quarta-feira, 22 de junho de 2011

Art Scan de Marcelo Camelo: Inusitada, simples e bela

A Art Scan de Marcelo Camelo


"...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?

..."
Tabacaria, Álvaro de Campos



    ♪ ♫ "Pois é..." ♫♪ "Neste momento/Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios" pelo mundo, mas como apenas alguns poucos tem o privilégio (sorte ou destino?!) de por em prática e ou de ter reconhecidas suas aspirações, essa postagem vem mostrar algo que achou olhos de gente, ao menos os meus, para realizar-se como arte!

    Marcelo Camelo, cantor e compositor carioca, já se tornou figurinha carimbada na mídia brasileira. Se você não é fã (dele ou da magnífica e falecida banda Los Hermanos), ao menos já deve ter ouvido falar dele ou talvez ter visto sua cara barbuda por aí, na TV ou em alguma revista.

    Mas essa postagem não é para falar de sua carreira musical, isso fica para uma próxima. Estou aqui para falar de Marcelo Camelo e sua inquietude artística que vai muito além da música. Estou aqui divulgar uma experimentação dele com arte visual - uma viagem que ele anda fazendo com fotografia de scanner. O cara realmente é um artista supreendente, está sempre inovando, buscando sempre "algo mais". Depois que o Los Hermanos findou, ele já fez  Os Imprevisíveis, está no segundo álbum solo, este com uma maravilhosa parceria com a banda paulistana Hurtmold, tem um projeto super criativo chamado Orquestra YouTube (onde ele faz experimentação sonora com as possibilidades que o YouTube traz - aliás, acho que isso teve sua gênese com Os Imprevisíveis), e ainda sua Scan Art. Particularmente gostei muito desta, tanto do resultado quanto da originalidade simples da ideia, achei que tinha tudo haver com a proposta do blog e aqui estamos.

    Fiquei sabendo dessa viagem quando assisti o The Creators Project do Marcelo Camelo (em sala de aula, em um curso que faço na Escola Livre de Cinema de Nova Iguaçu). Para quem não sabe, o The Creators Project, criado em 2010 em parceria com A Intel e a Vice, como lá mesmo é colocado,  é "uma rede global dedicada a celebrar a criatividade, cultura e tecnologia." que tem como objetivo principal "ser um canal moderno de mídia que identifica e celebra continuamente a obra de artistas visionários onde quer que estejam. [...], e funcionar como um estúdio de criação de conteúdo". Ou seja, é uma espécie de miscelânea artística interessantíssima de tecnologia, cultura e criatividade, envolvendo todo tipo de eventos e criações do mundo inteiro: moda, música, cinema, fotografia, pintura, design, games, enfim, tem de tudo, dos artistas mais famosos aos mais desconhecidos.

    Mas como eu ia dizendo, assisti o vídeo do Marcelo e gostei muito, a maneira como foi feita o vídeo - uma entrevista bastante natural, que nos passa a sensação de que ele se sentiu bem a vontade para dizer o que pensa, desde como a tecnologia influencia em suas produções artísticas até sua opinião sobre o comportamento mercado fonográfico atual, chegando finalmente a apresentação de sua arte experimental: ele vai mostrando como desenvolve seus vídeos do YouTube e como produz as imagens com o scanner.




Em entrevista à Rolling Stone (edição 29 de fev.2009), Marcelo Camelo diz: 
"São [fotos] tiradas no scanner. Não tem nenhuma pós edição a não ser uma leve sintonia de cor, tipo esquentar um pouco ou esfriar um pouco, mas as loucuras são feitas alterando os próprios parâmetros da máquina antes de escanear e usando o vidro do scanner como tela


Imagens da entrevistadora no Creators Project do Marcelo - Ele coloca um pouco de purpurina no scanner, dá uma ajeitadinha e depois coloca o rosto dela e escaneia. A técnica é simples, diria eu intuitiva, inusitada... Pura criação. Bom mesmo de ver: Tudo muito original e belo!


