Assim, paro aqui esta historia, sem finalizar mesmo, para que você que leu ou que ouviu os fatos, conclua como melhor lhe parecer ou ainda, como entender o que aconteceu a Maria depois deste dia... 

Boa noite, Maria!




►OBS.: A performance da Fátima contando a história foi filmada. Assim que eu conseguir postar o vídeo no YouTube (pois estou com dificuldades, está enorme!) coloco o link aqui!