     Para mim está claro que na cabeça de Marcelo Camelo a tecnologia nem de longe assusta, pelo contrário. Como ele disse, "o caminho da tecnologia é virar o instrumento facilitador.". E é exatamente assim que penso, é assim que todos deveriam pensar. A tecnologia, como muitos colocam, não está para destruir a "moral e os bons costumes", está para ajudar a humanidade a ter uma vida melhor - em todas as áreas, até mesmo nas artísticas! Se a presença da tecnologia está nos deixando cada vez mais consumistas e egoístas, devemos rever e repensar nossas relações com a própria tecnologia, com as pessoas e o mundo. Não é a tecnologia que está criando pessoas cada vez mais ambiciosas, paranoicas e isoladas. São as pessoas que usam a tecnologia para se isolar do mundo, para parecer o que não são, para enganar, para se iludir. São as pessoas que estão usando a tecnologia para usar de forma indiscriminada os recursos do meio ambiente. São as pessoas que inventaram a guerra, o sistema. São as pessoas que estão perdendo a capacidade de se relacionarem saudavelmente, e isso não tem nada haver com a tecnologia, tem haver com o rumo do comportamento humano, mas isso é outra história...



Super criativo, empolgante e viajante. 
Detalhe: tudo isso já vem desde 2008 e eu nem imaginava que estava rolando! 
Espero que também gostem e se inspirem.

Aqui você assiste: The Creators Project do Marcelo Camelo




Segue abaixo, vídeos relacionados:


Vídeo clipe viajante da banda Os Imprevisíveis
e músicas no perfil do MySpace


"Tocando Internet", Marcelo Camelo - Vídeo da Orquestra YouTube
Esse foi o que mais gostei, mas você pode encontrar outros vídeos da Orquestra YouTube no perfil do YouTube passageiro29 e informações no perfil do MySpace


Pedagogicamente podemos trabalhar...

É possível desenvolver projetos pedagógicos a partir do exemplo dessas experimentações do   Marcelo Camelo. Trabalhos coletivos ou individuais podem render ótimas feiras culturais e ou artísticas nas escolas, além de desenvolver o pensamento crítico, o olhar artístico e a capacidade de abstração nos alunos. Projetos estes que envolvam:
Criação de som -  Se possível algo que envolva identificação e captação de sons e ruídos. Podendo usar meios simples, como gravadores de celulares por exemplo, mp3, coisas do tipo para captação e um computador com algum programa que dê para editar som e imagem (com o Movie Maker já dá para criar);
Criação de imagens - Não precisa ser necessariamente com o scanner, se bem que seria ideal, mas pode ser usada também a própria fotografia comum e ser feita intervenções nela, com programas de edição de imagem (como Photoshop por exemplo). Mas acho que seria mais criativo e divertido usar materiais "por cima da foto". Poderiam ser usados diferentes materiais para a criação. Tendo criatividade na ideia, o resto é simples: com tinta, cola colorida, recorte e colagem, papel crepom, papel laminado, purpurina, enfim, tudo é possível;
Debates e seminários sobre a utilização da tecnologia e seu papel na sociedade também cabem aqui. Ou até mesmo discutir se é válido usar a tecnologia para produzir  Arte. Aliás, podem surgir questionamentos bastante válidos, tais como: Qual o papel da tecnologia na sociedade? Estamos usando a tecnologia de maneira benéfica ou maléfica? O que é Arte? É possível fazer Arte usando tecnologia? E por aí vai.

    As temáticas são claramente interdisciplinares: experimentação com música e artes plásticas e visuais, podendo esse projeto passar por disciplinas como a Informática Educativa, Português, Música, Educação Artística, História, ou seja, é possível mobilizar uma escola inteira se quiser. O fato é que o compromisso e a criatividade é fundamental em projetos que trabalham com experimentação, o estímulo desta principalmente. E como primeiro passo para esse estímulo, para entrar no clima, é uma ótima pedida passar o vídeo do Creators Project do Marcelo Camelo para a turma assistir. E como culminância do projeto não há nada melhor para sugerir do que uma feira cultural.
      Para mostrar que é possível, aviso que já tem gente usando a experimentação de Marcelo Camelo, a partir da exibição do vídeo dele, uma turma da Escola Livre de Cinema de Nova Iguaçu (não é porque sou aluna de lá não, mas essa escola possui uma das melhores propostas pedagógicas que conheço - em breve farei uma postagem sobre isso!) fez uma aula de "Art Scanner". O resultado foi ótimo e se quiser conferir é só acessar  Ideia na caixola.                  
        Aqui fica minha sugestão. Espero que aconteçam bons resultados.



►Um pouco mais de links:

Entrevista com Marcelo Camelo para a Rolling Stone em abril de 2011

domingo, 19 de junho de 2011

Art Project: Arte para todos

Esta é a página inicial, o menu onde você pode escolher o museu  que irá visitar.
uanto à imagem de fundo, muda de acordo com o museu que você selecionar. Neste caso, trata-se de um detalhe da obra The Nightwatch, de Rembrandt Harmensz. van Rijn, do Rijksmuseum, Amsterdan.
   Hoje pela manhã resolvi fazer uma visita à França, fui conhecer o Palácio de Versalhes. Construido a partir de 1664 pelo Rei Luiz XIV, o "Rei Sol", foi considerado modelo de residencia real por mais de um século e ainda hoje é considerado um dos maiores do mundo.

   Pois bem, fui lá e voltei. Além de entrar no Palácio de Versalhes, ainda pude apreciar as variadas obras de arte expostas lá. E tudo isso, sem sair de casa. Na próxima semana já decidi, irei a Nova Iorque visitar o MoMA (Museu de Arte Moderna). Essa viagem artística, por assim dizer, só foi possível graças ao recente projeto da Google inaugurado em fevereiro de 2011: o Art Project, que já conta com um "acervo" de mais de 1.000 obras, de mais de 400 artistas, em 17 museus de diferentes localidades do mundo.

   Quando eu soube deste projeto, eu "pirei". É um projeto maravilhoso não só para fins educativos (pois neste aspecto é indiscutível, ainda mais para os profissionais de Informática Educativa e Pedagogia, assim como eu!), mas para toda humanidade - acesso irrestrito e armazenamento de conhecimento e informação.   Imaginem só: eu, você e qualquer um que tenha acesso à Internet tem oportunidade igual de visitar por exemplo, a Galeria Nacional em Londres (Inglaterra) ou o Museu Reina Sofia em Madrid (Espanha) e conhecer, literalmente, detalhes sobre as obras e o espaço físico desses lugares. Quando digo literalmente, me refiro às imagens a que temos acesso. O Google investiu alto neste projeto e usou uma tecnologia de captura de imagens com uma resolução de 7 bilhões de pixels (uma qualidade de imagem mil vezes superior à de câmeras digitais convencionais), o que nos possibilita ver a obra  do macro ao micro com apenas alguns cliques - do todo (a obra "inteira", no seu local) aos detalhes da textura, coloração e traço. 
    As imagens são acompanhadas de textos explicativos e comentários de especialistas, em arte em vídeos do YouTube, com mais ou menos uns três minutos de duração. 

Marie-Antoinette de Lorraine-Habsbourg, reine de France et ses enfants
1787, Louise Elisabeth Vigée-Lebrun
Aproximando a imagem, você pode visualizar detalhadamente a obra.

Detalhes do rosto de Marie-Antoinette e da criança em seu colo.

Aqui, a imagem de Marie-Antoinette de Lorraine-Habsbourg, reine de France et ses enfants e suas informações, tais como: autor, data, material usado, tamanho e sua localização (Mars Salon)


     Não é possível salvar as imagens, mas pode-se resolver isso com um simples Print Screen você pode ter uma obra dessas no seu computador. Eu mesma "printei" essa obra abaixo e coloquei no meu computador como papel de parede. A qualidade da imagem é realmente muito boa. Ficou belíssimo!

Mars sur son char tiré par des loups
1673,Claude II Audran



 
Você pode utilizar o "zoom" e ver cada pedacinho da obra.
Passa do "macro" ao "micro" em segundos.
 Usando o mouse, você direciona a parte da obra que quer ver mais de perto, 
regulando o "zoom" na ferramenta na parte superior da tela.
 Na parte inferior da tela, uma miniatura da obra, onde você pode visualizar a pedaço da obra que você aproximou (a parte acesa) e também regular o "zoom".




   Sem contar que as salas foram fotografadas em 360° (parecido com o street-view), o que dá a sensação de estarmos caminhando virtualmente naquele lugar, você pode se aproximar das obras, ver por exemplo, os detalhes do teto ou do piso e escolher para que direção continua sua visita. Pois além das obras em si, podemos visitar as instalações do museu. 

The Apollo Salon,  Palacio de Versailles

The Hall of Mirrors,  Palacio de Versailles

The Peace Salon,  Palacio de Versailles



   Ao lado da imagem da sala que você está visitando, tem um "mapinha" que te situa, com informações sobre o local - a sala que estiver na cor amarela é a que você está, querendo ir a outra sala é só clicar nela que você estará lá num segundo.

The War Salon, Palacio de Versailles

As setas no "chão" indicam as direções que você pode tomar.
Ao lado da imagem, informações sobre o local e sua localização no 
Palácio de Versallhes indicada pelo "quadrado amarelo".

Uma das paredes da The War Salon vista mais de perto.


Mars Salon,  Palacio de Versailles

Onde aparecer sinais positivos ( + ), passamos o mouse e aparece informações sobre a obra.
Olhando na direção esquerda, na parte superior, você verá uma bússola para se orientar na "caminhada".

 Teto da Mars Salon,  Palacio de Versailles

   Bem, fico por aqui. Espero que o Art Project seja bastante difundido e utilizado. Que as pessoas gastem mais o seu tempo em frente ao computador com sites como este e deem menos audiência para o fútil - fofocas e vídeos idiotas. Esta é uma oportunidade única, aliás um projeto único que tem grandes chances de ser ampliado. Já pensaram o mundo, literalmente, em sua casa?! Conhecermos as variadas culturas e conhecimentos?! Mais ainda do que já temos ao nosso alcance? A Internet está aí e não dá para imaginar o que ainda mais pode acontecer, mas espero que mais iniciativas como esta da Google apareçam cada vez mais.

Agora, corra! Acesse o Art Project
Qual museu você visitará primeiro?!

► Assista ainda os vídeos abaixo sobre o projeto: 

Making Of do Art Project

Um guia de visitas do Art Project (uma espécie de tutorial)


Pedagogicamente podemos trabalhar...

Bem, acho que aqui é fácil, não tem muito mistério... Podemos trabalhar isoladamente ou interdisciplinarmente com a Informática Educativa, com Português, Geografia, História e Educação Artística obviamente. Podendo ser abordado, entre outras coisas, em:

Informática Educativa: Como usar o Art Project; pesquisar a história de determinado museu, obra ou artista; repensar e "reproduzir" a obra a partir de uma interpretação própria usando programas de edição de imagem;
Português: Interpretação de imagens de forma verbal e escrita; elaborar biografia de determinado artista;
Geografia: Trabalhar as características dos países em que se encontram os museus, possíveis características geológicas e climáticas que podem aparecer em determinadas obras;
História: Contextualização das obras, artistas e locações (museus) com períodos e fatos históricos; fazer um paralelo com a História Antiga e Contemporânea; 
Educação Artística: Analisar obras de diferentes artistas (técnicas utilizadas, interpretação, entre outros); contextualizá-los com movimentos artísticos.

sábado, 4 de junho de 2011

Universidade, chave do futuro

  


  Há duas semanas, do dia 23 à 27 de maio, o Jornal da Globo exibiu uma excelente e interessante reportagem sobre o ensino superior no Brasil - Universidade, chave do futuro, fazendo uma espécie de raio-x da situação atual das universidades públicas e privadas (estrutura e ensino) analisando, comparando, denunciando e nos fazendo refletir: nossas escolas estão realmente formando corretamente? Qual é o papel da universidade em nossa sociedade? 

   Estou gostando muito desse "movimento" pró-educação que vem acontecendo na sociedade e que a grande mídia parece ter abraçado (é bem estranho, mas ao menos é o que parece!) a causa, e torço para que ela permaneça como uma aliada neste processo - denunciando, alertando, mostrando, fazendo reflexões sobre e principalmente, trazendo para a grande massa essas preciosas informações: "movimentando os cérebros"! Afinal, parecem ter entendido que um país não pode crescer de forma alguma sem investimentos grandiosos em educação.  Acredito que a produção de séries de reportagem como essa são de imensa importância, uma vez que contribui com o pensar e discutir, cada vez mais, a educação brasileira de uma maneira mais ampla e significativa, pois é preciso conhecer os problemas para solucioná-los!


  O que não adianta de nada, e todo mundo finge não saber, é termos estatísticas "maravilhosas" mostrando que o número de pessoas com educação superior aumenta a cada dia, quando exames indicadores de qualidades desse ensino (como o ENADEExame Nacional de Desempenho de Estudantes) mostram uma enorme deficiência neste. Somos a 7ª maior economia mundial (com previsões para se tornar a 5ª maior economia mundial até 2016!) e a melhor universidade do país (USP - Universidade de São Paulo) não está nem mesmo entre as 100 melhores do mundo. Precisamos valorizar, rever e mudar a educação do país, iniciando pela educação básica para que nossos universitários tenham o mínimo de condições para seguirem uma carreira universitária digna e promissora. 

    Fiquem aqui com os vídeos da série (cada um apresentando e discutindo um aspecto), que não poderia ter título melhor: "Universidade, chave do futuro"Série especial mostra os desafios do crescimento do ensino universitário no país, exibida no Jornal da Globo.


Vídeo 1 - 23/05

"Símbolo de status, de emprego e de vida melhor, o diploma universitário está hoje ao alcance de um número recorde de brasileiros. Mas as faculdades brasileiras atendem às necessidades e esperanças dos estudantes? O desafio de formá-los está na série Universidade, chave do futuro."




Vídeo 2 - 24/05


"As universidades brasileiras sofrem com deficiências graves nos três itens que fazem uma boa instituição de ensino superior: estrutura, professor e nível dos alunos. Na segunda reportagem da série Universidade, chave do futuro, exemplos de abandono de instalações, professores sem motivação e alunos que vão aprender na faculdade o que faltou no Ensino Médio."

Vídeo 3 - 25/05



"Pesquisa é o que se espera que ocorra numa universidade, mas a pesquisa em universidade brasileira é refém da burocracia e vítima também de um sistema que não privilegia o mérito.

Você confere na terceira reportagem da nossa série Universidade, chave do futuro."




Vídeo 4 - 26/05

"As universidades americanas estão invariavelmente entre as melhores instituições do mundo - recrutando muitos cérebros estrangeiros. Que lições podemos aprender com as universidades americanas? Veja o vídeo da 4ª reportagem da série Universidade: chave do futuro."




Vídeo 5 - 27/05


"Mesmo respirando burocracia e desprezando o mérito, as universidades conseguem produzir pesquisas surpreendentes. Na última reportagem da série Universidade: chave do futuro, algumas das chamadas "ilhas de excelência" de ensino superior no país."

sábado, 14 de maio de 2011

Um bom professor, um bom começo



  Já faz um tempinho que o Todos Pela Educação tem vinculado na grande mídia campanhas pela valorização da Educação em nosso país.

 No mês passado,  foi lançada a campanha de mobilização com foco na valorização do professor, o que me deixou bem feliz, aliás, milhares de professores ao ver o vídeo da campanha devem ter gostado e muito do que assistiram.


Este é um dos cartazes de divulgação da campanha.

 Posso estar até enganada, esquecida talvez, mas não me lembro de ter visto nos últimos 20 anos qualquer tipo de manifestação pela valorização do professor. 


  Aplaudo e apoio a campanha - intitulada Um bom professor, um bom começo (aliás, um título felicíssimo, quem não sabe que tudo que começa bem tem ótimas chances de continuar bem até o fim?) - e torço para que não seja só mais uma na "multidão", espero que ela consiga alcançar de fato as pessoas e que de alguma maneira faça a sociedade pensar e repensar o papel do professor e voltar a vê-lo com mais interesse e respeito; que a profissão volte a ser admirada e valorizada como merece, pois TODOS, sem exceção, precisam de um professor em diferentes etapas da vida. 

 Segue abaixo o vídeo da campanha, uma animação muito bem feita e produzida com uma linda música acompanhando, na verdade o vídeo é maravilhoso! Espero imensamente que seja um sucesso e alcance seus objetivos!





* O Todos Pela Educação é um movimento da sociedade civil, apartidário, que reúne lideranças sociais, educadores, gestores públicos e representantes da iniciativa privada, com o objetivo de ajudar o Brasil a garantir Educação pública de qualidade para todas as crianças e jovens.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Curso de Formação de Educadores

    Pessoas, fiquei sabendo de um curso interessantíssimo para quem é educador, gosta de audiovisual e acredita que unir as duas coisas pode dar pé... Daí meus queridos amigos, eu não poderia de forma alguma deixar de divulgar essa novidade aqui!
  Trata-se de um curso de formação para educadores que o Nosso Cinema e o Cineduc, com parceria da FASE,  estão oferecendo.

    Com carga horária de 48 horas (valor de R$ 65,00) - todas as segundas e quartas, das 18h às 21h - o curso iniciará no próximo dia 30 com término previsto para o dia 06 de julho, na sede do Cinema Nosso, localizado na Rua do Rezende, 80, Lapa/RJ.

    Se você gosta da temática do curso e tem disponibilidade, aproveite, não perca a oportunidade!


Algumas informações sobre o curso:

    Educadores: Alexandre Guerreiro, Bete Bullara e Victor Van Ralse.

    Conteúdo programático:
  • Estudo da percepção e influencia da linguagem audiovisual;
  • Linguagem do audiovisual;
  • A imagem fixa e a imagem do cotidiano;
  • Movimentos e elementos de constituição da linguagem audiovisual;
  • Linguagem cinematográfica;
  • Produção filmica.
    Metodologia: Exercícios práticos e teóricos
    Suporte técnico: André Tavares e João Tavares

*Visite os sites e conheça mais sobre a história e o trabalho:

Divulgação do Curso




domingo, 8 de maio de 2011

Games e Educação - Uma parceria para a melhora do processo ensino-aprendizagem

Imagem de Okami - PlayStation 2 - Considerado uma verdadeira obra prima
 
   Sempre fui defensora dos games (não falo aqui dos jogos educativos, pois estes quase todos concordam que é interessante colocar dentro das disciplinas escolares), nunca achei, ao contrário da maioria dos educadores, que eles pudessem ser uma ameaça à educação, pelo contrário, os games podem ser aliados fortíssimos no processo ensino-aprendizagem. Eu mesma já aprendi muito com eles, abri a mente para diversas culturas diferentes da minha, (cultura xintoísta de raízes japonesa com Okami) pesquisei sobre história antiga e bíblica (viajando com Shadow of the Colossus - PlayStation 2) e mitologias, filosofei sobre a origem da vida (jogue XenogearsPlaySatation - e você será outra pessoa!), discuti política e pensei mais sobre a fusão homem-máquina e utilização de nanotecnologia (jogando a série Metal Gear SolidPlayStation, PlayStation 2, PlayStation 3); sem contar que hoje sou uma apaixonada por trilhas sonoras de jogos (quem não fica maravilhado ao ouvir a trilha sonora de God of War?! - PlayStation2, PlayStation 3). 

 Gerard Marino - compositor da trilha sonora da série God of War - Conduzindo 
a Golden State Pops Orchestra (fevereiro de 2007): música da trilha do jogo.
  

É fato: se você gosta e se envolve com o enredo do jogo, você vai além do simples ato de jogar, você pesquisa, busca os porquês daquilo ali apresentado.

Imagem de Metal Gear Solid 4 - PlayStation 3
   Em Limbo - XBox-360, por exemplo, você desenvolve o raciocínio matemático, lógico-espacial, pois é um jogo de plataforma com quebra-cabeças, sendo que os desafios podem variar entre descobrir a solução de um problema e executar tarefas que requerem precisão e habilidade.

Imagem de Limbo - XBox - 360. 
Surpreende com sua atmosfera "estranha" em branco e preto
   Acontece que a maioria das crianças jogam por mero entretenimento, e não "aprenderam" a jogar de uma maneira mais útil por assim dizer, ou seja, se divertindo e aprendendo simultaneamente, pois sem o costume do olhar crítico (que em nosso país infelizmente é raridade), perdem a essência do jogo e resumem algo que poderia trazer uma quantidade enorme de informações em mero entretenimento fútil. Ou seja, se você joga a série God of War e percebe o jogo sem análise prévia, sem saber sobre o enredo, sem pensar o jogo tentando entendê-lo, você poderá resumi-lo em "pancadaria e sangue" (o que não é muito diferente do que está na TV, nas manchetes de jornais e nas telas de cinema, mas esse é outro assunto, deixemos pra depois!), mas o jogo não é só isso! O jogo conta a saga de um espartano que vai contra os deuses gregos em busca de vingança - inevitavelmente você vai conhecer mitologia grega e algo sobre o exército espartano. Obviamente que não iremos colocar uma criança de 10 anos para jogar a série God of War, por uma questão de bom senso e até mesmo porque, os jogos tem a indicação da faixa etária recomendada, cabe aos educadores, pais e responsáveis estarem atentos a isso (é como nas programações de TV, sempre há indicação de idade adequada para determinado programa) e não permitirem excessos.

Capa do jogo God of War II - Indicação para maiores de 18 anos
  O que eu realmente gostaria que acontecesse é que os preconceitos diminuíssem e que a culpa das tragédias ocorridas, principalmente relacionadas às crianças, não caíssem exclusivamente nos games e na Internet. O problema está em como a sociedade se comporta e influencia na Educação, e é aí que temos que "mexer". E a Educação, o pensar e o inverstir nela é que pode mudar alguma coisa. É preciso criar, desenvolver um olhar crítico e pensante em nossas crianças, visto que os problemas atuais vão muito além dos jogos eletrônicos, aliás, não tem nada haver com os jogos eletrônicos. Não é possível que ninguém veja e assuma essa realidade! Tudo depende do olhar e dos objetivos estabelecidos. É possível aprender e reaprender com tudo, basta querermos (estado, sociedade: responsáveis, pais e educadores) buscar e fazer acontecer!

Imagem de Shadow of the Colossus - PlayStation 2

   Abaixo, segue uma matéria retirada do site Olhar Digital (aliás, recomendo!), que aborda exatamente a maneira como acredito que os games devem ser vistos em relação a Educação, mostrando que já existem iniciativas (e de gente séria!) a respeito:


Games invadem as salas de aula




   A discussão sobre a influência dos games no processo de aprendizagem é tão antiga quanto consoles de Atari. Alguns educadores alegam que jogos de guerra e combate estimulam o comportamento violento dos usuários, mas outros acreditam não haver relação entre um fator e outro. Discussões à parte, o fato é que diante do fascínio que os jogos eletrônicos exercem sobre os jovens, muitos profissionais da educação buscam maneiras de levar a diversão das salas de estar para as salas de aula.

  Gilson Schartz, professor da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo, está trazendo para Brasil o game "Conflitos Globais". Com interface semelhante ao famoso "The Sims", a ferramenta, que já é utilizada em cerca de 500 escolas europeias, pretende ajudar alunos do ensino médio a entender problemas sociais e econômicos.

  "Os estudantes jogam como jornalistas, e conforme vão navegando, podem ir fazendo perguntas para os personagens e armazenando as respostas [em texto], para no final, compor a sua reportagem", explica o professor.

  Ainda em fase de testes, o game deve custar 5 reais por aluno, e a ideia é disponibilizar o software para escolas públicas e particulares. Estudos realizados com a utilização desse tipo de material didático comprovam; dá resultado!

  Gilson acredita que, o que faz com que o aluno tenha 60, 70% de retenção do conteúdo, já no primeiro contato, é justamente o interesse que aquilo provoca. "Não é apenas pelo game ser bem feito, é a relação do estudante com a situação de aprendizado. Por isso que é importante essa convergência entre a brincadeira e a seriedade", diz.

   De olho nesses resultados positivos, um colégio particular da Zona Sul de São Paulo resolveu não só utilizar os games como ferramenta pedagógica, mas também ensina os alunos a criar os próprios jogos. Em uma matéria extracurricular, eles aprendem adesenvolver jogos eletrônicos de acordo com o conteúdo estudado nas outras disciplinas.

   Segundo o Coordenador do Grupo de Pesquisa e Desenvolvimento de Jogos Eletrônicos do Colégio Santa Maria, Muriel Vieira, com a motivação de criar os games, os alunos desenvolvem-se não somente nas áreas que estão relacionadas diretamente com o jogo, como história, geografia e ensino religioso. "Para criar o jogo eles devem ter outras habilidades. Para fazer o boneco pular, por exemplo, o software pede que coloquem a gravidade, força e aceleração do movimento. Estes conceitos eles nem estudam ainda, só vão conhecer no ensino médio. mas, de uma forma implícita, já estão estudando", conta.

   Enquanto professores e escolas pesquisam novas maneiras de utilizar e desenvolver games educativos, essa escola de música utiliza softwares já existentes no mercado. Um estúdio equipado com Guitar Hero e Rock Band fica a disposição dos alunos para que eles possam jogar quando estão fora da aula. Mesmo que tocar um instrumento de "mentirinha" seja bem mais fácil do que fazer música com um real, muito conteúdo é assimilado durante esses shows virtuais.

  "O game quando é utilizado para uma finalidade pedagógica, pode ter um efeito interessante: o aluno aprende sem ter consciência. Ele joga, mas também aprende alguma coisa", diz Alex Rodriguez, Professor de Guitarra da Escola de Música e Tecnologia (EM&T). O professor também conta que, no caso do jogo de música, o aluno pode não aprender a fazer música necessariamente, mas ele está entrando em contato com algumas atividades que estão relacionadas com a música. A questão do desenvolvimento ritmico é um exemplo. "Não dá para jogar Guitar Hero se não tiver ritmo. Isso faz com que o aluno acabe desenvolvendo ritmo ao apertar as teclinhas na hora certa", finaliza.
    
  A iniciativa de levar jogos eletrônicos para o ambiente escolar ainda precisa vencer muitos obstáculos. Faltam equipamentos e professores capacitados para lidar com esse tipo de mídia. E também a resistência de muitos educadores, que defendem métodos mais convencionais de ensino. Mas as experiências mostram que é possível sim, aprender brincando com games."


*Sobre o jogo Conflitos Globais, acesse os links abaixo: